Ir para a página sobre a Publicidade

Ciência & Saúde

Ciência & Saúde

A+ A- Mudar tamanho

Haiti

Sofrimento e destruição no Haiti

O Haiti voltou a ser o assunto mundo afora depois do último dia 12. O maior tremor que já aconteceu na região abalou a área. Um tremor de magnitude 7 deixou metade da capital destruída e mais de 100 mil mortos. Os estudiosos não descartam que o Brasil também possa ter um


30 Jan 2010 - 18h58min

Além da destruição, milhares de pessoas morreram, outras ficaram feridas, sem comida e onde morar (Foto: NICHOLAS KAMM/AFP)
O ano não começou bem para o país mais pobre das Américas. O dia 12 de janeiro de 2010 é um marco para a história da gente haitiana tão sofrida. Foi o maior terremoto que o país já teve. Imprevisível, deixou metade da capital, Porto Príncipe, destruída. Prédios caíram. Comida e água viraram artigos de luxo. O abalo matou quase 200 mil pessoas, estimam as autoridades. Dentre os mortos, estão 21 brasileiros. A notícia da tragédia ganhou o mundo. Mas, afinal, o que aconteceu com o Haiti? Como explicar um terremoto tão violento como esse?

Os sismógrafos registraram que o tremor atingiu magnitude 7 na escala Richter, que mede a ``força`` ou energia total do terremoto, como explica o professor Marcelo Assumpção, professor do curso de Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). A escala não tem limite, mas, só para se ter uma ideia, o maior grau já registrado nela foi de 9,5 no Chile, em 1960. A diferença de energia de um grau para outro chega a ser 32 vezes maior. Ou seja, um tremor maior no Haiti agora, acabaria de vez com o país.

Com tanto estudo e pesquisas na área da sismologia, muita gente se pergunta se esses tremores, tão fortes, não poderiam ter sido previstos. Não. Nenhum terremoto pode ser previsto, asseguram os especialistas. ``Não é possível prever terremotos. Nenhum país pode prever terremotos, mesmo os mais adiantados e com mais recursos``, lembra o professor Marcelo Assumpção, que é doutor em Sismologia pela Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Sistemas complexos
De acordo com o professor Aderson Farias do Nascimento, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esse tipo de prognóstico ainda é um dos desafios para a ciência. ``Os terremotos são sistemas naturais muito complexos. Assim, o homem não possui informação a respeito de muitos fatores que proporcionam a geração de terremotos no interior da Terra. O mecanismo geral de como os terremotos são gerados é razoavelmente bem entendido, mas não ainda a ponto de fazer previsões``, analisa o pesquisador.

O que se pode afirmar, lembra Aderson, é a chance de um outro tremor de igual magnitude atingir a região (no caso do Haiti) nos próximos meses ou anos. Mas isso é baseado em estatísticas. O professor Joaquim Ferreira, coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN, esclarece que extensas falhas localizadas no Haiti, aparentemente, não eram conhecidas pelos especialistas: ``Faz tempo que tremeu lá. Foi em 1700, no século XVIII, os últimos maiores tremores. Não foi recente``. No entanto, abalos de menor grau há frequentemente na área, cita ele.

Um item que é levado em consideração quando se estudam os tremores é o que o professor Joaquim chama de ``periculosidade sísmica``, que é calculada a partir dos tremores registrados na história. Os últimos grandes tremores registrados na região (antes deste que ocorreu em janeiro) aconteceram na Jamaica, que fica mais a oeste do Haiti, lembra Joaquim Ferreira.


TERREMOTO NO HAITI
> O professor Marcelo Assumpção explica que o grande número de mortos como efeito do terremoto no Haiti se deve ao fato de o epicentro estar praticamente dentro da cidade, Porto Príncipe. Além disso, no Haiti, as construções não eram à prova de terremotos, como na Califórnia ou no Japão, cita.

> Ele sugere que um terremoto de magnitude 8 provocaria vibrações um
pouco mais intensas, mas com duração maior e em uma área bem maior. Em vez de arrasar uma área de 50 quilômetros, um terremoto de magnitude 8 arrasaria uma área de 100 a 200 quilômetros de extensão.

RAIO-X

República do Haiti
> Área: 27,7 mil quilômetros quadrados
> População: 9 milhões
> Capital: Porto Príncipe
> Língua oficial: francês e crioulo
> Religião: maioria católica, com minorias protestantes

FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


ENTENDA O CASO

12/1/2010
> Terremoto de magnitude 7 é registrado no Haiti. O abalo foi grande, capaz de derrubar vários prédios. Ocorreu às 19h53min, horário de Brasília. O epicentro do terremoto aconteceu a 15 quilômetros de Porto Príncipe.

13/1/2010
> Aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) decola para levar alimentos e água aos sobreviventes do terremoto. A capital está devastada. As autoridades anunciam que há brasileiros mortos. Dentre eles, estão 18 militares, um diplomata, Luiz Carlos da Costa, e a mãe da Pastoral da Criança, Zilda Arns. .

20/1/2010
> Outro tremor, desta vez de magnitude 6,1, atinge o Haiti. Até então, 121 vítimas do terremoto foram resgatadas dos escombros. Um dia depois, o terremoto de magnitude 4,8 atinge o Haiti.

22/1/2010
> Número de pessoas mortas é de 111.499, conforme o Haiti.

23/1/2010
> Bancos no país voltam a abrir. Autoridades haitianas confirmam 120 mil mortos encontrados.

24/1/2010
> Novo chefe da missão da ONU para o Haiti pede mais recursos humanos e veículos para ajudar as vítimas.

26/1/2010
> Presidente Lula assina medida provisória que destina cerca de R$ 375 milhões para atender às vítimas das catástrofes no Haiti.


TIRA-DÚVIDA

TSUNAMI
> O professor George Sand, da Universidade de Brasília (UnB), explica que um tsunami é uma consequência de um terremoto.

> Para ele, a possibilidade de haver um tsunami no Brasil é bem pequena. E quando soube que havia previsões de videntes sobre um possível tsunami em Fortaleza em 2013, George Sand ironizou: ``Um tsunami em Fortaleza? Olha, se acontecer mesmo, eu vou chamar esse vidente para trabalhar aqui comigo, porque ele é bom``.

> Marcelo Assumpção, da USP, complementa: ``Os tsunamis são ondas nos mares causadas por uma movimentação súbita do fundo oceânico durante a ocorrência de um terremoto com epicentro na costa ou no mar``.

> Aderson Farias do Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esclarece que o tsunami é gerado a partir do deslocamento da água verticalmente, para cima, e uma onda é gerada. Quando a onda chega perto da praia, ela quebra e ocorre a sequência de ondas que invadem o litoral.

> O pesquisador informa: ``Os tsunamis são gerados, em geral, com terremotos de magnitude em torno de 6,5. O potencial destrutivo também depende da profundidade do terremoto. Em geral, terremotos mais profundos produzem menor estrago``.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante:Os comentários publicados são de única e exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas destes são passíveis de sanções legais na melhor forma de direito. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole a legislação pertinente ou os princípios da boa-fé, e de qualquer maneira denigra a terceiros será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Indique essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

O POVO Digital

Versão Impressa

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2009 O POVO - Todos os direitos reservados