Ir para a página sobre a Publicidade

Fortaleza

A+ A- Mudar tamanho

DIVERSIDADE SEXUAL

Festa de paz e amor...

A VII Parada pela Diversidade Sexual do Ceará reuniu cerca de 500 mil pessoas ontem, na Avenida Beira-Mar. Segundo a Guarda Municipal, a festa correu tranqüila. E evidenciou maior aceitação dos homossexuais

Felipe Gurgel
da Redação

26 Jun 2006 - 01h29min

PARADA gay reúne meio milhão de pessoas na avenida Beira Mar. A concnetração começou no início da tarde e a festa só terminou de madrugada com shows, cores e animação(Foto: Chico Gadelha)
A VII Parada pela Diversidade Sexual do Ceará aconteceu ontem, do início da tarde até a noite, estendida pela madrugada, na Avenida Beira-Mar, Meireles. A previsão de saída do desfile dos trios elétricos era às 18h30, após a concentração, defronte ao Hotel Beira-Mar. Em torno de 500 mil pessoas, segundo informações da Polícia Militar (PM), se reuniram pela extensão da avenida.

Chuvisco, música pulsante, alegria. Casais gays, héteros, crianças, todos transitavam por ali. Uma festa como outra qualquer. Sem exaltações. Segundo o guarda municipal Vinícius Oliveira, houve poucas ocorrências criminais. Apenas pequenos furtos contidos, ele assegura. “Até agora nossa composição não se deparou com nenhuma confusão ou briga”, disse.

Ainda na concentração, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), definiu as credenciais do evento. “É a maior parada da região Nordeste. E a cada ano que essa mobilização aumenta. Lembro de 300 pessoas na primeira”, discursou. A prefeita grita à multidão e um emaranhado de sons acompanha o discurso. Perdido no bolo sonoro, rola Anna Júlia, do Los Hermanos, funk carioca, enfim, o repertório não dispensava nada.

O técnico em manutenção de videogame Antônio Carlos, 38, esteve acompanhado da mulher. Ele mora aqui há duas semanas. Residia em Brasília (DF). Lá, ia às paradas no eixão. “Tô impressionado com a estrutura daqui”, observa. “Ele é gay enrustido”, brinca a companheira. “É o jeito deles de se integrar. Você vê que o pessoal hétero começa a freqüentar. O preconceito existe, sempre vai existir, mas tem diminuído. É um modo deles se assumirem sem o medo de antes. Inclusive perante a família. A festa quebra aquele lance separatista. Rompe, inclusive, o preconceito que alguns têm contra si mesmo”, afirma.

Para Geovane França, 21, estudante secundarista, o evento não ajuda no combate à discriminação. “Quem tem preconceito acha que é uma provocação”, acredita. Gay assumido, ele crê que a parada reforça a imagem alegórica - mantida por alguns - dos homossexuais. “Tem uns que passam dos limites, então, nesse ponto, eu também tenho preconceito”, afirma.

Já o pipoqueiro Valdir Fagundes, 53, longe da zoada, quando os trios já dispersavam, perdeu as contas de quando começou a vender por ali. “Nisso aqui não existia nem calçadão”, conta. Ele crê que a festa ajuda a reduzir a discriminação. “E dá muito rendimento pra mim. Além de ser tranqüilo”.

A cabelereira Lu, 28, esteve com a namorada. “Isso aqui representa tanta coisa”, foi tudo que conseguiu definir sobre a parada. A companheira complementa: “abre mais a mente das pessoas. Ajuda a ocupar espaço, mas, principalmente, permite que aproxime a pessoa do diálogo pela diversidade, que ainda é mais contundente”, afirma Santana Ramos, 40, empresária.


PERSONAGENS

ORGULHO GAY
“Tenho orgulho de participar da Parada Gay. Para mim é importante pela valorização das pessoas, valorização e respeito das escolhas que cada um de nós faz na vida. É um momento também de muito glamour, que nossa profissão de drag queen é valorizada. Saímos das boites e invadimos a avenida com muita alegria e amor pelas outras pessoas”. Kitana Lady Rover, 21 anos, drag queen


SURPRESA
“Namoramos há 2 anos e esta é a primeira vez que a gente vem à Parada gay. Na nossa turma, temos vários amigos que são homossexuais e acho importante está aqui na Parada Gay para apoiá-los. Temos que acabar com este preconceito. Não tem nada a ver. Estou é impressionada com a quantidade de gente. Nunca pensei que o evento fosse tão grande”. Aline Calado, 23 anos, estudante, acompanhada do namorado Valmir Filho, 25 anos, serventuário da Justiça


APOIO À CAUSA
“Há 5 anos moro bem pertinho do Náutico e não perco uma Parada Gay e olha que não sou lésbica nem tenho caída para a coisa, mas acho que as pessoas podem amar quem elas quiserem, independente do sexo. Meu apoio à causa dos homossexuais é incondicional. Neste ano, trouxe minha mãe. Meu marido é que não quer vir de jeito nenhum, ele tem preconceito, fica bem longe”. Sônia Bayma, 45 anos, acompanhada da Mãe, Dona Santana.


AMOR AO PRÓXIMO
“Desta vez eu decide que vinha ver a parada de perto. Eu disse ou meu marido que não tinha nada que me fizesse desistir. Trouxe a família quase toda. Até o meu tio Luciano, que estava assim meio desconfiado eu convenci. Aqui é a festa da família. Uma festa da alegria na qual todas as pessoas estão com o mesmo espírito de comunhão e amor ao próximo. É um evento de não à violência, em favor da vida”. Isadora Montenegro, 29 anos, artista plástica, acompanhada do marido Fábio Moreira, 30 anos, analista de sistema, do filho Lucas, de 2 anos, e do tio Luciano Bezerra.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Indique essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados