Ciência & Saúde
Realidade
Como falar sobre violência com as crianças?
Além da comoção nacional, o caso da menina Alanis Maria Laurindo de Oliveira ganhou também repercussão dentro de casa e levantou a questão: existe uma idade certa para iniciar a discussão sobre violência e sexualidade com as crianças? E, como deixar os filhos preparados para uma realidade tão cruel sem traumatizá-los?
Viviane Gonçalves
vivi@opovo.com.br
23 Jan 2010 - 18h25min
O Ciência & Saúde dessa semana conversou com psicólogos, pediatras, assistentes sociais, sociólogos e claro, pais, para refletir e debater o assunto. Existe uma idade certa para iniciar a discussão sobre violência e sexualidade com as crianças? E, como deixar os filhos preparados para uma realidade tão cruel sem traumatizá-los?
Os especialistas foram unânimes. O diálogo é fundamental. É preciso estabelecer uma comunicação direta com as crianças e responder às demandas trazidas por elas. ``Não é uma questão de vamos falar sobre violência. E sim de vamos conversar sobre o cotidiano, no sentido de tirar dúvidas, a partir das demandas da própria criança``, pontua Veriana Colaço, psicóloga e membro do Núcleo Cearense de Estudo e Pesquisa sobre Criança (Nucepec). Ela explica que não existe uma idade certa para tratar sobre esses assuntos. ``Vai depender da própria compreensão da criança sobre a realidade. A criança não vai procurar informações sobre algo que não tem sentido para ela``, explica.
Medo
O temor de muitos pais na hora de conversar sobre violência com os filhos é deixá-los amedrontados ou, até mesmo, traumatizados. ``O que provoca trauma não é a questão de antecipar um assunto com a criança, mas o modo como fala sobre isso. Alguns pais acabam confundindo a conversa de alerta com o de amedrontamento``, classifica.
O resultado são crianças inseguras, despreparadas para a realidade e com pesadelos recorrentes. ``A conversa deve gerar conforto e segurança para os filhos``, acrescenta a psicóloga clinica Vilma Paiva. Por isso, é preciso traçar estratégias de comunicação. Aproveitar um caso concreto para tratar sobre a temática, desenvolver conversas rotineiras e estar com o olhar sempre vigilante para qualquer alteração no comportamento dos pequenos são algumas das indicações.
Com as crianças menores de cinco anos, Vilma alerta para a dificuldade de relacionar casos abstratos com a realidade. ``Na primeira infância não existe a compreensão e capacidade de julgamento. Eles pensam: se está me oferecendo uma coisa boa, é porque está pessoa é boa``, alerta. Nesses casos, como a compreensão da criança é absolutista, a orientação também deve ser absoluta. ``Diga para a criança que se qualquer pessoa lhe oferecer algo, não aceite sem a permissão do pai``, ensina.
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