Fortaleza
CIDADANIA
As barreiras da universidade para portadores de deficiência
Falta de rampas, banheiros apropriados e impressoras em braile são algumas das barreiras dentro das universidades
Cidicley Miranda
Da Redação
30 Mai 2005 - 01h22min
Nos quase 30 anos dedicados à licenciatura dentro da Universidade Federal do Ceará (UFC), a professora licenciada de Química Orgânica, Célia Regina Bastos, nunca teve o direito a uma rampa, banheiro ou estacionamento adequados para ter as condições necessárias de desempenhar o ofício. Como sofre de osteogênesis imperfecta - síndrome hereditária conhecida popularmente como ossos de vidro -, ela diz que sofreu muito até o momento de se aposentar e recorrer à cadeira de rodas. ''Tive de subir longas escadas, com dores fortes nas pernas para chegar ao meu gabinete''.
Com apenas 1,08 metro de altura, ela sempre necessitou de ajuda dos alunos e demais professores para se deslocar dentro do Departamento de Química. Por causa da doença, os ossos são muito frágeis, e qualquer queda causaria conseqüências desagradáveis, fraturas de difícil recuperação.
No começo, ela diz que ainda conseguia se sustentar com muletas, mas, com o avanço da idade, os ossos foram ficando mais fracos e ela teve de usar cadeiras de rodas. O que aumentou mais as dificuldades para continuar ensinando. ''Tive até de pagar uma pessoa para não deixar ninguém fechar a minha vaga no estacionamento. Quando isso acontecia, dava vontade de chorar, porque ficava impedida de sair do carro''.
Pessoas com necessidades especiais sempre tiveram acesso limitado dentro das universidades brasileiras. Algumas ações já começaram a ser feitas no sentido de minimizar as barreiras existentes, principalmente as estruturais, como construção de rampas, instalação de elevadores e banheiros apropriados. Intervenções básicas que, para muitos, fazem grande diferença.
Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a liberação de R$ 1 milhão para as universidades federais se adaptarem e passarem a receber mais estudantes, que, na conjuntura atual, têm poucas possibilidades de ingressar no ensino superior. No entanto, muito ainda precisa se feito.
No Brasil, dos 3,9 milhões de alunos no ensino superior, apenas pouco mais de cinco mil são portadores de algum tipo de deficiência. Na UFC, ainda não existe um mapeamento completo sobre quantos estudam nestas condições. Mas segundo dados da Comissão Coordenadora do Vestibular (CCV), no vestibular deste ano, 923 pessoas se declararam portadoras de necessidades especiais e se inscreveram para o exame. Destas, somente 89 conseguiram êxito. A maioria, com algum grau de deficiência visual, num total de 73.
Estudantes que possivelmente estão encontrando as mesmas barreiras enfrentadas pela professora Célia Bastos. ''Eles vão ter de se preparar para um luta desgastante'', afirma ela. Isso porque, segundo a professora, o problema não passa somente pela falta de verba. Célia diz que os recursos sempre existiram, mas nunca foram aplicados em benefício dos portadores de deficiência.
Na opinião da professora, a medida parece ''oportunista'' e aconteceu por pressão dos cursos sob o risco de serem descredenciados, pois entre os novos critérios de avaliação do MEC está a obrigação da acessibilidade. ''Não sou sonhadora. Tenho os pés no chão. Esse assunto nunca teve caráter emergencial na UFC, como na maioria das universidades brasileiras. O direito de acesso sempre existiu. Agora nunca colocaram em prática por pura falta de vontade'', desabafa.
Com apenas 1,08 metro de altura, ela sempre necessitou de ajuda dos alunos e demais professores para se deslocar dentro do Departamento de Química. Por causa da doença, os ossos são muito frágeis, e qualquer queda causaria conseqüências desagradáveis, fraturas de difícil recuperação.
No começo, ela diz que ainda conseguia se sustentar com muletas, mas, com o avanço da idade, os ossos foram ficando mais fracos e ela teve de usar cadeiras de rodas. O que aumentou mais as dificuldades para continuar ensinando. ''Tive até de pagar uma pessoa para não deixar ninguém fechar a minha vaga no estacionamento. Quando isso acontecia, dava vontade de chorar, porque ficava impedida de sair do carro''.
Pessoas com necessidades especiais sempre tiveram acesso limitado dentro das universidades brasileiras. Algumas ações já começaram a ser feitas no sentido de minimizar as barreiras existentes, principalmente as estruturais, como construção de rampas, instalação de elevadores e banheiros apropriados. Intervenções básicas que, para muitos, fazem grande diferença.
Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a liberação de R$ 1 milhão para as universidades federais se adaptarem e passarem a receber mais estudantes, que, na conjuntura atual, têm poucas possibilidades de ingressar no ensino superior. No entanto, muito ainda precisa se feito.
No Brasil, dos 3,9 milhões de alunos no ensino superior, apenas pouco mais de cinco mil são portadores de algum tipo de deficiência. Na UFC, ainda não existe um mapeamento completo sobre quantos estudam nestas condições. Mas segundo dados da Comissão Coordenadora do Vestibular (CCV), no vestibular deste ano, 923 pessoas se declararam portadoras de necessidades especiais e se inscreveram para o exame. Destas, somente 89 conseguiram êxito. A maioria, com algum grau de deficiência visual, num total de 73.
Estudantes que possivelmente estão encontrando as mesmas barreiras enfrentadas pela professora Célia Bastos. ''Eles vão ter de se preparar para um luta desgastante'', afirma ela. Isso porque, segundo a professora, o problema não passa somente pela falta de verba. Célia diz que os recursos sempre existiram, mas nunca foram aplicados em benefício dos portadores de deficiência.
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