Fortaleza
FAMÍLIA
Separação conjugal: convivência amigável beneficia pais e filhos
Ao invés de ser fonte de conflito, a separação de um casal pode tornar a convivência entre pais e filhos mais saudável. Para psicóloga, a guarda compartilhada aparece como alternativa para garantir o convívio com pai e mãe
14 Mai 2005 - 16h57min
‘‘Seria uma tentativa do casal de conviver bem. Isso vai depender de como os pais colocam a criança nessa nova situação’’, analisa Karynne. Assim, pais separados podem ser mais saudáveis do que em uma relação desgastada e ruim para ambos. A psicóloga avalia que a insegurança de um filho por presenciar constantes situações de conflito ou infelicidade na família é que pode ser prejudicial. A separação seria a oportunidade da criança conviver em um ambiente mais favorável a ela.
Mas para que esse processo seja bem sucedido, Karynne considera fundamental garantir a presença do pai e da mãe, mesmo de forma separada. ‘‘Às vezes, eles podem estar em casa, mas não estar presentes’’, ressalva. As crianças devem ser informadas sobre o que significa essa separação, evitando que fantasiem, dependendo da idade, sobre os possíveis motivos da mudança. As brigas devem ser evitadas, mas deve ser sinalizado que a relação passa por dificuldades.
‘‘Há uma dissolução da união, mas não do vínculo parental. É importante o filho perceber isso’’, defende a psicóloga Verônica Salgueiro, professora de psicologia jurídica da Universidade de Fortaleza (Unifor). De acordo com ela, é preciso trabalhar com a criança a diferença entre a função de marido e mulher da função de pai e mãe.
Os possíveis transtornos vão depender da forma como os pais lidam com a separação. ‘‘Às vezes, uma das partes coloca questões que não são referentes ao filho, mas ao cônjuge. A criança não pode ficar no meio dessa disputa’’, destaca Karynne. Verônica acrescenta: ‘‘Algo muito prejudicial é um genitor difamar a imagem do outro para o filho’’.
Prejuízos para todos quando o filho é obrigado a escolher de quem ele gosta mais. Mas quando o vínculo com os dois é mantido, os filhos sentem-se seguros e amados. E mesmo na separação, é preciso que os pais mantenham a possibilidade de diálogo sobre a educação das crianças e adolescentes.
Karynne observa que por mais que esse processo seja conduzido de forma consensual e tranqüila, são inevitáveis as alterações no cotidiano. ‘‘Se para os pais está acontecendo uma mudança, que eles precisam se adaptar, para a criança também. A criança apresenta diferenças porque está em uma situação diferente’’, ressalva. Mesmo se os filhos apresentem novos comportamentos, ela considera que é possível restabelecer uma rotina normal por meio do diálogo.
Nessa busca por mecanismos que garantam à criança o convívio com o pai e a mãe, a guarda compartilhada é uma alternativa que ganha cada vez mais espaço. O filho passa a ter duas casas e os dois genitores dividem deveres e responsabilidades igualmente. Em alguns acordos, a criança pode passar uma semana com o pai, outra com a mãe.
De acordo com Karynne, pai e mãe devem estar atentos para que o ambiente de ambas as casas seja reconhecido pela criança como dela. A orientação é montem um quarto para o filho em cada casa. Manter esse espaço com objetos pessoais, como roupas e brinquedos, é uma forma da criança ou adolescente ter intimidade com o local. A criança também precisa cumprir a mesma rotina nas duas casas. ‘‘Não é como se estivesse de férias, onde em uma casa vai se divertir e em outra cumprir obrigações’’. (Débora Dias)
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