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Fortaleza

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FORTALEZA DEBAIXO D'ÁGUA

Águas de junho

A Funceme registrou, da zero hora às nove da manhã, 54,8 milímetros de chuva em Fortaleza. O sistema atmosférico denominado Ondas de Leste foi o responsável pela forte precipitação, segundo a Funceme. Os transtornos na cidade foram muitos. Treze pontos de alagamento atrapalharam o trânsito na cidade

Humberto Ilo e Suzete Nocrato
da Redação

05 Jun 2003 - 01h39min

(Foto: Mauri Melo)
Manhã de transtornos em Fortaleza. Engarrafamentos, carros quebrados interrompendo o tráfego e pedestres correndo à procura de abrigos de proteção. Muitos preferira nem sair de casa. Problemas causados pela chuva torrencial que caiu ontem sobre a cidade. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou, de zero hora às nove da manhã, 54,8 milímetros de chuvas.

Apesar da pancada de chuvas, a Defesa Civil do Estado não registrou, pela manhã, transtornos nas áreas de risco. A garantia é da gerente de Operação Fortaleza, Tereza Angélica Pinheiro, ressaltando que o órgão registrou sete ocorrências, mas todas referentes a alagamentos de ruas no Benfica, Centro e Aldeota. A técnica afirmou ainda que as áreas de risco não sofreram com a precipitação porque os rios que cortam Fortaleza voltaram logo ao leito normal e ontem não transbordaram. Ela não citou a situação do riacho Maceió, que subiu muito e alagou algumas casas. À tarde, o rio também baixou e os transtornos foram amenizados.

Durante boa parte da manhã, os pousos e decolagens de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins foram feitos por instrumentos, por causa da pouca visibilidade. Mas, a partir do meio-dia, os controladores de vôos voltaram a operar visualmente, segundo a assessoria de imprensa da Infraero. Apesar da forte chuva, o Pinto Martins funcionou normalmente e não houve atraso dos vôos. No Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé, o movimento também foi tranqüilo. Segundo a administração os ônibus chegaram e saíram normalmente. Não houve atrasos no atendimento.

A chuva começou por volta da zero hora e só terminou no início da tarde, deixando vários locais da cidade alagados. A Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC) detectou treze pontos de alagamento na Capital. O POVO passou por algumas vias alagadas na Aldeota, onde o tráfego deveria ter sido intenso.

Um alagamento que se espalhava por um raio de um a dois quarteirões tinha como ponto central o cruzamento da avenida Barão de Studart com a rua Torres Câmara. Uma loja de colchões, aberta havia mais de duas horas, não tinha recebido nenhum cliente. Segundo a vendedora Cássia Prates, se a avenida não estivesse alagada - ''o que sempre acontece quando chove mais forte'' -, ela teria recebido cerca de cinco clientes. Não apenas quem foi de carro àquela zona da cidade sofreu. A calçada estava tomada pela água e os pedestres não passavam pelo local com facilidade. Cássia teve de dar uma volta no quarteirão para chegar ao trabalho. ''Mesmo assim atravessei a rua com água até o meio da canela'', diz a vendedora.

Não muito longe dali, a Av. Heráclito Graça estava alagada entre as ruas Barão de Aracati e João Cordeiro. Outra via que se transforma em ''rio'' com considerável correnteza é a rua Marcos Macedo, entre a avenida Desembargador Moreira e a rua Frei Mansueto. No cruzamento da Marcos Macedo com a avenida Senador Virgílio Távora, alguns carros tinham de passar rápido para não parar no meio da água. Quem não conseguia passar tinha de empurrar o carro.

No local, a vendedora Benedita da Silva tentava passar, mas temia cair em alguma boca-de-lobo. Ela afirma ter levado duas horas para ir de ônibus do Bom Jardim à Aldeota. ''O ônibus quase não andava devido à chuva''.

Em um posto a um quarteirão dali, as colegas Geórgia Holanda e Isabella Parente, estudantes de fisioterapia, não reclamavam da lentidão do trânsito. As duas estavam a caminho da faculdade onde estudam quando o carro parou de funcionar. Em frente a um posto de gasolina com oficina.

''Com a chuva, a parte eletrônica do carro se molha e fica sem poder dar a partida'', explica o mecânico Valdecy dos Santos, que secava alguns componentes do automóvel em que estavam as estudantes. Valdecy afirma que em dias de chuva, muitos carros param por esse problema. ''Também tem muitos casos de pneus furados, porque com a água nas ruas os motoristas não vêem por onde estão andando''.

A professora de educação física Jorina Batista estava na oficina para trocar o óleo do carro, mas a chuva também havia de alguma forma alterado sua rotina. Na manhã de ontem, Jorina daria aula no Centro Comunitário Presidente Médici, no Bairro de Fátima, mas nenhum aluno apareceu. Ela aponta a chuva como motivo da ausência dos alunos.

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