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Atiradores querem ser vistos como atletas

Mesmo entre os principais estados na prática de tiro esportivo no Brasil, o Ceará ainda não conseguiu despertar mais o interesse para o esporte. As Olimpíadas 2016 podem ser a solução para a popularização

Roberto Leite
robertoleite@opovo.com.br

08 Fev 2010 - 02h40min

No Ceará e restante do Brasil, a prática do tiro ao alvo é vista com restrições. O esporte é quase sempre associado à violência. A falta de informação confunde a população (Foto: IGOR DE MELO)
``Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, são a nossa chance de mostrar mais o esporte. Se perdermos essa oportunidade, vai ficar complicado.`` A afirmativa do diretor técnico da Federação Cearense de Tiro Esportivo, Evaldo Carvalho, mostra bem o panorama do esporte no Ceará.

Segundo ele, o tiro esportivo ainda pode ser mais divulgado do que é. E olha que a quantidade de associados, hoje em dia, é considerada bem alta, se for feita uma comparação com o restante do Brasil. ``Temos 500 competidores oficialmente federados e aptos a participar de competições.``

Contudo, um dos grandes problemas ainda vistos no esporte é a falta de atletas que se dediquem de forma profissional. ``Não existe o profissional de tiro esportivo aqui no Estado. As pessoas sempre trabalham em outros setores e não dedicam tanto tempo aos treinamentos``, analisa a atiradora cearense, Daniele Carvalho.

Os Jogos de 2016 podem ser a chance de o esporte aparecer mais no noticiário e atrair a atenção de novos praticantes, inclusive no Ceará. Neste fim de semana, Fortaleza sediou a segunda etapa do Campeonato Cearense de Tiro Esportivo, que valeu também para determinar o ranking brasileiro.

Daniele Carvalho, por exemplo, faz parte de um grupo diminuto que pode se dedicar mais tempo ao esporte. ``Ela e o Dany (Ricardo - também atirador) são os únicos que praticamente só fazem isso (praticar o tiro``, confirma Evaldo Carvalho.

Daniele está em 4º lugar no ranking brasileiro de Pistola 25m e recebe Bolsa Atleta Internacional. Desde 2000, integra a seleção brasileira de tiro esportivo. A primeira vez que ficará de fora de uma delegação do País, será no Sul-Americano de Medelín (Colômbia) - será este ano. Dany Ricardo está entre os primeiros na Pistola 50m.

``Comecei com o curso de tiro e vi que a prática pode mostrar novos caminhos dentro do esporte``, explica o atirador Dany Ricardo. No começo, ele praticava todas as categorias ate se especializar em Pistola de Ar e 50 metros.

Tradição familiar
Um dos problemas que fazem com que o Ceará ainda não tenha despontado mais nacionalmente no esporte é o perfil de quem pratica tiro esportivo. ``Quem procurava o esporte eram os filhos de atiradores. Só agora outras pessoas estão se interessando.``

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