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Ópera Bufa

ÓPERA BUFA

Ordinary people

Fernando Costa
01 Jul 2006 - 01h29min

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100: é o numero dessa Ópera Bufa, que entra de férias por um mês para que o bufante colunista possa se tornar cientista social.


O nome dele é Pekar, Harvey Pekar, um sujeito absolutamente comum, um desses caras que você cruza centenas de vezes com ele numa calçada, na porta do elevador, num supermercado e não dá nada por ele, nem um tostão furado, nenhum abraço.

Mas como todo indivíduo, na vida privada ele é um universo em movimento.
Sua capacidade de perceber a complexidade da vida cotidiana, os emaranhados estruturantes das situações cotidianas, o que tem de complexo nos incidentes mais banais faz dele um cara nada ordinário. As confluências impostas pelos movimentos do dia-a-dia colocaram-no em contato com outra pessoa ordinária chamada Robert Crumb, talvez, quem sabe, um dos mais geniais roteiristas e desenhistas de histórias em quadrinhos do mundo. Responsável por anti-heróis, entre outros, como o Gato Félix e Mr. Natural.

Pekar assim como Crumb se conheceram na cidade de Cleveland e a paixão por discos antigos de jazz de 78 RPM (favor não confundir com aquela bandinha dos anos 80) aproximou os dois.

Pekar trabalha como arquivista num hospital, observando os seus colegas de trabalho, todos desventurados como ele, e sua vida pessoal resolveu escrever roteiros para quadrinhos. Crumb leu, gostou do que leu e ilustrou muitas dessas histórias para uma revista que se chamava American Splendor. A revista se transformou num sucesso e Pekar numa celebridade sem nunca deixar de ser a pessoa ordinária que sempre foi.

Há algum tempo a vida de Harvey Pekar se transformou num filme chamado Anti-herói americano (tem para alugar na Distrivídeo) e agora acaba de ser lançada uma graphic novel com as histórias de Pekar ilustrada por Robert Crumb (à venda na Revista&Cia da Pontes Vieira).

Leia a revista e veja o filme, não necessariamente nessa ordem, e descubra como pode-se encontrar tudo, ou nada, nessas pessoas maravilhosas que todos os dias passam despercebidas pela vida que a gente divide com o restante da humanidade.


Como disse o morcego: o amor é cego.
Antonio Valdo Aderaldo Benevides Junior, num show do Budega.

Jazz

Gravado em dois dias, 23 de julho de 1951 e 30 de maio de 1952, Genius of modern music Vol. 2, Thelonious Monk é uma viagem musical pelo mundo de arranjos complicados, solos insinuantes de um monge que tinha de tudo um pouco, menos a santidade. Para ouvir chupando cana, ou bebendo se você assim o preferir.


Em algum lugar
Estas costas desnudas, essa loura platinada deixaram o Presidente Kennedy à beira de um ataque de nervos. Marilyn Monroe cantou parabéns pra você Mister Presidente e por um instante ou três o mundo não correu risco de uma guerra nuclear no tempo em que a guerra era fria e a loura quente.

Existe uma fenda em tudo. É assim que luz penetra.
Leonard Cohen


Via aérea

BRASILEIROS FUTEBOL CLUBE

Um livro de fotografia sobre a paixão pelo futebol.
Fotos de Ed Viggiani e texto de apresentação de Luis Fernando Veríssimo.
Ed morou nessa Fortaleza bela, foi fotógrafo de O POVO, trabalhou com Seu Chico Albuquerque, morou na Casa da Rufino de Alencar, foi simbora Ceará e faz carreira brilhante na fotografia brasileira.
A edição é da Tempo D’Imagem.

Você precisa
Você precisa dar dois passos à frente e outro atrás.
Você precisa sair por aí sem destino.
Você precisa acender a luz e apagar o cigarro.
Você precisa não querer a vida desse jeito.
Você precisa abrir um sorriso no meu peito.
Você precisa não ser ranzinza.
Você precisa bater as asas.
Você precisa comer uma galinha cabidela.
Porque tudo mais é por demais impreciso.

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