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60 ANOS PÓS HITLER

O suicídio do maior
genocida da história

Como foi possível um ex-cabo austríaco, pregador de idéias tão primárias ter hipnotizado um povo culto e dotado de tradições humanistas

Paulo Verlaine genocida da história da Redação
30 Abr 2005 - 01h57min

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POUCA GENTE DUVIDA DO SUICÍDIO DE HITLER, HÁ EXATAMENTE 60 ANOS. HÁ DIVERGÊNCIAS SOBRE DETALHES DE SUA MORTE. EM 30 DE ABRIL DE 1945 UM TIRO NA TÊMPORA DIREITA MARCOU O FIM DE UM PESADELO DE SUPERIORIDADE RACIAL

Como foi possível um ex-cabo austríaco combatente da I Guerra Mundial, autodidata e pregador de idéias tão primárias e brutais ter hipnotizado, ao ponto de levar ao extremo fanatismo, um povo culto e dotado de tradições humanistas como o alemão

30 de abril de 1945, 15h30min, segunda-feira. Berlim era uma cidade em destroços, praticamente ocupada pela tropas soviéticas. No subterrâneo da Chancelaria do III Reich, o som de um disparo saiu dos aposentos de Adolf Hitler, o ditador alemão que desencadeou a II Guerra Mundial e foi o responsável por um genocídio sem precedentes na história.

O führer, como ele gostava de ser chamado, suicidava-se dez dias depois de completar 55 anos de idade, em companhia de sua mulher Eva Braun, com quem se casara dois dias antes. Doze anos, três meses e um dia após ter se tornado chanceler da Alemanha e ter instituído o III Reich cuja duração ele previra para ''mil anos''.

Passados 60 anos, o mundo ainda pergunta como foi possível um ex-cabo austríaco e combatente da I Guerra Mundial, autodidata e pregador de idéias tão primárias e brutais ter hipnotizado, ao ponto de levar ao extremo fanatismo, um povo culto e dotado de tradições humanistas como o alemão. Um povo que deu ao mundo figuras como Goethe, Johann Sebastian Bach e Ludwig van Beethoven.

Quase não se duvida mais de que Hitler realmente pôs fim à sua vida para não cair prisioneiro dos países aliados que derrotaram a Alemanha nazista, principalmente dos soviéticos. A tese estapafúrdia de que ele teria escapado e permanecido num reduto secreto nazista não resiste à força dos fatos. Mas, mesmo assim, os principais biógrafos do ditador alemão e historiadores da Segunda Guerra Mundial ainda divergem sobre as circunstâncias e os detalhes do suicídio, baseados em depoimentos de testemunhas.

É preciso um mergulho no tempo para se ter um idéia aproximada do que aconteceu. No livro Adolf Hitler (publicado no Brasil pela editora Francisco Alves, em 1978) do norte-americano John Toland, considerada a mais completa biografia do líder nazista, está descrito que, nas vésperas da morte de Hitler, apertou-se o cerco em torno da cidade (Berlim) que agonizava quando unidades soviéticas de vanguarda se infiltraram no Jardim Zoológico.

No dia 29 de abril de 1945, ''a uma milha de distância'', narra Toland, ''no abrigo (subterrâneo da Chancelaria alemã, mais conhecido como bunker), Martim Bormann arranjava maneiras de remeter os dois testamentos de Hitler, o político e o pessoal, ao sucessor do führer, almirante Karl D®nitz''.

A essas alturas, os dois maiores nomes da hierarquia nazista depois de Hitler, Hermann Goering (marechal do Reich e comandante da Força Aérea) e Heinrich Himmler (ministro do Interior e comandante das forças paramilitares SS), já haviam tomado a iniciativa de manter contatos com as potências ocidentais visando a uma rendição em separado. Depois disso, Hitler destituiu Goering e Himmler dos cargos que ocupavam por considerá-los traidores.


Joachim Fest, outro biógrafo do ditador, diz o seguinte no livro Hitler (publicado no Brasil pela editora Nova Fronteira, 1973): ''A decisão de pôr fim a tudo foi tomada na noite de 28 para a madrugada de 29 de abril de 1945. Um pouco antes das 22 horas, no meio de uma conversa com o general von Greim, Hitler foi interrompido por seu camareiro, Heinz Linge, que lhe entregou um telegrama da Reuters anunciando que o reichsführer SS Heinrich Himmler entrara em contato com o conde sueco Bernadotte para tratar de uma capitulação no Oeste''.

''A emoção causada por tal notícia'', continua Joachim Fest, ''foi mais violenta do que qualquer um dos acessos sofridos por ele (Hitler) nas últimas semanas. Hitler sempre achara que Goering (Hermann Goering, comandante da Força Aérea Alemã e marechal do Reich, tido como sucessor do führer) era um oportunista e corrupto daí que a traição do reichsmarshall (Goering) se constituísse uma decepção já prevista''. Prossegue Fest: ''Em troca, o comportamento de Himmler, que sempre tivera por lema a lealdade e sempre se gabara de sua incorruptibilidade, representava a quebra de um princípio''.

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