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Jornal do Leitor

REBECA FERREIRA

Combate à violência sexual infantil

Rebeca Ferreira Brasil
ADVOGADA

28 Mai 2005 - 19h31min

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Seria necessária uma vida para esquecer os maltratos que uma criança sofreu em sua violenta infância. Não me refiro somente à violência física, mas, principalmente, à violência sócio-psicológica que constantemente as crianças brasileiras estão sofrendo impunemente em todos os cantos do país. Já é conhecida a famosa frase que ''as crianças são o futuro do país''. Mas e ai? O que você está fazendo por seus filhos? Como está fazendo? Será que o seu próximo também é sua responsabilidade? Você está pressionando o Poder Público em prol do direito da criança? Você votou em seus candidatos por quê?

Foi comemorado o Dia Internacional de Combate à Violência e Exploração Sexuais de crianças e adolescentes. Sem sombra de dúvida, tal comemoração é imprescindível para evidenciar a importância e abrangência desse problema sócio-cultural presente na sociedade brasileira. Mas essa luta não deve, de forma alguma, restringir-se a essas ações isoladas de grupos e setores da comunidade que procuram propagar os atos de violência e exploração sexual a crianças e a adolescentes. Muito pelo contrário. Toda a população deve e precisa estar engajada na eliminação dessa anomalia social. Cada um em sua esfera social e de acordo com suas possibilidades.

O Estado, instituição social criada para promover o bem-estar-social, não fugirá de seu papel ímpar na formulação de políticas públicas que visem, primeiramente, analisar as inúmeras causas do mencionado problema; para em seguida, trabalhá-lo com eficiência e no intuito de minimizá-lo ou, como deseja toda humanidade, expurgá-lo do mundo social. A família, célula base de toda e qualquer sociedade, também não pode se excluir dessa árdua missão. É a partir da família que a consciência sexual de seus membros deve ser construída. Além disso, essa consciência deve se aprimorar, abrangendo todos os setores da sociabilidade humana, ou seja, o indivíduo será consciente de seu papel social na família, no trabalho, no bairro, na comunidade, na cidade, enfim, no mundo. A ética e a moral serão formuladas, construídas e nunca, nunca impostas.

Entretanto, a partir do momento que um indivíduo encarar o problema do próximo como se fosse um problema seu em potencial, um problema que pode lhe atingir ou uma conseqüência inevitável do modo de vida da sociedade em que ele está inserido, tudo será muito mais fácil de ser solucionado. Sabe por quê? Porque ''o outro'' se torna o ''eu''; porque seu filho se torna o ''meu filho''; porque, felizmente, o mundo se une e esforça-se para sobreviver, para construir uma sociedade mais equilibrada, justa e, principalmente, feliz.

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