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Opinião

ASSUNTO DA SEMANA

100 dias - o governo está no caminho certo?


12 Abr 2003 - 14h57min

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Cem dias é um prazo curto para uma análise mais completa sobre os rumos do governo, mas a data reveste-se de um simbolismo que levou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a fazer um pronunciamento oficial pela televisão para mostrar um balanço do período. Com sua política econômica sob críticas, inclusive de uma parcela do PT, o governo enfrentou esta semana a primeira manifestação de servidores públicos, contra a aprovação do PL-9, que trata da reforma da Previdência. Quem tem razão, os críticos do governo - o PSDB divulgou uma nota em que afirma que ''a ilusão está vencendo a esperança'' - ou o presidente Lula, que declarou em seu pronunciamento: ''Estou muito otimista. O mundo inteiro acha que estamos no caminho certo''.


Viúvas

''Cem dias é muito pouco tempo para desarmar a bomba que os tucanos deixaram de herança ao Brasil. Lula não iludiu ninguém. O que os tucanos propagavam é que era uma ilusão, uma mentira. Nós, brasileiros, estamos confiantes porque agora sentimos que temos um presidente que se importa com a gente. E, graças a Deus, um presidente que não mente. As críticas vêm das 'viúvas' do José Serra, e dos aliados insatisfeitos. Mas Lula está nos devolvendo a dignidade e a paz, que o descaso-tucano havia retirado do povo brasileiro''.
Angela Borges
Publicitária e jornalista



Vida

''Vejo como acerto a negociação do Estado com a sociedade marcando a passagem de um Estado tutelar e autoritário para um Estado agenciador de interesses diversos, menos impositivo e mais propositivo, permitindo o exercício de uma democracia participativa pela atuação direta de organismos civis na definição de políticas publicas. Priorizar o combate à fome significa uma ampliação da cidadania inserindo setores excluídos, colocando a fala no lugar da força e a vida humana sobre o poder de destruição e dominação''.
Maria Dolores Mota
Professora da UFC



Ficção

''É compreensível que o governo Lula, nos primeiros cem dias, encontre dificuldades para mostrar resultados que alegrem a população. O presidente até agora não conseguiu estabelecer as linhas que vão gerar os empregos prometidos. Ao contrário, aumento da taxa de juros e cortes orçamentários, significam menos investimentos e menos empregos. Também não inovou em relação aos servidores públicos. Continua a satanizá-los pelos problemas da Previdência. E quanto ao Fome Zero, afirmo que há na TV uma excelente peça publicitária de ficção''.
Agostinho Gósson
Jornalista e professor da UFC



Casa

''Gosto muito da metáfora que compara a mudança de governo com a reforma de uma casa velha e caindo aos pedaços. Embora a reforma de uma casa seja bem menos complexa do que o governo e a administração de um país como o Brasil, com uma enorme extensão territorial e uma grande diversidade cultural e de interesses. Brasileiros, que elegeram Lula como redentor da pátria, vão adquirindo a clareza de que no plano político-administrativo não se pode fazer milagres. Cem dias é muito pouco tempo para se traçar um esboço de como ficará a casa. No entanto, vemos um presidente tentando acertar''.
Nadja Soares de Pinho Pessôa
Do Movimento Vida, Independência, Dignidade, Direito e Ação (Vida) para pessoa com deficiência



Nós

''Lula da Silva faz o governo possível. Com a legitimidade das urnas, tem a oportunidade histórica de fazer as reformas previdenciária, tributária e trabalhista, nós górdios da vida pública brasileira. Encontrará decerto, resistência. Reformar e cortar privilégios de há muito consolidados. Não se faz omelete sem quebrar ovos. Se lhe sobrar visão de Estado e capacidade de articulação, Lula poderá desempenhar papel analógico ao que Felipe Gonzalez desempenhou na Espanha, inaugurando uma nona era de desenvolvimento e modernidade''.
Hélio Leitão
Advogado, conselheiro da OAB-CE



Senha

''Um trabalhador que se confesse otimista, não sendo do PT governista, por certo lançará um olhar no futuro para justificar esperança. A certeza de dias melhores não está só no axioma 'pior seria, se pior fosse'. Vem do fato de saber a fundura do buraco em que o neoliberalismo fez a todos mergulhar. Os esforços por um trabalho compartilhado, sim, resultará em conquistas. Luiz Inácio sabe a parte do bucho colada ao espinhaço da gente que dói. E, também, que se a guerra dos 100 Anos demorou 116 anos, paciência é senha''.
Tarcísio Matos
Jornalista



Rumo

''Lula e sua equipe de governo estão no rumo certo. Orientam-se pelo binômio comunicação e articulação. A turma do contra se viciou com a metodologia do conflito. Desconhece o mérito das causas, trazendo a marca do imediatismo e do descompromisso. Continuará a fazer politicagem, mas não Política. Lula abre canais participativos, dialoga e acolhe críticas construtivas. Reconhece que é indispensável a reestruturação do país através de políticas públicas. Não de políticas de compensações. Cedo demais para avaliar o governo Lula. Há elementos indispensáveis envolvendo-nos nessa gestão participativa!
Aldo di Cillo Pagotto,
Bispo Diocesano de Sobral



Elite

''O governo precisa ter um novo rumo, no sentido de realizar transformações no campo social, necessárias e possíveis. A sociedade quer ter a certeza de que haverá uma reforma agrária ampla e sustentável, um aprofundamento das políticas de direitos humanos e que a educação e a saúde passarão por mudanças estruturais. Precisa dar a mesma ênfase que está dando à economia e aos compromissos com organismos financeiros, às mudanças das políticas públicas. Do contrário, o governo será um trunfo das elites e seus interesses''.
Francisco Pedrosa
Diretor do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab)

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