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Ceará

PROJETO-PILOTO

Plano de combate à desertificação em Independência

Com a participação de representantes de organizações governamentais e não governamentais e universidades, começa a ser elaborado o Programa de Combate à Desertificação do Ceará

Rosa Sá
da Redação

04 Nov 2005 - 02h52min

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O PROCESSO de desertificação atinge municípios cearenses como Trairi(Foto: THIAGO GASPAR)
Um projeto para recuperar uma área piloto desertificada do município de Independência, distante 354 quilômetros de Fortaleza, vai servir de base para a elaboração do Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no Ceará. O planejamento com esse objetivo começou a ser debatido ontem na oficina de trabalho que a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) do Estado está promovendo até hoje no Colonial Hotel. O evento reúne representantes do Ministério do Meio Ambiente, Instituto Sertão, Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), instituições federais e estaduais de meio ambiente, universidades e Articulação pelo Semi-Árido (ASA).

Independência, na região dos Inhamuns; Jaguaribe, Jaguaretama e Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe; Farias Brito e Assaré, no Cariri; e o núcleo desertificado de Irauçuba, que também envolve áreas dos municípios de Sobral, Miraíma e Forquilha, são as áreas mais afetadas por processos de desertificação no Ceará.

O anteprojeto para a área definida como piloto prevê a recuperação da microbacia do riacho Santa Luzia, um afluente do riacho Independência, integrado à bacia hidrográfica do rio Poti, que se localiza no distrito de Iapi. A área reúne as comunidades de Santa Luzia, Alto Doce e Várzea do Toco, que, conforme Roberto Leite, do Departamento de Recursos Ambientais da Funceme, se mostram sensibilizadas para a questão da desertificação e interessadas numa solução para o problema.

No território de 4.850 hectares, há trechos nos quais é bastante perceptível a degradação e a proposta é promover a recuperação desses pontos por meio de ações compartilhadas de gestão comunitária, que visam recompor as matas ciliares, a partir do emprego de técnicas conservacionistas no uso da terra. Identificadas as áreas degradadas, o propósito agora é partir para combater os processos de desertificação fazendo o monitoramento das situações, a fim de implementar projetos de recuperação das áreas degradadas, com a colaboração do Programa de Desenvolvimento Hidroambiental das Microbacias Hidrográficas do Ceará (Prodham).

Rodrigo Vaz, coordenador executivo do Instituto Sertão, explica que a oficina que termina hoje objetiva estabelecer diretrizes gerais para o programa cearense, uma vez que em 2006 os Estados atingidos pelo processo de desertificação deverão ter os seus planos de enfrentamento elaborados. Esse momento é de mobilização, com debates em torno de pontos de vista e experiências. ''A elaboração propriamente dita do plano estadual e sua implementação deverá se dar a partir do próximo ano'', finaliza.

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