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Assalto vira motivo de piada


11 Ago 2005 - 02h03min


''Grana Sintética''. Pronto, bastaram três dias do anúncio do assalto ao Banco Central (Bacen) para a casa 1071 da rua 25 de Março virar piada, bem ao estilo cearense. ''Rapaz, eles escolheram esse nome (Grama Sintética) pra frescar com a cara da gente'', disse o ambulante Francisco das Chagas Silas, 34, que ontem deixou de trabalhar para ''espiar'' e ''fofocar'' com os curiosos plantonistas. Gente que veio da Lagoa Redonda, Barroso, Maranguape, Baturité, Senador Pompeu e Sobral. Fincou o pé em frente à casa, formou rodas de debates e de gargalhadas.

''Se prenderem eles tem que levar 'tudim' pra tomar conta do Banco Central, afinal, eles conhecem melhor do que os que tão lá dentro'', disse Dalvânio Uchôa, 35, cobrador. Outro acha que os assaltantes seriam perfeitos funcionários públicos estaduais. ''Rapaz deviam falar com eles pra que eles ensinem como terminar esse Metrofor'', completa um curioso.

O local já habita o imaginário de grande parte da população, como ponto de partida para ''um projeto cinematográfico''. A ex-Grama Sintética virou a ''Casa da Esperança''. Já a passagem usada pelos assaltantes, que levaram cerca de R$ 150 milhões, foi batizada pela população de ''O Poço da Felicidade''.

Tem gente até querendo ser ''figurante'' numa possível superprodução. ''Olha é coisa grande, coisa pra Spielberg fazer um filme sobre ação e quem sabe eu também estarei lá'', disse, seriamente, o locutor de rádio, José Ribamar Soares. Em meio à concentração de pessoas, era comum se ouvir brincadeiras do tipo: ''Eu aluguei a casa, vim só ver o que a polícia está fazendo'' ou ''Vim pegar o que é meu''. Ou, ''Desci do ônibus só pra pegar o trocadim que eles deixaram pra mim (os mais de R$ 5 mil encontrados ontem em um carro)'.

Há os que ultrapassam a linha entre a realidade e o fantástico. ''Pra mim, isso não passa de propaganda enganosa. Esse dinheiro foi roubado pra desviar a nossa atenção de Brasília (Caso Mensalão)', disse, em tom sério e seguro, Tibúrcio Januário da Silva, 59, aposentado. Há os que admiram. ''Não devem ser presos, são perfeitos. Tudo meticulosamente planejado, executado. Uma obra prima'', elogia Francisco Pereira Alves, 47, porteiro.

Há os que pensam o contrário. ''Acho que devem ser presos porque caso contrário a Polícia Federal se desmoraliza de vez'', disse Márcia Araújo, 26, balconista. E foi nesse ''disse me disse'' que surgiu um boato de que haveria um ou dois corpos dentro da casa. Era boato mesmo, segundo os quatro policias da Polícia Federal que faziam a ''preservação da cena do crime'' ontem à tarde. Mesmo assim, até isso foi parar na roda de piadas, prontas. Especulações de quem seria o corpo encontrado. A versão popular era de uma briga entre os assaltantes: ''Num assalto desses, quanto menos gente para dividir o dinheiro, eles (os assaltantes) acham melhor'', opinou um cidadão. (Vanessa Alcântara e Giselle Dutra)

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