Ir para a página sobre a Publicidade

Jornal do Leitor

LUCIANO FURTADO

Parapsicologia, videntes ou médiuns

Luciano Furtado Sampaio
25 Mar 2006 - 19h57min

A+ A- Mudar tamanho


Provavelmente, você já leu, ouviu falar ou teve contato com alguém que adivi-nha o futuro, que lê mão, que bota baralho e que sonha com o que vai acontecer. São os chamados videntes ou médiuns. Alguns mais ousados. São relatos que impressionam e deixam nos telespectadores algumas perguntas: Isso é verdade? Essas pessoas acertam, realmente? E, se acertam, como se explica esse fenômeno misterioso de alguém saber ou prever o futuro de outra pessoa e até de acontecimentos que marcarão a história? Qualquer pessoa pode usar esse poder? Que acontece com uma pessoa para que ela possa exercer esse poder ou dom ou sensibilidade, tornando-se, então, um vidente ou médium? Por fim, que ciência estuda esse tipo de fenômeno?

São estas e outras questões que me proponho, cientificamente, a explicitar neste espaço, aos leigos no assunto, aos que têm alguma informação, mas deturpada, e até mesmo aos videntes ou médiuns que, em geral, não têm uma explicação científica do que se passa consigo mesmos, para que tantas pessoas, diante da verdade, superem medos, preconceitos, superstições e crendices a respeito de tais fenômenos, que tanto intrigam a opinião pública.

Inicialmente, digo tratar-se de um fenômeno muito presente na história da hu-manidade. Encontramos relatos de adivinhos na história da antiga China, do Egito e nos textos bíblicos do Antigo Testamento. Os videntes ou médiuns são pessoas, historicamente, rejeitadas e procuradas. Na Idade Média, foram tachadas de bruxas, julga-das, condenadas e queimadas vivas pela Inquisição, como possuídas pelo demônio. Hoje, encontramos muitos videntes ou médiuns integrados no espiritismo, precisamente por lhes terem dito serem já possuidores de alguma mediunidade espiritual, como se esse poder lhes viesse de fora, de um espírito desencarnado.

Na verdade, os videntes ou médiuns não são pessoas possuídas por forças externas a elas, como demônios ou espíritos desencarnados, mas, pelo contrário, trata-se de um poder humano, de um fenômeno administrado pelo inconsciente do vidente ou médium. O inconsciente humano tem um saber e um poder extraordinário. A parapsicologia, ciência que estuda este fenômeno e muitos outros realizados pelo inconsciente, tem-nos comprovado, experimentalmente, que o nosso inconsciente sabe o passado (retrocognição), o presente (simulcognição) e o futuro (precognição) de alguém (telepatia) ou da história (clarividência), numa faixa de até 200 anos.

Nossos inconscientes se comunicam com seus dados, continuamente, só que fica uma comunicação em nível inconsciente. Mas, em algum momento da vida, sobretu-do em situações de sofrimentos, como diante de um acidente, de uma morte, qualquer pessoa pode sentir ou até ver, previamente, o que pode acontecer com alguém, em geral, de sua intimidade ou conhecimento, através da telepatia ou da hiperestesia. Quando isto acontece, um dado inconsciente passa para o consciente e a pessoa começa a saber, de forma direta (vendo o acontecimento, sonhando) ou indireta (ficando inquieta, com a sensação de que algo está acontecendo com alguém), o que o outro está sofrendo, por exemplo, um acidente, uma morte. E depois tudo se confirma. Milhares de pessoas já viveram experiências desse tipo. É uma ação do inconsciente, que o consciente desconhece inicialmente, e não quer admitir ser da pessoa, dela, por isso, apela para outras entidades ou forças externas.

Com qualquer um de nós, ou seja, com qualquer pessoa, isso acontece ou pode acontecer uma vez ou outra, já que somos possuidores de consciente e inconsciente, e pode se repetir outras vezes, esporadicamente, ou não, mas com os videntes ou médiuns verdadeiros (há os charlatões) é diferente. Neles, esse dom ou poder é algo quase permanente. É que eles estão, quase sempre, predispostos a dizer o passado, o presente e o futuro das pessoas. Mas, por quê? Porque são pessoas que, por alguma razão histórico-existencial, passaram por algum problema, por uma situação de ordem psíquica, um trauma, um distúrbio emocional, um medo forte, uma decepção tipo rejei-ção, em geral na tenra idade, e, com isso ou por isso, sofreram um derrame psíquico denominado psicorragia. A psicorragia é um derrame psíquico que se dá do inconsciente para o consciente. Diante desse derrame, a pessoa que o sofreu, passa a captar, involuntariamente, os dados do inconsciente das outras pessoas.
Outro dia uma jovem vidente piauiense me dizia: ''Mas eu não quero ser assim, não quero saber de nada da história inconsciente dos outros. Isso é ruim, eu prefiro ser normal''. No entanto, quem sofre uma psicorragia, embora não queira captar, termina captando, pois, é involuntária, independe da vontade do vidente. Uma vez vidente, sempre vidente. É uma questão de acolher, de se aceitar e decidir fazer o bem a tanta gente que o procura, com cautela, honestidade e ética, muito embora os limites ou riscos que colocaremos a seguir.

E os videntes acertam tudo? É claro que não. Nem tudo que dizem acontecerá. Nem eles mesmos têm a certeza de que o que dizem vai acontecer. O que não significa que estão mentindo. Podem, realmente, estar captando do inconsciente, mas, em se tratando de inconsciente, há nele muita criatividade, imaginações, desejos, sonhos e estes vão sendo liberados no conjunto do que pode ser realidade. Só a história confirmará o que é real ou não, o que acontecerá ou não.

Alguns videntes usam baralhos, pêndulos ou algum toque durante o atendimen-to. Isso é essencial? Não.É um condicionamento que criaram para si e uma forma de concentrar e impressionar as pessoas. Mas um verdadeiro vidente não necessita de nada externo, nem mesmo da presença do outro. Não há distância para os fenômenos telepáticos. Os videntes não têm o mesmo nível de vidência. Há os que acertam mais e com muitos detalhes, e há os que são muito fracos e superficiais. Creio depender do grau da psicorragia. Também são raros os videntes que captam algo de si mesmos.

Não podemos deixar de tratar dos riscos que pode sofrer um vidente ou médium e dos riscos que corre um seu cliente. 1. Quanto aos videntes. Por terem sofrido uma psicorragia, um trauma psíquico forte e passarem a usar, involuntariamente, o seu inconsciente, pode acontecer que com o tempo, o seu inconsciente passe a exercer mais força sobre ele do que o seu próprio consciente e, assim, vir a sofrer de problemas psíquicos mais sérios, inclusive o desequilíbrio, a loucura. Isso pode se dar, também, devido ao desgaste de energia por que passam quando estão atendendo alguém ou captando algo de alguém, mesmo quando sozinhos. É comum sofrerem dores de cabeça. É importante não forçarem e devem buscar ajuda quando necessitarem. 2. Quanto aos clientes. São as psicossomatizações. Se, inconscientemente, quero morrer, o inconsciente fará tudo para que isso aconteça. E o que é mais grave com relação aos clientes dos videntes é a dependência. Para tudo procuram um vidente, perdendo, assim, sua liberdade de pensar e agir por si mesmos. Pro-curá-los, portanto, depende muito de cautela, prudência, ''desconfiômetro'', liberdade e maturidade da pessoa.

Por tudo que foi descrito, concluo afirmando que os videntes ou médiuns são pessoas merecedoras de atenção, de respeito e que precisam de uma formação sólida sobre o que se passa consigo, até para que aprendam a conviver com isso de forma mais harmoniosa e sadia e mereçam respeito de seus clientes.
Infelizmente, nem o ''mundo'' das ciências da saúde, nem o ''mundo'' da teologia têm despertado para a importância que ela merece, até diria, que a população merece. Foi com esta intenção que, no século passado, a Sociedade Internacional para o Avanço da Ciência e a Unesco recomendaram que as Universidades do mundo se dedicassem ao estudo desta nova ciência, afirmando até que a Parapsicologia seria a ciência deste século, por ela abrir novo campo de possibilidades para o homem, permitindo um maior conhecimento do ser humano e proporcionando uma religião racional.

Luciano Furtado Sampaio é professor de filosofia da UECe, psicanalista e parapsicólogo.
Fortaleza - CE.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Mais Notícias

Últimas

Últimas

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados