VÍTIMAS
Imagens cruéis revoltam árabes
Segundo o jornal Al-Ahram, "A guerra limpa se tornou na mais suja, na mais sangrenta, na mais destruidora"
[02 14h20min]
As imagens transmitidas pela televisão, às vezes insuportáveis, de vítimas civis no Iraque provocam a revolta e a indignação no mundo árabe que está vendo como uma chamada guerra limpa se suja e como uma guerra de libertação permite crimes de guerra.
"Tocam o coração e provocam o ódio aos norte-americanos", diz um estudante de economia, Charif, ao comentar as imagens transmitidas pela televisão catariana Al-Jazira, que diariamente mostra corpos despedaçados de mulheres e crianças iraquianas.
Imagens como as usadas hoje pelo jornal egípcio Al-Ahkbar que decidiu mostrar o corpo de uma jovem em seu caixão com seu bebê tendo a chupeta ainda em sua boca imóvel. Na mesma página se via uma criança cuja cabeça repousava em um mar de sangue e junto com ela mais duas crianças.
"É quase repugnante, muda-se de um canal para outro e em todos o mesmo espetáculo", explicava Lydia, estudante de ciências políticas da Universidade do Cairo. "É preciso mostrar tudo isso para mobilizar as pessoas, a fim de que fiquem a par dos fatos", acrescentou Medhat, que estuda na mesma universidade.
Por sua vez, um dos editores do jornal Al-Ahram, Salah Eddin Hafez, escreveu recentemente que "a guerra limpa se tornou na mais suja, na mais sangrenta, na mais destruidora. As armas inteligentes sofrem de repente uma estupidez premeditada que mata, destrói cegamente e joga sua cólera histérica sobre os mercados populares e os bairros residenciais das cidades iraquianas".
O mesmo jornal mostrou hoje a capa da próxima edição da revista Aladino, destinada a crianças entre dez e quatorze anos. Anunciavam-se dois artigos. Com uma fotomontagem de um avião de caça norte-americano que sobrevoa uma mãe que foge com seus filhos, o primeiro artigo se chama "Destruição em massa" e o segundo "Agressão contra as crianças iraquianas".
As vítimas civis formam "rios de sangue que separam o povo iraquiano das forças da coalizão que se supõem libertadoras do povo iraquiano e que vieram lhes dar a democracia", estimava por sua vez Makram Mohamed Ahmed, redator-chefe da revista Al Musssawar, próxima ao governo egípcio que é um fiel aliado aos Estados Unidos.
Na Síria a imprensa oficial denunciou os "massacres bárbaros" perpetrados pelos soldados americanos e britânicos contra os civis e ironizava os valores democráticos prometidos por Washington aos iraquianos. "Eis que o povo iraquiano saboreia 'os valores da liberdade' prometida: tem a liberdade de morrer assassinado, queimado ou enterrado sob os escombros", escreveu o jornal As Saura.
O jornal oficial do partido no poder, Al-Baath, assinala por sua vez que "os terríveis massacres cometidos pelas forças de invasão contra os civis iraquianos e os bombardeios selvagens contra Bagdá e as outras cidades iraquianas são amplamente denunciados pela comunidade internacional e são considerados pelas organizações internacionais como crimes de guerra contra a humanidade". "Não se pode salvar um povo matando-o", protestou o jornal Al Khalikh, dos Emirados Árabes Unidos.
AFP
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