Ciência & Saúde
Diálogo
"O silêncio é a pior atitude"
A criança tem que aprender que existem tipos de resoluções de conflitos. Privar a criança de ambientes sociais não é a melhor saída. Fundamental mesmo é estabelecer o diálogo
23 Jan 2010 - 18h25min
A socióloga e pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência da UFC, Camila Holanda, reconhece que a violência está presente nas relações sociais e acrescenta que a família deve ser encarada como uma instituição de conflito, mas nunca de violência. ``Devemos enfrentar as formas de violência e fortalecer as relações familiares, inclusive através de políticas públicas``, indica. Ela acrescenta que a sensação de insegurança nos espaços de socialização e a impunidade de ações criminosas acabam prejudicando o desenvolvimento de novas relações.
Para o assistente social e professor da UNB, Vicente Faleiros, a informação sobre violência e o limite a ser posto aos pequenos devem estar acompanhados do respeito, e não da ira. A família deve ter seus valores sólidos e passá-los precocemente. Só que mais do que falar, a mensagem deve ser passada através dos exemplos. ``O maior modelo dos filhos são os pais``, garante.
Cautela
Quanto à violência externa, a informação deve ser aprofundada de acordo com a idade, interesse e vivência da criança. ``Não há norma igual pra todas as idades. A cautela é apenas com a implantação do terror. O medo é o lado reverso da moeda na questão da violência``, explica Faleiros.
Adotar uma postura indiferente à realidade que vivemos pode ser considerada negligência. E isso também é uma violência contra a criança. É comum os adultos passarem mensagens cifradas sobre assuntos polêmicos. Só que de nada adianta. O indicado é passar a mensagem de forma mais direta possível. ``Estimular o diálogo é a melhor estratégia. O silêncio é a pior atitude``, destaca. É importante dar proteção, mas esse cuidado deve ser avaliado. Não pode ser determinado pelo medo ou pela prisão. ``A gente pensa que a criança não entende, mas se explicar, ela vai entender os limites. Precisamos aprender a conviver com a sociedade que temos hoje``, ressalta. (Viviane Gonçalves)
E-Mais
O que os pais devem fazer para prevenir a violência e proteger seus filhos
> Estar bem informado sobre a realidade do abuso sexual e da violência contra crianças
> Ouvir seus filhos e acreditar neles por mais absurdo que pareça o que eles estão contando
> Dispor de tempo para seu filho e dar-lhe atenção
> Saber com quem seu filho está ficando nos momentos de lazer
> Conhecer e estabelecer contato com os colegas dos filhos e os pais deles
> Procurar informar-se sobre o que sabem e como lidam com a questão da violência e do abuso sexual os responsáveis pela creche, pela escola, pelo programa de férias. Faça o mesmo com o pediatra, o conselheiro religioso, a empregada e a babá
> Antes de tudo, falar com seu filho e lembrar que o abuso sexual e a violência
pode ocorrer inda nos primeiros anos da infância
Outros casos envolvendo crianças e adolescentes que ganharam grande repercussão e comoção
> 29 de março de 2008 - Isabela Nardoni, 5, morreu ao ser jogada do sexto andar de um prédio de São Paulo. O caso foi acompanhado por todo o Brasil. O pai e a madrasta estão presos e respondem pelo crime.
> 7 de fevereiro de 2007 - A morte de João Hélio, 6, teve repercussão nacional devido à brutalidade do crime. O carro em que ele estava com a mãe foi assaltado. Os assaltantes arrastaram o menino preso ao cinto de segurança pelo lado de fora do veículo por sete quilômetros.
> 13 de outubro de 2008 & O caso envolvendo a estudante Eloá Cristina Pimentel, 15, é considerado o mais longo sequestro em cárcere privado registrado pela polícia em São Paulo. O ex-namorado da garota, Lindemberg Fernandes, 22, invadiu a casa de Eloá por não aceitar o término do relacionamento. Após 100 horas de negociação, policiais do Gate e da tropa de Choque explodiram a porta. A amiga Nayara acabou ferida com um tiro no rosto. Eloá foi baleada na cabeça e na virilha e acabou morrendo.
DICAS
1. > Entre 18 meses e 3 anos, ensine as crianças sobre as partes do corpo humano
2. > Entre 3 e 5 anos, converse com eles sobre as partes privadas do corpo (aquelas cobertas pela roupa de banho) e também como dizer não.
Fale sobre a diferença do ``bom toque e mal toque``.
3. > Após os cinco anos, a criança deve ser bem orientada sobre sua segurança pessoal e alertada sobre as principais situações de risco.
4. > Após os oitos anos deve ser iniciada a discussão sobre os conceitos e as regras de conduta sexual que são aceitas pela família e fatos básicos da reprodução humana.
FONTE: www.observatoriodainfancia.com.br / texto adaptado da American
Academy of Pediatry
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