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SÃO PAULO

Acusado de participar do furto ao BC é seqüestrado

Fernando Viana Salles, foi seqüestrado em São Paulo, provavelmente por policiais e está desaparecido desde 07/10

Marcelo Godoy
da Agência Estado

19 Out 2005 - 09h35min

Um seqüestro inusitado em São Paulo está causando uma crise na Polícia. A vítima é Luiz Fernando da Viana Salles, o ''Fê'', um dos suspeitos de participar do furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza. E os seqüestradores do ladrão são policiais. A família do bandido foi obrigada a pagar R$ 2 milhões de resgate aos criminosos que dominaram Fê na noite do dia 7. Mas, até agora, os policiais não cumpriram o acordo e Fê continua desaparecido. O dinheiro pago, conforme a Polícia paulista teria sido parte do que coube a Fê no furto milionário ao Banco Central.

Fê foi seqüestrado em frente de uma boate na Rua dos Pinheiros, zona oeste de São Paulo, por um grupo de homens. ''Sai fora que é federal'', disse um deles às testemunhas do seqüestro. Fê estava sendo investigado pela Polícia Federal por suspeita de participar do furto ao BC em Fortaleza, ocorrido entre os dias 5 e 6 de agosto passado. Foi o maior assalto a banco da história do País.

No dia seguinte, ao seqüestro, os agentes federais souberam do que havia acontecido porque flagraram uma conversa de uma parente do suspeito, num telefonema grampeado. Ela disse acreditar que Fê havia sido preso ''por policiais do Deic'', o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado, da Polícia Civil paulista. Os federais entraram em contato com a direção do Deic para saber se Fê havia sido detido por seus homens.

O diretor do departamento, delegado Godofredo Bittencourt Filho, pôs seus homens para apurar o que estava acontecendo. Como ele não havia sido informado de nenhuma operação relativa ao assaltante, acreditou que policiais tivessem cometido a prisão ilegalmente. Logo depois, soube que a família havia sido procurada pelos policiais que seqüestraram Fê.

Bittencourt informou a Corregedoria da Polícia Civil, que passou a acompanhar também o caso. Antes que o Deic pudesse intervir, os parentes de Fê fecharam um acordo com os policiais bandidos. Um advogado do ladrão apanhou os R$ 2 milhões do resgate e entregou aos seqüestradores em um posto de gasolina da Rodovia Raposo Tavares. Era madrugada de domingo, dia 9.

Horas depois, os policiais seqüestradores telefonaram para a família do suspeito do furto e disseram que estavam ''contando o dinheiro''. Só depois que tivessem certeza de que o resgate havia sido pago na íntegra é que soltariam Fê. O tempo passou e o ladrão continuou desaparecido.

Na terça-feira, dia 11, o advogado da família de Fê procurou a direção do Deic. No dia seguinte, encaminhou os parentes para serem ouvidos no departamento. A essa altura, um inquérito policial já havia sido aberto pelo Delegacia de Roubo a Banco do Deic. A mulher de Fê foi ouvida, além de testemunhas do seqüestro. Elas analisaram fotografias de todos os policiais do Deic para tentar reconhecer os seqüestradores.

Durante a apuração, suspeitou-se ainda de que policiais da Divisão de Roubo e Furto de Veículo e Cargas (Divecar) do Deic estivessem envolvidos no crime. O diretor da Divecar, delegado Itagiba Vieira Franco, chegou a pôr seu cargo à disposição por causa do episódio. Câmaras de vídeo filmaram o arrebatamento da vítima e o pagamento do resgate, mas a qualidade das imagens é péssima. Até agora, ninguém foi preso.

Depois de quase três meses do furto milionário, a PF prendeu sete envolvidos e recuperou apenas R$ 18 milhões. O grupo alugou uma casa, onde instalou uma empresa de fachada, a cerca de 80 metros da sede do banco. Cavou então um túnel de 80 metros e entrou no cofre durante o fim de semana dos dias 5 e 6 de agosto. Só no dia 8 o crime foi descoberto.

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