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Fortaleza

SEMANA NACIONAL DE TRÂNSITO

Um motociclista morto a cada 4,3 dias

As estatísticas de acidentes de trânsito envolvendo motociclistas são alarmantes. Dados da AMC apontam que no primeiro semestre deste ano 42 morreram em Fortaleza


19 Set 2006 - 02h03min

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DE ACORDO com dados do Detran, a cada quatro acidentes envolvendo motociclista no Estado, um morre (Foto: Evilázio Bezerra)
Um motociclista morre a cada 4,3 dias nas ruas e avenidas de Fortaleza. No primeiro semestre deste ano foram 42 mortes nesse mesmo segmento, 10 a mais que em 2005. Nas rodovias estaduais e federais eles também estão morrendo mais. De janeiro a junho último, por exemplo, 25 motoqueiros morreram nas BRs do Ceará. Até ano passado, as principais vítimas nessas rodovias eram os pedestres, com 24 mortes e 20 motociclistas. A imprudência desses condutores, tanto com relação ao excesso de velocidade, o não uso do capacete e uso de álcool ao volante são apontadas como fatores que causam os acidentes. Esses dados foram apresentados ontem durante a abertura da Semana Nacional de Trânsito, em Fortaleza, que tem como tema "Liberdade com responsabilidade. Motociclista esse é o caminho".

O superintendente em exercício do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Kléber Mineiro, diz que a situação é preocupante, pois a cada quatro acidentes com motociclista no Estado, um morre. Ele acrescenta que hoje os veículos de duas rodas representam um terço do total da frota que é de um milhão de veículos. Em 2002, eram 222.688 motos e ano passado, 316.179. Outro dado que ele considera grave é que embora o número de veículos de duas rodas tenha aumentado, não há o mesmo crescimento nos habilitados nessa categoria. "Temos a certeza de que muitos estão conduzindo sem habilitação devida, sem formação teórica e prática". A situação é mais crítica no interior do Estado.

Segundo Mineiro, dos 184 municípios, em 161 a frota de veículos de duas rodas é maior do que outros veículos. "É assustador, infelizmente a educação de trânsito não está em todos os municípios". Kléber Mineiro ressalta que 35 municípios assumiram as ações de trânsito, mas que representam 75% do total da frota. Conversões proibidas, manobras para reduzir o tempo, velocidade incompatível com o trânsito do local e fragilidade do veículo estão entre as causas dos acidentes envolvendo motociclistas.

O presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-Ce), coronel Geraldo Holanda Gonçalves, lembra que os acidentes de trânsito no Brasil têm um custo social em torno de R$ 10 bilhões por ano, 35 mil mortes e mais de 350 mil feridos. No País, são aproximadamente 7,5 milhões de motociclistas. Stênio Pires, chefe do Serviço de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, observa que os acidentes no interior estão relacionados com deficiência da fiscalização. Além disso, ele ressalta que dos 25 que morreram este ano nas BRs, quatro foram em conseqüência de queda e não estavam com capacete.

Flávio Patrício, presidente da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC), diz que o uso de capacete pode evitar o óbito e ao contrário do que muitos motoqueiros podem pensar, a fiscalização eletrônica instalada na cidade registra todas as infrações cometidas pelos condutores de motos. Kleber Mineiro ressalta que 6.300 condutores de motos estão com processo bloqueado e podem ter a carteira de habilitação suspensa por um período de um mês a 12 meses. Isso porque ser flagrado sem capacete resulta na suspensão automática do documento.

No Instituto Dr. José Frota (IJF), são cerca de 500 atendimentos de motociclistas por mês na emergência. O médico Lineu Jucá também falou da gravidade dos acidentes envolvendo motocicletas e pediu o envolvimento dos órgãos executivos de trânsito para que realizem ações concretas para reduzir os índices. Kléber Mineiro diz que todos os órgãos estão envolvidos para mudar esse panorama com educação, conscientização e fiscalização.

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