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ONGs criticam escolha de Kelly Key para campanha

Integrantes do fórum de ONGs contra a Aids argumentam que campanha apresentada por Kelly Key explora a figura da mulher objeto. Já o Grupo Gay da Bahia considera bobagem todo o esperneio em torno da campanha


07 Fev 2003 - 01h28min


A escolha da cantora Kelly Key para protagonizar a campanha carnavalesca de prevenção à Aids desagradou o fórum de organizações não-governamentais (ONGs) vinculadas ao combate à doença. O Ministério da Saúde não deu ouvidos e lançará no dia 18 a campanha Sexo sem Camisinha? Só Olha e Baba Baby, estrelada por Kelly.

O governo argumenta que aproveitará a popularidade da cantora para estimular a mudança de comportamento ao retratar uma jovem que não abre mão do seu poder de negociação pelo uso do preservativo. ''Em suas letras, (Kelly) assume-se como mulher vaidosa, dominadora e que sabe o que quer'' - explicou o ministério numa nota oficial, em Brasília.

Integrantes do fórum, depois de assistirem ao filme publicitário, cobraram a falta de consulta a eles e reclamaram que a campanha explora a figura da mulher objeto. Em carta ao ministro da Saúde, Humberto Costa, o fórum definiu a imagem de Kelly Key como contraditória para a luta de prevenção da Aids.

''É perversa com as/os jovens quando vende um modelo de sucesso e modo de vida baseada no consumo e na futilidade''. Acrescenta ainda que a imagem da cantora ''propõe uma pseudo liberdade sexual, onde o homem é o oprimido e a mulher é a opressora''.

A representante das ONGs do Nordeste na Comissão Nacional de DST/Aids, Solange Rocha, disse que o governo escolheu a estratégia errada para uma campanha educativa. Solange afirmou que a cantora fala apenas para um determinado tipo de jovem, principalmente do eixo Rio-São Paulo. Na opinião dela, as músicas da cantora não contribuem para a construção de valores e autonomia dos jovens.

O presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, discorda da posição do fórum. ''Estou convencido de que o apelo da Kelly Key ajudará a salvar vidas'' - disse, considerando uma ''bobagem todo este esperneio'' em torno da campanha do Carnaval.

O dirigente da Coordenação Nacional de DST/Aids, Paulo Teixeira, explicou que a escolha foi técnica, considerou ''a vulnerabilidade da mulher à epidemia da Aids por ela ser subjugada às decisaes do homem''. A cantora - diz Teixeira - pode ajudar a convencer a jovem a impor sua vontade e necessidade de uso de camisinha.

Além do ''discurso'', Kelly se aproximaria do público que se pretende atingir por seu perfil: aos 20 anos, tem uma filha e foi casada por seis anos com um homem 10 anos mais velho.

Teixeira afirma que a velocidade de crescimento da Aids entre as mulheres é nove vezes maior do que entre homens e que o número de casos já é maior entre as adolescentes de 13 a 19 anos do que entre os rapazes nesta mesma faixa etária.

O governo anunciou que pretende iniciar uma campanha para conter a epidemia entre mulheres de até 24 anos. Os protagonistas da campanha serão os irmãos Sandy e Júnior, que têm imagem de bons moços. (Agência Estado)

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