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NAVEGADOR
Falta fogo ao dragão
Apesar dos defeitos, cabe uma nota sobre a honestidade do Mozilla 1.0 e do projeto como um todo. Ele pode ser usado por qualquer pessoa, mas deixa claro: é feito para desenvolvedores
Fabricio Rocha
do Correio Braziliense
[08 04h42min]
Pouco depois que o Linux começou a sair dos redutos de estudantes de Computação e nerds em geral para as páginas dos jornais, surgiu na onda um outro ícone do software livre. Uma das primeiras ações que a America On Line (AOL) tomou quando comprou a produtora de navegadores Netscape, em 1997, foi lançar um projeto para criação de um navegador de código aberto, baseado na versão então existente do Navigator, para criar novas tecnologias e ser a base da próxima geração do Netscape. Daí surgiu, em janeiro de 1998, o projeto Mozilla, com ares de anunciação de que as grandes empresas também deveriam migrar para o software livre.
O projeto, porém, não teve o ritmo esperado e se arrastou durante anos - enquanto a Netscape perdia espaço para o Internet Explorer, da Microsoft, que já vinha sendo embutido no sistema Windows. O Mozilla deu origem à nova versão do Netscape, a série 6, mas ele mesmo ficou o tempo todo em versões de desenvolvimento. Até que, no começo de junho, o grupo Mozilla.org pôs à disposição para download a primeira versão oficial do programa, a 1.0. No dia 12 foi feita a festa de lançamento, em San Francisco, e um dia antes foram iniciados os testes da versão 1.1.
Mas quem esperava muito do Mozilla talvez não goste do que vai ver se fizer o download - de 9,8 MB na versão para Windows, também disponível nas versões para Linux e para Macintosh (MacOS X). A decepção talvez seja ainda maior para quem já usa o Nestcape 6.2: o Mozilla é quase idêntico. Onde não é pior. Tudo bem: de acordo com o contrato, a Netscape pode pegar o código do Mozilla, acrescentar alguma coisa e lançar com sua marca. Em troca, programadores da Netscape participam do desenvolvimento do Mozilla. É assim que foram feitas as últimas versões do outrora popular navegador - que já tem em testes a sua versão 7.0. Mas se esperava mais do Mozilla, algo como uma evolução do Netscape - até devido ao seu longo tempo de gestação.
Apesar de todos os defeitos, cabe uma nota sobre a honestidade do Mozilla 1.0 e do projeto como um todo. O grupo informa que o programa pode ser usado por qualquer pessoa, mas deixa claro: ele é feito para desenvolvedores. A intenção do projeto não é criar um navegador gratuito - o que sempre já existiu -, mas sim criar um navegador que pode ser modificado e servir de base para outros navegadores. O site tem informações para programadores interessados, por exemplo, em aproveitar o Gecko, que é o núcleo do Mozilla. Como tem código aberto, pode ser adaptado para funcionar em qualquer plataforma — até mesmo celulares e aparelhos diversos. Netscape e Explorer são melhores para o usuário doméstico, mas o Mozilla, visto sob esta ótica, cumpre o papel a que se propõe.
SERVIÇO:
Mozilla - www.mozilla.org
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