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A beleza das praias de Aquiraz está ameaçada

Glacianne Gonçalves de Oliveira Maia - Geógrafa
06 Fev 2010 - 19h01min

Atualmente, o litoral de Aquiraz é considerado como um dos principais destinos turísticos atribuindo à diversidade paisagística e ecossistêmica e pela importância histórica e cultural. No entanto, a acelerada demanda e práticas realizadas na zona costeira não permitem que o ambiente tenha a capacidade de se adaptar às mudanças que se fazem súbitas, o que vem mostrando um quadro de fragilidade e vulnerabilidade à ação humana e, à medida que esse quadro evolui, é percebido a falta de compromisso por parte desses atores degradantes associado ao pouco ou nenhum planejamento de ordem ambiental e territorial.

Através de estudos, o geossistema da planície litorânea foi considerado um ambiente altamente vulnerável e fortemente instável à ocupação por se tratar de uma área bastante dinâmica. Atribui-se como um dos principais tensores: extrativismo, loteamentos indiscriminados e desmonte para implantação de megaestruturas. Da mesma forma nas áreas urbanizadas e agricultadas, estabelecidas nas zonas de migração de dunas, constituem áreas de risco, com a possibilidade de serem lentamente soterradas pela remobilização das areias.

O campo de dunas móveis fornece sedimentos para a faixa de praia gerado pela atividade eólica, enquanto que as fixas têm grande potencial na formação de lençóis freáticos. Entre as dunas móveis e fixas ocorrem considerável afloramentos de águas doces, as lagoas interdunares, servindo de manutenção dos mananciais e ao consumo humano. Também são encontradas águas salinas nas desembocaduras da laguna do Iguape e do riacho Barro Preto, condição para existência do manguezal, do qual abriga diversas espécies e importante depurador da água. Portanto, é um ambiente que necessita de proteção, pois é altamente vulnerável aos efeitos do homem.

A desvalorização e perda da identidade cultural são marcantes na área. Conflitos pela posse da terra ocorrem entre a classe elitista, empresários e especuladores imobiliários com os indígenas, quilombolas e pescadores. A comunidade do Batoque é um exemplo forte de resistência, intitulada por lei de Reserva Extrativista. Esta ocorrência é observada no cotidiano das comunidades que tem seu trabalho e costume forçadamente modificados se deslocando para áreas mais isoladas e distantes do mar, com o mínimo de espaços para ancorar suas jangadas, submetendo-se aos trabalhos temporários (pedreiros, marceneiros, lavadeiras, jardineiros) e informais, sem alternativas para sua sobrevivência e de seus familiares.

As restrições legais ao uso e ocupação do solo, à proteção do manguezal e restinga, às dunas fixas e à conservação cultural presentes não são cumpridas fazendo com que todos os problemas levantados convergissem ao mau uso e ocupação do meio físico do litoral de Aquiraz, tendo em vista a correlação com os processos geológico-geomorfológicos responsáveis pela dinâmica natural local e, sem dúvida reforçada pelas atividades humana. É com esse pano de fundo, que urge adotar procedimentos que minimizem os impactos ambientais negativos, mediante diretrizes e leis específicas na aplicação da gestão integrada da zona costeira, conjuntamente aos diversos setores da sociedade poderão solucionar algumas agressões ambientais que atingem a orla, com o fim na melhoria na qualidade de vida da comunidade e assegurando a sobrevivência das gerações porvindouras.

>> GLACIANNE GONÇALVES DE OLIVEIRA MAIA possui graduação em Geografia nas modalidades bacharelado e licenciatura pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). É mestre em Geografia na área de concentração Análise Territorial e Ambiental da Zona Costeira pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2009. Experiência na área de Geociências, com ênfase em oceanografia física e geografia.

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08/02/2010
22:16

Gostaria de parabenizar a autora pela notória perspectiva que tratou um tema tão delicado na sociedade cearense. É importante que voltemos as atenções para a zona costeira de nosso Estado, afinal os problemas no litoral leste e oeste têm despontado nos últimos anos. Como cientistas devemos alertar e como sociedade devemos agir! Congratulações.

Paulo

Número do IP: 200.144.188.135

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08/02/2010
09:28

Muito bom o artigo Glacianne! Se nos espelharmos nele, podemos pensar também em novas formas de planejamento em todo o litoral do Ceará.

Marisa

Número do IP: 187.41.247.155

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07/02/2010
18:52

Estão acabando com o Porto das Dunas! Logo no inicio, está sendo construído um condomínio onde a principal propaganda é " a melhor vista do Porto das Dunas" e é verdade! É uma bela vista que foi privatizada, e o condomínio foi construído logo acima de UMA ÁREA DE MANGUE!!! Mais como sempre o dinheiro nas mão de políticos fala mais alto e a construção foi liberada... No final do Porto das Dunas também está sendo iniciada a construção do Golf Ville, lá eles simplesmente aterraram toda a faixa de dunas próxima a praia, onde antes haviam pequenas dunas agora está plano e provavelmente aparecerá mais uma grande construção impedindo a vista da praia e barrando o vento para outros lugares.

Savio

Número do IP: 201.9.100.137

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