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Na crise

Reorganização financeira gera arrecadação recorde

Mesmo durante o período de recessão econômica foi possível chegar a uma arrecadação própria recorde de R$ 5,48 bilhões, um aumento de 9,50%. O crescimento foi devido a uma reorganização financeira e eficiência na arrecadação. Durante a quarta e última parte do Observatório Fiscal entenderemos os mecanismos utilizados para esse fim


06 Fev 2010 - 19h19min

A recessão econômica mundial trouxe efeitos devastadores para vários países do mundo. No Brasil, houve uma redução significativa nas exportações e foi preciso reduzir ou isentar alguns tributos de determinados produtos como o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para que o mercado interno começasse a se aquecer e pudesse compensar as perdas externas. Muitos estados também amargaram reduções em seus níveis de arrecadação e a dívida pública ficou descontrolada.

Mas o Ceará, como muitos já devem ter ouvido, visto ou lido na imprensa local e em outros cadernos do Observatório Fiscal, angariou no período uma arrecadação própria recorde de R$ 5,48 bilhões (relativa a ICMS, IPVA, ITCD, além de multas autônomas, taxas e outras receitas), um crescimento de 9,5% em relação a 2008 (R$ 5,008 bilhões), ano em que a crise financeira ainda não passava de especulações. A recessão, é bom lembrar, só mostrou seus efeitos no último quadrimestre de 2008.

Na análise mês a mês, o ano passado não deixou a desejar em nenhum deles na comparação com 2008. Em janeiro, a diferença de receita contabilizou R$ 45 milhões (passando de R$ 384 milhões para R$ 429 milhões). Em fevereiro, os valores se aproximaram (R$ 368 milhões a R$ 373 milhões) e em março mais uma vez as distâncias foram se tornando maiores (passando de R$ 342 milhões para R$ 376 milhões). Nos últimos meses do ano, as diferenças entre os montantes foram de R$ 56 milhões em novembro (R$ 426 milhões e R$ 482 milhões) e R$ 129 milhões em dezembro (R$ 405 milhões e R$ 534 milhões).

Como foi possível chegar a esse crescimento? ``Fruto de uma reorganização financeira e de uma política de desoneração para aumentar o número de contribuintes e aumentar a arrecadação``, ressaltou o titular da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz), Mauro Filho.

O secretário explicou que foi realizado um estudo técnico para otimizar alíquotas entre os setores. O resultado foi favorável ao contribuinte, já que vários produtos obtiveram desoneração e reduziram carga tributária. ``Quando você dá uma alíquota de equilíbrio, a carga fica mais competitiva e aumenta a arrecadação``, pontuou. Mauro Filho disse ainda que com os valores mais baixos, os contribuintes acabam preferindo pagar seus impostos em dia a enfrentar batalhas judiciais que podem sair mais caro do que arcar com as obrigações fiscais.

Além dos incentivos para o pagamento espontâneo dos tributos, a Sefaz investiu também em uma eficiência na fiscalização para aumentar as receitas. Nos postos fiscais de fronteiras, por exemplo, foram incrementados os aparatos tecnológicos e os funcionários foram capacitados para identificar qualquer irregularidade. O titular da Sefaz explicou que sabendo a quantidade e os valores dos produtos que entram no Estado fica muito mais fácil e eficiente a fiscalização do pagamento desses tributos.

Outra estratégia utilizada foi o cruzamento de informações entre as declarações d0e recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviço de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) fornecidas pelas empresas cearenses e o valor computado pelas operadoras de cartões de crédito que atendem às redes.

A eficiência na arrecadação do Imposto, que está embutido na aquisição de qualquer produto ou serviço, também foi possível graças ao programa Sua Nota Vale Dinheiro a partir do qual os contribuintes passaram a exigir a nota ou o cupom fiscal para receberem uma gratificação e acabaram forçando as empresas a garantir o recolhimento do ICMS.

Outra política utilizada foi a substituição tributária a partir da qual é possível evitar a sonegação. Por meio do regime, a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS devido em relação às operações ou prestações de serviços é atribuída a outro contribuinte.

O apoio da Procuradoria Geral do Estado (PGE) também foi fundamental, já que a Procuradoria se comprometeu a analisar com maior rigor a viabilidade e a veracidade dos pedidos de revisão tarifária ou de isenção de impostos. ``Conseguimos o apoio para que várias liminares pudessem ser cassadas pelo Tribunal de Justiça``, completou o secretário.


Refis

> O Programa de Refinanciamento de Dívidas (Refis) anunciado em setembro do ano passado pelo governador Cid Gomes e pelo secretário Mauro Filho, consiste em um regime opcional de parcelamento de débitos fiscais proposto às pessoas físicas e às pessoas jurídicas. As dívidas refinanciadas constavam de débitos desde 1994 de ICMS, Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD).

> Aderiram ao programa 8.421 contribuintes. Foi negociado o pagamento de R$ 345,9 milhões, dos quais R$ 75,4 milhões já foram recebidos pelo governo. O valor que ainda falta receber chega a R$ 270,5 milhões. A média de arrecadação de Refis anteriores era de R$ 70 milhões.

> A maioria dos contribuintes (3.484) optou pelo pagamento à vista. O parcelamento em até 45 meses recebeu a segunda maior adesão (1.980), seguido pelos que optaram pelo pagamento em até três parcelas (1.690) e os que terão até 15 meses para pagar (1.262).

> O resultado do Refis foi importante também para a recuperação de parte da dívida do antigo BEC. Pelo programa foram recuperados R$ 27,5 milhões, dos quais R$ 2,1 milhões foram pagos à vista e os R$ 25,5 milhões restantes em até 45 meses. A dívida total do BEC chega a R$ 500 milhões.

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07/02/2010
09:31

Esperemos que com essa arrecadação recorde, o governo saiba repartir o bolo e melhorar a vida do cearense!!! Tudo deve começar pela atecipação do reajuste dos salários dos servidores, mal tratados há muito tempo pelos governos!!! Senhor Governador, será que não dá para conceder um reajuste melhor aos servidores públicos estaduais??? pois todos os anos tem aquela medicancia, e o sr. concede miseros 6 %!!! Isso é uma vergonha, servidor também vota!!!! Esse é ano de eleiçaõ!!! Cadê o sr. não vai atender a solicitação dos servidores do Detran que vivem com seus salários defasados??? Quem perde é a população, pois não terá uma boa prestação de serviço!!! Tem gente querendo tirar a primeira CNH mais tá dificil por causa das greves.

Roger

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