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PARANGABA

Lazer pode ser na feira

Feira livre é sinônimo de preço baixo. Freqüentadores e feirantes discordam de outra característica comumente atribuída às feiras livres: má qualidade

Humberto Ilo
da Redação

13 Jun 2005 - 01h19min

FEIRA DA PARANGABA oferece produtos mais em conta, qualidade, serviços e pode ser programa de domingo (Foto: Chico Gadelha)
Uma conversa com feirantes e freqüentadores da feira da Parangaba, realizada aos domingos, revela que não é só o preço baixo o motivo da ida ao local. O preço baixo e a possibilidade de negociar e levar o que se quer por um valor ainda menor são a principal causa do interesse de ir à feira. Mas uma série de outras razões fazem milhares de pessoas reservarem a manhã e parte da tarde do dia de folga para dar uma volta na feira livre.

Apesar dos produtos ''mais em conta'', vários itens têm o mesmo preço dos vendidos em lojas comuns, e as vantagens da feira são outras. Quem trabalha de segunda-feira a sábado encontra na feira dominical a chance de fazer compras num dia em que as lojas de bairro estão fechadas. O mecânico Luiz Maciel comprou uma ferramenta pelo mesmo preço que, segundo ele, pagaria numa loja comum. ''A gente dá uma volta pela feira, toma uma cerveja, e se encontra algo que interesse, compra'', diz ele, que há mais de 20 anos freqüenta a feira, ''quase todo domingo''. Dono há oito anos de uma banca de ferramentas e equipamentos elétricos e mecânicos, Raimundo Neto Vieira diz que o preço é o diferencial, mas revela que cobra o mesmo na loja de que é proprietário. ''É tão barato lá (na loja) como aqui (na feira). Mas o domingo é o dia da feira''. ''Tem gente que vem relaxar, pro bar, comer, ver os pássaros, e se precisar consertar ou comprar um relógio, estou aqui'', diz Valdecir Lemes.

Se a feira é o programa do domingo, várias pessoas vão sem objetivo certo ao local. Chegando lá é que vão ver se precisam de algo. A estudante Adriana Teixeira passou em frente a uma das três bancas da feira onde se consertam celulares, lembrou do problema com a bateria de seu telefone e pediu um orçamento para o serviço. ''Nem tenho dinheiro aqui. Vou ter que ligar para minha mãe trazer'', disse. O dono da banca, Juarez Santana, há seis anos conserta celulares na feira, ''desde a época dos celulares tijolão. Ele fez cursos de conserto de celulares e dá garantia aos clientes. ''Já trabalhei em empresas do ramo e ainda faço serviço para elas, mas ganho mais na feira e em casa, durante a semana'', diz ele, acompanhado da mulher, Suyane da Silva, grávida de oito meses do primeiro filho do casal.

Preço baixo não significa necessariamente má qualidade. ''As peças são boas'', diz o costureiro José Marciano da Cunha, que costuma comprar suas roupas na feira desde que veio de Itapipoca, no Norte Cearense, há dois anos. ''Quase todo domingo venho à feira. Pesquiso os preços e observo bem os produtos antes de levar'', afirma. Segundo ele, as peças de vestuário custam na feira até metade do preço de produtos com a mesma qualidade, vendidos em lojas comuns. Quem tem banca na feira obviamente defende a qualidade dos produtos que vende. ''Pra vender tem que ter qualidade. Enquanto o preço em loja é um absurdo, aqui é bem mais barato. Mas o lucro também é menor'', diz Maria Lúcia Costa, feirante há mais de dez anos. ''O que vale é a qualidade. Nunca vieram reclamar defeito'', diz Rosana Teixeira, que também fabrica as peças da banca que leva às feiras da Parangaba, Bom Jardim, Canindezinho, Granja Portugal e Conjunto São Cristóvão, cada qual num dia da semana.

E quando se pensa que chegou a hora de ir embora da feira da Parangaba, tem quem se depare com uma necessidade, como um livro de pesquisas escolares de 800 páginas por R$ 10. Ou algo nem tão necessário, como um cachorro por R$ 20 ou uma revista erótica por R$ 2.

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