Fortaleza
MUCURIPE E JARDIM
DAS OLIVEIRAS
Perigo em cruzamentos de Fortaleza
Alguns cruzamentos de Fortaleza já são bastante conhecidos pela freqüência dos assaltos, tanto a motoristas quanto a pedestres. Para o comandante da 4ª Companhia do 5º BPM, major Marden Oliveira, tem havido uma "migração" das ações criminosas em alguns locais
Ricardo Moura
da Redação
19 Set 2006 - 02h03min
O aposentado Evangelista Freire, 55, diz que foi abordado por um homem no fim da rua José Leon, quase chegando à BR-116. O assaltante teria pulado em cima do carro, armado. Por sorte, acrescenta, ele conseguiu escapar da ação criminosa ao desviar o veículo. Depois do ocorrido, Freire afirma que só passa por aquele trecho quando há alguma barreira policial. O irmão de Evangelista, dono de uma loja de ferragens na mesma rua, teve seu estabelecimento roubado quatro vezes em apenas uma semana. Ele já colocou a loja à venda.
Ao lado do prédio, no cruzamento da Rogaciano Leite com a José Leon, poucos respeitam a sinalização, mesmo durante o dia. "Ninguém respeita o sinal com medo de ser roubado. Se não vier carro, o pessoal passa no vermelho", comenta o mecânico Anderson Holanda, 22, que trabalha naquela área. "No sábado à tarde, a oficina é fechada com a gente dentro, por causa do medo de assaltos. Um engenheiro foi morto nesta rua e um homem bateu com o carro em um ônibus tentando fugir de um assalto", relata.
Para o comandante da 4ª Companhia do 5º BPM, major Marden Oliveira, houve uma "migração" da ação criminosa. "Nós 'fechamos' o cruzamento da BR-116 com a José Leon, por isso os bandidos passaram a atacar na Rogaciano Leite. O problema é que quando fecharmos lá, os bandidos vão 'abrir' um novo local para os crimes", explica. O oficial alega, no entanto, que a região tem uma boa cobertura policial, com policiamento fixo em pontos críticos e uma viatura que faz a segurança naquelas imediações.
Na avenida Abolição com a Via Expressa, o risco se concentra no fim de semana, a partir da tarde de sábado. Segundo um comerciante que trabalha na avenida, as pessoas convivem com o roubo há muito tempo. "Os assaltantes abordam as vítimas na Abolição e fogem para o Castelo Encantado. Aqui é uma rota de fuga. Eles não querem celular ou relógio. Querem só cordão de ouro. Parece que tem um receptador no Castelo que compra o que é roubado", alerta.
O comerciante diz que orienta os clientes para que não se tornem novas vítimas. "A gente pede aos clientes para não deixar o celular na mesa e que guardem as bolsas no carro. Isso é horrível para o turismo. Uma cliente teve seu cordão roubado enquanto eu pegava uma água, mas ninguém dá queixa à Polícia. Dizem que é perda de tempo", comenta.
Há uma cabine policial na Abolição, mas ela fica distante do cruzamento. Os moradores pedem que uma nova cabine seja instalada no local, o que dificultaria a fuga dos assaltantes. O capitão Hamsterdam Juliano, sub-comandante da 1ª Companhia do 5º BPM, diz que o policiamento no local é feito por dois PMs a pé que se revezam em outros cruzamentos.
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