Ir para a página sobre a Publicidade

Elio Gaspari

ELIO GASPARI

Uma história brasileira de sucesso


29 Jan 2005 - 15h45min

A+ A- Mudar tamanho

Fica no Brasil uma das poucas cidades do mundo onde os habitantes têm acesso gratuito, veloz e ilimitado à internet. Chama-se Sud Menucci (sudeste de SP), com 7.500 moradores e duas mil casas, 107 das quais conectadas à rede. A operação custa R$ 3.200 mensais à prefeitura e é possível que antes de junho ela incorpore a tecnologia WiFi, que dispensa os cabos. Se isso acontecer, como acredita o prefeito Celso Junqueira, a cidade americana de Filadelfia perde a corrida para Sud Menucci. (Que nome é esse? A explicação está no final da nota)

A história da proeza mostra, como diria Lula, que a vontade de fazer associada à vontade de trabalhar, consegue o impensável.

Em 2002, Sud Menucci estava no lixo da internet. Seus habitantes precisavam buscar a conexão discada num número interurbano. O chefe do serviço de informática da prefeitura (Sérgio Soares, 35 anos) recebeu do prefeito (Nelson Gonçalves de Assis) a tarefa de buscar uma solução. Essa mesma conversa deve ter acontecido em centenas de municípios do Brasil e quase sempre acabou em nada. Sérgio foi à luta. Hoje, graças à torre de transmissão da prefeitura, toda a cidade tem acesso à banda larga. Os moradores precisam apenas de uma antena, cujo preço varia entre R$ 300 e R$ 500. Daí em diante, nada.

Sud Menucci não é nenhuma Filadelfia. Depende da cana e seu orçamento anual é de R$ 11 milhões, dinheiro que não paga a reforma que a plutocracia nacional faz no palácio da Alvorada (R$ 16 milhões). Tem duas escolas com 40 computadores e uma biblioteca com três.

Sud Menucci foi um jornalista e professor, autor de A crise brasileira da educação. Morreu em 1948, aos 56 anos, tendo vivido para defender a qualidade do ensino público. E porque se chamava Sud? O pai dele gostava de dar nomes geográficos aos filhos.


Lula viu a uva
Não é justo que o comissário José Genoino chame FFHH de ''preconceituoso'' porque pediu a Lula que lesse ''um pouquinho'' sobre História do Brasil.

Lula orgulha-se do seu curso secundário incompleto. Estudar faz parte do serviço de presidente. Chamar Néstor Kirchner de ''companheiro Menem'' é coisa que pode acontecer a qualquer um, mas mesmo que Lula tivesse todos os diplomas do mundo, não deveria ter dito que Napoleão foi à China ou que Oswaldo Cruz descobriu a vacina da febre amarela.

Há dezenas de livros sobre o companheiro, quase todos baseados em longas entrevistas. São raras as vezes em que conjugou o verbo ler. Atribui-se a Genoino a afirmação de que Lula é uma das pessoas que mais conhecem a História do Brasil. Para o comissário, a História do Brasil começou no dia 1º de janeiro de 2003.


Bolsa Família
O repórter Gerson Camarotti fez as contas: os dois candidatos petistas a presidente da Câmara já arrecadaram R$ 436 mil para suas campanhas. Pelo jeito, batem o meio milhão de reais.
Noves fora casa, comida e roupa lavada, não se entende por que há tanta sede para tão pouco pote. A menos que haja mais pote nessa história.


Tucanos malvados
O presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, promete uma ofensiva crítica às políticas sociais de Lula.
Tudo bem. Poderia aproveitar o embalo e explicar por que os tucanos paulistas confiscaram o desconto que o Metrô dava a quem comprava dois bilhetes.
Uma passagem custava R$ 1,90 e duas, R$ 3,60 (economia de R$ 0,10 por percurso). O doutor Geraldo Alckmin subiu a tarifa para R$ 2,10 e tungou o desconto.


Boca livre
O laboratório Merck informa que não está entre os patrocinadores da boca-livre de parlamentares brasileiros convidados para viajar aos Estados Unidos no entardecer do recesso. A viagem foi organizada pela PhRMA, entidade que representa a grande indústria farmacêutica americana, da qual o Merck é associado.

Num convite que ''muito nos honra'', o Merck mostrará aos parlamentares seu laboratório de Nova Jersey, pertinho de Nova York.

Entre os escolhidos pela PhRMA para a missão científica que passará pela Universidade de Georgetown, estiveram o senador Ney Suassuna e o deputado Ronaldo Caiado.


Speak português
Para quem acha que a diplomacia brasileira precisa manter a exigência do inglês como matéria eliminatória (repetindo, eliminatória) no concurso de acesso (repetindo, acesso) ao Instituto Rio Branco:

Nos anos 50 um jovem de classe média de Barra do Piraí resolveu ser diplomata. Fez o exame e teve boas notas.

Tirou 0,4 em inglês e foi ao pau. Largou o emprego de fiscal da Previdência e ralou um ano com discos do método Linguaphone, ouvindo a BBC. Na sua cidade ninguém falava inglês.

Passou com 7,4, a segunda nota do concurso.

Ovídio de Mello não precisava ter perdido um ano da sua vida para adquirir conhecimentos que o curso do Rio Branco oferecia. Ovídio foi um dos melhores diplomatas de sua geração. Grande encrenqueiro, orgulha-se de ter participado da virada da política externa brasileira na África, em 1975.

O inglês eliminatório facilita o acesso de jovens de famílias com quatro sobrenomes e apelidos bissílabos. Em compensação, mantém o andar de baixo no seu lugar.


O mapa do fracasso dos povos
Depois de Armas, germes e aço, o professor americano Jared Diamond saiu-se com outro bom livro. É Collapse (Colapso), que acaba de sair nos Estados Unidos. Num ele contou como a sociedade européia deu certo. Pouco a ver com cultura e religião. Muito a ver com fatores ecológicos. Agora ele conta como outras sociedades deram errado. Por que os maias e o Império Khmer do Camboja foram à breca? Quase sempre por agressões ao meio-ambiente, superpopulação e descaso.

Colapso antevê catástrofes na China e na Austrália. (Passa lotado pelo Brasil.) Na conta de Diamond, se o países subdesenvolvidos reduzirem a distância que os separa das nações ricas, o progresso custará ao meio ambiente uma agressão 17 vezes superior à que sofre hoje. Do jeito que a coisa vai, não dá.

Um bom momento do livro, sobretudo para os brasileiros, está no paralelo entre o Haiti e a República Dominicana. Dividem a mesma ilha. O Haiti já foi a colônia mais rica da América. Foram governados por ditadores (Papa Doc e Rafael Trujillo) e tinham tudo para serem parecidos. Um vai relativamente bem e o outro vai absolutamente mal. Segundo Diamond, isso aconteceu por conta do desmatamento do Haiti (99% do território) e pelo reflorestamento da República Dominicana, que tem 32% do território protegido e 28% de suas terras ocupadas por florestas em 74 parques.

Para horror da esquerda sessentona, Diamond mostra que Trujillo foi um bom administrador do meio ambiente. Mais: o presidente Joaquin Balaguer (1906-2002), repulsivo personagem da Festa do bode, de Mario Vargas Llosa, foi um protetor das florestas. Usou a força armada para expulsar da mata posseiros (muitos) e milionários (poucos). Em termos relativos, a ajuda americana ao Haiti foi sete vezes maior que à Dominicana. Para nada.

Em todos os casos de colapso, os sábios do pedaço achavam que os sinais enviados pela natureza eram coisa passageira.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados