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Opinião

EDITORIAL

Ameaça nos circos

Fulga da leoa em Paracuru reabre debate sobre animais em espetáculos


01 Dez 2001 - 21h07min

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A fuga de uma leoa no circo instalado no povoado de Salgado, no município de Maracanaú, o conseqüente pânico da população do município e a caçada à fera com destaque na mídia nacional vêm reativar a polêmica em torno da utilização de animais selvagens - domesticados ou não - em exibições para o público.

Acreditam os adversários dessa prática, principalmente as pessoas ligadas às entidades de proteção aos animais, que usar exemplares da fauna silvestre - nacional ou estrangeira - como diversão significa uma crueldade para os animais e um perigo para as pessoas. Há sempre a possibilidade de fuga ou reação contra domadores ou assistentes durante os espetáculos, principalmente quando se trata de leões, tigres e outras espécies consideradas ferozes.

O circo, derivado da palavra latina circu (círculo), sempre esteve no imaginário de todas as pessoas em diferentes países do mundo ao longo dos anos. Os palhaços, mágicos, trapezistas e outros artistas ainda encantam a mente das crianças em pleno 3º Milênio, apesar do surgimento dos videogames de última geração, da televisão a cabo e de outras diversões que oferecem maiores encantos ao público infantil.

Sua origem está no grande anfiteatro onde povos antigos se reuniam para jogos públicos. Há também primórdios sombrios: no coliseu romano, seres humanos eram jogados na arena para serem devorados por animais ferozes. Essas cenas de selvageria eram aplaudidas pelo público ávido de sensações. As poderosas elites romanas criaram até a expressão panen et circenses (pão e jogos de circo), utilizada, na época, para desviar a atenção do povo dos problemas cotidianos.

O cativeiro impõe sofrimento aos animais habituados com a liberdade e que são retirados à força do seu habitat: as florestas ou savanas da África e Ásia. O estresse se torna maior quando eles são treinados para exibições públicas, exercícios esses acompanhados de chicotadas ou outros castigos. Há também o problema da alimentação. Em muitos casos, circos de pequeno e médio porte não têm recursos para provimento das necessidades básicas dos animais. Leões e tigres são carnívoros por natureza e necessitam de grande quantidade de alimento por dia. Muitos desses animais vivem famintos e algumas vezes morrem por falta de comida.

Há ainda o grave problema da segurança e muitos circos não possuem as mínimas condições de manter animais ferozes no cativeiro. Já aconteceram, no Brasil, vários casos de mortes de pessoas devido à negligência de proprietários e funcionários. No dia 18 de maio de 1997, em Tianguá, o garoto José Vinícius Silva Aguiar, de quatro anos de idade, foi atacado e morto por um leão quando se encontrava numa locadora de vídeo. O domador, irresponsavelmente, circulava pelas ruas da cidade com o animal, preso apenas por uma corda de nylon, numa camioneta. Foi apenas um caso entre muitos ocorrido no País.

O mundo do circo é ligado à alegria e não combina com cativeiro e maus-tratos a animais. Está na hora de uma legislação que ponha fim aos abusos que vêm acontecendo. O ideal para leões, tigres e macacos é o seu habitat ou, pelo menos, zoológicos tipo safári, que procuram reproduzir os locais de origem. Isto traz mais segurança para a população e menos sofrimento para os animais.

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