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Fortaleza

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PREVENÇÃO NA CAPITAL

Dengue: 82.274 imóveis não vistoriados

Os agentes sanitaristas do Município têm dificuldade de fazer o combate ao Aedes aegypti, transmissor da dengue nos imóveis de Fortaleza. De fevereiro a abril deste ano, 10,22% dos prédios deixaram de ser visitados, por estarem fechados ou porque os proprietários não permitiram a entrada dos técnicos


24 Mai 2003 - 03h25min


O medo e imóveis fechados estão prejudicando o combate à dengue em Fortaleza. De fevereiro a abril último, em pelo menos 10,22% dos prédios da cidade - casas, condomínios, fábricas e oficinas - os agentes da Vigilância Sanitária do Município não conseguiram fazer o trabalho de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti. Os agentes não cumpriram a meta de visitar todos os 804.987 imóveis previstos. No período foram inspecionados 722.713 locais, mas em 82.274 deixou de ser realizada a prevenção. Do total de não visitados, 79.484 estavam fechados e em 2.790 os moradores não permitiram a entrada dos agentes sanitaristas. Os dados são da chefe da Vigilância Epidemiológica do Município, Edna Lacerda.

A situação preocupa porque pesquisa do levantamento do Índice de Infestação Predial (IIP) do mosquito transmissor da dengue, realizado pela Secretaria da Saúde do Estado, de fevereiro a abril passado, revela que 77 dos 184 (41,8%) municípios cearenses registram infestação acima de três por cento. O estudo mostra ainda que em 32 (17,4%) cidades, o índice é de 1,01 a 3%, e em 38 (20,7%) é de 0,1 a 1% ou com baixo risco.

Bairros de duas Secretarias Executivas Regionais ultrapassaram a média de 10% de domicílios não visitados. Edna Lacerda informou que na SER VI (Aerolândia, Alagadiço Novo, Alto da Balança, Ancuri, Barroso, Cajazeiras, Cambeba, Castelão, Cidade dos Funcionários, Coaçu, Curió, Dendê, Dias Macêdo, Edson Queiroz, Guajerú, Jangurussu, Jardim das Oliveiras, Lagoa Redonda, Mata Galinha, Messejana, Passaré, Paupina, Pedras, Parque Dois Irmãos, Parque Iracema, Parque Manibura, Sabiaguaba e Sapiranga Coité) o índice chegou a 14%. Na SER II (Aldeota, Cais do Porto, Centro, Cidade 2000, Cocó, Dionísio torres, Dunas, Guararapes, Joaquim Távora, Luciano Cavalcante, Meireles, Mucuripe, Praia de Iracema, Papicu, Praia do Futuro, São João do Tauape, Salinas, Varjota e Vicente Pinzon) foi de 12%.

Para reduzir o índice de tendência (imóveis não visitados), a Secretaria Municipal da Saúde orientou os agentes sanitaristas para trabalharem em conjunto com os técnicos do Departamento de Meio Ambiente. Nos imóveis fechados e que causem problemas de saúde à população, os funcionários do Meio Ambiente autuam os seus proprietários e em, seguida, solicitam a interdição do local.


Antes de qualquer medida repressiva, a Vigilância Sanitária do Município vem mantendo contato com as imobiliárias, para que agilizem a abertura do prédio e permitam que os agentes façam o combate à doença. Edna Lacerda alerta que os 1.385 agentes retornam várias vezes às casas fechadas. ''Uma equipe sempre retorna ao local para tentar fazer o combate'', observa.

O secretário municipal da Saúde, Galeno Taumaturgo, garante que estão sendo intensificadas as ações de combate ao mosquito. Ele assegurou que já foi iniciado o segundo ciclo do trabalho pelos agentes sanitaristas e que as visitas estão ocorrendo simultaneamente em todos os bairros da cidade. Lembrou que o fim das chuvas provoca um aumento na proliferação do Aedes aegypti, mas também facilita o trabalho dos agentes.

O pesquisador Clodomir Rocha, 38, já contraiu a dengue duas vezes. Ele aponta a fábrica desativada como responsável pela proliferação do Aedes aegypti. Morando em frente a Irmãos Carneiro, o rapaz denunciou o fato às secretarias da Saúde do Estado e do Município, à Secretaria Regional IV e à Vigilância Sanitária de Fortaleza. Em todos os contatos, ele pede uma solução definitiva para a situação. ''Nós não podemos continuar convivendo com esse problema'', diz, alertando que muitos moradores da vizinhança já tiveram dengue. ''O raio de atuação do mosquito é de 400 metros'', avisa, com base em informações que já aprendeu sobre seu ''inimigo''.

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