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ATERRAMENTO

Alunos protestam contra entulhos à beira do rio Cocó

Estudantes da escola estadual Paulo Airton Araújo, no bairro Cajazeiras, denunciam que entulhos da construção civil estão aterrando parte da margem do rio Cocó


06 Abr 2004 - 03h06min

Estudantes alertam sobre lixo despejado constantemente no local (Foto: André Goldman)
Uma muralha de entulhos cresce a cada dia. Já engoliu lagoas e aterrou parte da margem do rio Cocó. O vai-e-vem de caminhões é constante. Entram e despejam lixo, pedaços imensos de concretos e tijolos. A montanha está se formando no bairro Cajazeiras, por trás da Escola de Ensino Fundamental e Médio Paulo Airton Araújo. O terreno é particular e costuma receber o lixo dos caminhões em plena luz do dia. A degradação chamou atenção dos estudantes da escola que, assistindo ao aterramento do rio diariamente, resolveram denunciar criando o projeto ''Rio Cocó, uma vida que corre''. Ontem o dia foi de protesto em cima dos entulhos do terreno.

''Moro aqui há 14 anos e depois que começaram a aterrar, os alagamentos foram piorando. Há cerca de quatro anos não ocorriam alagamentos. Não há dúvida de que a culpa é do aterramento'', disse a estudante Daniele Oliveira, 19, que faz parte do projeto. Entre os objetivos do programa está a conscientização da população sobre a degradação do local. Inclusive já estão divulgando o problema do aterro em um site na internet.

Os entulhos aumentam a cada dia. ''Esse lixo da construção civil está vindo pra cá e não conseguimos saber quem é o responsável'', disse Karine Pinheiro, professora de informática. Realmente é difícil descobrir quem é o dono do local. No único galpão no terreno, um rapaz que não quis se identificar informou que só conhecia o proprietário pelo nome de Nilson. ''Ele vem raramente aqui. Não sabe o que está acontecendo. Tem uns cinco meses que o pessoal vem nos caminhões e bota lixo aqui'', disse o rapaz.

O rapaz informou que não tinha o telefone de contato do dono do local. A coordenadora pedagógica da escola, Nilurdes Vieira, disse que está sendo realizado um abaixo-assinado para ser entregue à Secretaria do Meio Ambiente Municipal (Semam). ''Será entregue na próxima semana'', afirmou. As denúncias de despejo de entulho também foram confirmadas pelos moradores da área. ''A rampa está aumentando cada vez mais e avança para o rio. É muito importante o apoio que estamos recebendo dessa escola. Por causa do aterro o alagamento chegou a um metro dentro das casas'', disse Eliete Alves de Souza, moradora.

A gerente da Célula de Controle Ambiental da Semam, Laísa Maria Gondim, informou que hoje uma equipe irá ao local para constatar a denúncia. Segundo ela, para um proprietário mexer na área do terreno tem que entrar com um pedido de licenciamento. ''Quem transportou, quem entregou e quem recebeu é co-responsável'', explicou. Segundo ela, dependendo do diagnóstico no local, o proprietário poderá ser autuado e até multado. As multas ambientais variam de R$ 50,00 a R$ 50 mil.

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