Ciência & Saúde
Artigo
A poluição sonora
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão - Astrônomo
06 Fev 2010 - 19h01min
Do ultrassom ao infrassom, uma enorme gama de comprimento de ondas podem ser a origem de estresses, com consequências patológicas, segundo a intensidade e a duração de exposição ao ruído. Os seus efeitos vão depender da sensibilidade das pessoas ou dos animais expostos.
A poluição sonora pode ter múltiplas causas: fonte mecânica pontual (máquinas, usinas, etc.); fontes mecânicas móveis (provocada pela circulação dos carros, caminhões, trens, aviões, helicópteros, principalmente na proximidade das estações ferroviárias e rodoviárias e aeroportos); manifestações e eventos públicos (festas, fogos de artifícios, festivais, concertos e locais públicos com grande frequência).
A poluição sonora pode ser agravada por falhas na isolação sonora dos prédios, na ausência de muros antirruídos, assim como o emprego de materiais que provocam a reverberação dos sons em certos ambientes fechados, como, por exemplo, nos restaurantes. Aliás, já observei que os nossos restaurantes possuem um ruído mais acentuado do que os europeus.
A poluição sonora pode ocasionar, por exemplo, perda da acuidade auditiva momentaneamente ou por um longo período. As consequências sobre a saúde são variáveis e podem ser mais ou menos graves: irritabilidade, insônia, depressão e problemas de audição, que podem ir até a surdez passageira ou definitiva. Em certos casos, a poluição sonora pode ser agravada também pela hipersensibilidade auditiva patológica de alguns indivíduos.
Meio ambiente
As consequências no ecossistema podem provocar o afastamento de espécies animais, como ocorre nos grandes centros urbanos. Os ruídos nas grandes metrópoles afastam as aves ocasionando o despovoamento dos pássaros e, em consequência, um desequilíbrio no ecossistema provocando um aumento de insetos em virtude da ausência de um dos seus depredadores.
As leis de diversos países impõem restrições sobre a intensidade sonora, cujos máximos podem depender das horas. Medidas particulares podem ser tomadas: por exemplo, limitar o volume sonoro por ocasião de um concerto público, etc.
Nos últimos anos, durante as comemorações das festas das luzes na Índia, a utilização de rojões está sendo sistematicamente criticada pelas organizações de defesa do meio ambiente e de defesa dos direitos humanos. Com efeito, os rojões são considerados poluentes sonoros que afetam particularmente as crianças e as pessoas idosas, cujo sono é perturbado pelas explosões que ocorrem até tarde da noite. Todavia, a preocupação não se limita aos seres humanos; os indianos sentem-se incomodados com os efeitos dos estrondos nos animais domésticos. Essas perturbações ao sono estão em total contradição com os preceitos hindus de respeito à natureza.
Na realidade, os animais são particularmente sensíveis aos ruídos, pois a sua audição é mais desenvolvida do que as dos seres humanos. Os animais domésticos, como os gatos e os cachorros, assim como os rebanhos em liberdade nas ruas, na Índia, são afetados pelo barulho e permanecem confusos durante as festas. Algumas ONGs, na Índia, vêm tentando sensibilizar o povo com relação a esses problemas. Aliás, além da explosão, os rojões provocam a formação de uma fumaça e uma névoa que se estende sobre as cidades até o dia seguinte às festas; a atmosfera assim poluída é prejudicial à saúde, em especial às pessoas com distúrbios respiratórios,e a névoa causa uma redução da visibilidade para os motoristas. Como na Índia e no Brasil, esses momentos de festas são usados por alguns para mostrarem o seu status social e a sua riqueza, o que estimula a compra de rojões cada vez mais possantes e barulhentos.
Recentemente na Índia, o governo vem se esforçando para combater essa ameaça. Uma das primeiras medidas veio da a suprema corte da Índia, que proibiu os rojões por ocasião das festas das luzes entre 22h e 6h, alegando que ``o direito do sono é um direito fundamental do cidadão``; ainda que essa interdição não seja estritamente respeitada, ela já teve alguns efeitos políticos: a Comissão Central de controle da poluição proibiu o uso de rojões cujo nível de decibéis ultrapasse 125decibéis a uma distância de 4 metros da explosão.
Por outro lado, as ONGs vêm tentando sensibilizar as crianças, nas escolas, sobre os efeitos maléficos dos rojões, pedindo aos professores para agir junto aos pais, desaconselhando-os a compra de rojões assim como os fogos de artifícios. Estas diversas ações têm dado resultados positivos reduzindo consideravelmente a poluição sonora durante as festas.
>> RONALDO ROGÉRIO DE FREITAS MOURÃO é astrônomo, articulista
do O POVO e autor do O Livro de Ouro do Universo.
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09/02/2010
07:51
Ronaldo, muito boa sua matéria. Aqui no Rio estamos em campanha e luta contra os ruídos de aviões sobre nossos bairros. Temos conseguido alguma avamços, gostaria de fazer contato contigo para, se possível trocaramos informações sobre ess assunto que afeta a todos nós. Abraços , Joaquim
joaquim Santos
Número do IP: 187.67.61.117
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