Fortaleza
HOMICÍDIO EM SOBRAL
Tumulto na prisão do juiz
O juiz Pedro Percy Barbosa já está preso. Depois de ter a prisão preventiva decretada pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Fernando Ximenes, o juiz foi convencido a se entregar
Flávio Pinto
da Redação
02 Mar 2005 - 02h04min
A chegada do juiz Percy Barbosa ao quartel do Corpo de Bombeiros foi tumultuada. Dezenas de estudantes secundaristas e moradores próximos ao quartel se aglomeravam desde o final da tarde em frente ao Bombeiros. No momento da chegada da ''comitiva'' formada por três veículos, cerca de 60 pessoas tentaram invadir o quartel e passaram a gritar do portão de acesso a garagem por ''assassino'' e ''covarde''. Foi preciso intervenção da PM para controlar a revolta dos moradores e estudantes.
Morador do bairro Jacarecanga há 25 anos, o comerciário Luiz Almeida Freitas, 58, era um dos mais revoltados. ''Se Justiça for feita, esse juiz servirá de exemplo para o País. Foi um crime hediondo. Pelas imagens do circuito interno se percebe que o rapaz foi rendido covardemente e executado sem chance de defesa'', desabafou.
No quartel do Corpo de Bombeiros, o mandado de prisão foi recebido pelo major Sérgio Gomes, assessor de comunicação social da corporação. Em seguida, Percy Barbosa foi encaminhado para uma cela de quatro metros quadrados com duas camas e um banheiro. No xadrez, o juiz terá a companhia do turista português Sérgio Barata, preso há sete meses por tráfico de drogas e estelionato e que espera por conclusão do processo de extradição para Portugal.
De acordo com o major Sérgio Gomes, o quarto não tem ventilador nem aparelho de tv. ''Essas serão regalias que ele terá que conquistá-las na Justiça. Até que haja algumas definição superior, o juiz ficará trancado no xadrez e não deixará a cela nem para almoçar'', explicou o assessor de comunicação dos Bombeiros.
Entre dezenas de curiosos que presenciaram a prisão de Percy Barbosa, alguns segundo ouviu O POVO, não acreditam que o magistrado permanecerá muito tempo atrás das grades. ''Ele (juiz) ficará apenas uns 30 dias. Tempo suficiente para a conclusão do inquérito na Justiça. Depois, os advogados irão entrar com pedido de habeas-corpus. Mesmo que seja condenado, o juiz irá recorrer. Haverá um jogo de empurra-empurra do processo até que haja julgamento. O magistrado terá tempo para se aposentar. Mais uma vez só quem perde é quem morreu'', afirmou a servidora pública Maria Aparecida Soares, 49.
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