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Violência

E quando a violência chega pela TV?

O que fazer quando os casos de violência e de abuso sexual invadem a telinha e são captados pelos olhos dos pequenos? Especialistas explicam que para a criança ser orientada, não precisa ser exposta a todos os detalhes


23 Jan 2010 - 18h25min

Boa parte da programação da TV não é feita para as crianças, mas eles acabam tendo acesso aos programas (Foto: BANCO DE DADOS)
Notícias chocantes, imagens dramáticas e gritos de pavor. Tudo sendo assistido pelos olhos atentos dos pequenos. A programação não foi feita para eles, mas sob a justificativa de ficarem mais próximos dos pais ou estarem informados sobre tudo, crianças e adolescentes acabam acompanhando uma programação nos mais variados meios de comunicação que não é destinada a eles. A realidade acaba sendo revelada de forma impactante e não demora muito para surgirem consequências. A cena vista acaba se refletindo em noites mal dormidas, amedrontamentos e inseguranças.

Segundo a doutora em ciências sociais e coordenadora do Grupo Pesquisa da Relação Infância e Mídia (Grim), Inês Vitorino, os pais devem tomar cuidado com a exposição midiática. ``Para que a criança seja orientada, ela não precisa ser exposta a todos os detalhes. Ao contrário, isso pode trazer uma situação de maior vulnerabilidade``, acredita. Para Vitorino, o jornal, principalmente os policialescos, não devem ser assistidos pelas crianças. ``Jornal não é feito para criança, é produzido para o público adulto. Muitas cenas são carregadas de drama, sofrimento e exploração da dor``.

A pesquisa ``Leituras da Criança e do Adolescente sobre a Qualidade Televisiva e os Sistemas de Classificação Etária``, realizada pelo Grim com 120 estudantes do ensino fundamental da Capital e do interior cearense aponta uma rejeição expressiva ao programas jornalísticos policiais. Dos 10 programas ruins e péssimos mais citados, quatro na Capital e sete no Interior têm formato jornalístico. Dentre as razões pelas quais os programas deveriam ser eliminados da TV, as crianças e os adolescentes destacaram a exposição de cenas de sexo, violência, terror e relativas ao uso de drogas na Capital e o fator violência no Interior, seguido pela simples justificativa de a criança não gostar do programa.

Informação
Entretanto, a proteção aos pequenos deve ser aliada a informação. É importante tratar sobre os assuntos que o cercam e que fazem parte da realidade, para a própria segurança da criança. Afinal, o assunto chegará ao conhecimento da criança, seja através dos meios de comunicação, seja a partir das rodas de conversa. Por isso, o diálogo é fundamental. Os pais devem estar atentos ao que as crianças assistem. ``Um grande problema a ser enfrentado é porque muitos pais não sabem o que os seus filhos estão assistindo``, denuncia. A criança pode ter acesso a informação, desde que seja filtrada pelos responsáveis.

Nesse aspecto, a escola também ganha um papel importante na divulgação de informações. ``Os aspectos mais interessantes da notícia podem ser trabalhados e discutidos com as crianças``, propõe Inês. (Viviane Gonçalves)

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