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MANIFESTAÇÃO

VI Parada Gay leva multidão para a avenida Beira Mar

A VI Para pela Diversidade Sexual do Ceará reuniu ontem cerca de 200 mil pessoas. Onze trios puxavam a multidão pela av. Beira Mar. A festa também ocupou o aterro da Praia de Iracema, com show da cantora Rosana

Sílvia Bessa
da Redação

27 Jun 2005 - 00h54min

PARADA PELA DIVERSIDADE SEXUAL  este ano na avenida Beira Mar mais que triplicou o número de participantes do ano passado que foi de 60 mil pessoas (Foto: Francisco Fontenele)
Cerca de duzentas mil pessoas participaram ontem da VI Parada pela Diversidade Sexual do Ceará (Parada Gay). A estimativa é da organização do evento. Hoje, a Polícia Militar deve divulgar o número oficial. ''É a maior manifestação política do nosso Estado e a terceira maior parada GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) do Brasil'', comemorava Orlaneudo Lima, presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab).

Difícil calcular a dimensão do evento ontem, mas o fato é que quando o primeiro dos onze trios elétricos cruzava a Barão de Studart, o último ainda não havia saído da concentração, em frente ao Náutico Atlético Cearense. Assim, boa parte da avenida ''virou boate'', usando a música do grupo Babado Novo, executada várias vezes na noite de ontem.

Thiago Fernandes Campos, 22, tirou do armário a roupa de carnaval. Participava pela terceira vez da parada de Fortaleza. ''É um especial. Maravilhoso! Hoje, podemos mostrar diante de todos o que somos. Brincar. Expressar nossa alegria. Mostrar nossa fantasia'', disse.

Eram muitas, as fantasias. Mulher Maravilha, Batman, Robin, índio, Jason, Meninas Superpoderosas. O microempresário de 25 anos transformou-se em Scarlet O'hara. Era a primeira vez que participava da manifestação. ''Eu tinha um namorado ciumento'', revela. Prefere não dizer o nome, a pesada maquiagem, a peruca colorida e a pouca roupa o disfarçam. ''Estou aqui pela alegria e porque luto por espaço. Precisamos mostrar para a sociedade que o amor transcende o sexo, a posição social. O amor é sublime e tem que ser respeitado''.

A professora Adelaide Gonçalves se emocionou com o que viu do alto de um trio elétrico - uma multidão colorida. ''Ver a cidade ocupar a rua em nome da liberdade é demais! É a prova de que o amor, a alegria, o prazer podem quebrar todas as regras estabelecidas'', explicou.

Maria Amélia da Conceição de Oliveira, 61, não sabe o que significa a sigla GLBT. Mas saiu da Vila Pery, jarro de flores na cabeça, para homenagear ''as meninas''. ''Eu quero bem à elas. Fazem uma festa bonita. É um povo bom. Não querem mal a ninguém e a gente tem mais é que apoiar'', ensinava com simplicidade.

Caso a estimativa da organização do evento se confirme, a parada de ontem mais do que triplicou o público em relação ao ano passado, quando 60 mil pessoas se encontraram na Beira Mar. ''É importante que todos saibam que uma multidão se reuniu aqui para celebrar a diversidade. Isso se reflete dentro de cada casa. Se você sabe que seu filho não é o único, que existem milhares de pessoas iguais a ele, lutando por respeito, fica mais fácil. O que vemos aqui hoje dá visibilidade ao movimento e se reflete nos outros dias do ano'', afirmava Orlaneudo.

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