Política
RAIO - X
De quelado eles estão
Levando em conta as cinco votações mais importantes propostas pelo Executivo, apenas três deputados cearenses votaram contra o governo em mais da metade
16 Set 2006 - 20h10min
Teoricamente, a bancada cearense é rachada ao meio. Os partidos da base de sustentação do governo Lula possuem 11 parlamentares - exatamente metade da representação do Ceará em Brasília. Os outros 11 são deputados de partidos de oposição ao Palácio do Planalto. Isso na teoria. Na prática, contudo, o Planalto não teve dor de cabeça com os votos cearenses no Congresso Nacional. Em cinco das mais importantes e polêmicas propostas do Executivo aprovadas na atual legislatura, 13 deputados cearenses votaram sempre com o governo. Somente três votaram contra o governo em mais da metade das vezes. Entre os que foram 100% governistas, estão quatro deputados do PSDB.
Para o cálculo do nível de governismo dos deputados cearenses, foram considerados os posicionamentos na votação da Reforma da Previdência - tanto no texto principal quanto na votação em separado da taxação de aposentados e pensionistas -, a Lei de Biossegurança, o 2º turno da Reforma Tributária e o aumento do salário mínimo em 2004, quando a oposição propôs a elevação para R$ 275, enquanto o governo propôs R$ 260. No caso da Reforma da Previdência, o acordo entre PT e PSDB fez com que subisse o índice de apoio dos cearenses à proposta governista, mesmo entre os tucanos.
O mais ferrenho opositor de Lula na bancada do Ceará foi, pelo menos nas cinco votações analisadas, Moroni Torgan (PFL). Ele votou quatro vezes contra o governo, e só ficou ao lado de Lula na decisão sobre a Lei de Biossegurança. Outro deputado que não deu vida fácil para Lula foi Gonzaga Mota (PSDB). Ele foi outro que só votou com o governo na aprovação da Lei de Biossegurança. O tucano, contudo, só votou três vezes contra o Planalto, já que não estava presente na decisão sobre o reajuste do salário mínimo em 2004.
O terceiro parlamentar cearense que mais vezes se posicionou contra o governo nas cinco votações mais polêmicas foi João Alfredo (PSol). O curioso é que, em todas as ocasiões das votações analisadas, o deputado estava ainda no PT. Ele deixaria o partido motivado justamente pelas divergências com o Planalto. Alfredo contrariou a posição do governo Lula nas votações do salário mínimo e da Lei de Biossegurança. Os votos com o governo foram para a Reforma Tributária e para a taxação dos aposentados. No texto básico da Reforma da Previdência, ele se absteve.
Entre os principais aliados de Lula no Ceará, Inácio Arruda (PCdoB) nem sempre ficou ao lado do governo. Ele contrariou a orientação do Planalto na votação da Lei de Biossegurança e na taxação dos aposentados e pensionistas - apesar de o deputado do PCdoB ter sido favorável à constitucionalidade da medida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, ter votado a favor do texto global da reforma em dois turnos.
Os percentuais não levam em conta as votações nas quais os deputados estavam ausentes. Entre os tucanos que votaram sempre com o governo, Marcelo Teixeira deixou de participar de três das cinco votações - nas duas decisões sobre a Reforma da Previdência e na Reforma Tributária. Na época, ele estava no PMDB e, entre 2003 e 2004, foi secretário da administração Juraci Magalhães em Fortaleza. Nas ocasiões em que estava presente nas votações, ficou do lado do governo.
O também tucano Manoel Salviano deixou de participar da votação da taxação dos aposentados e do aumento do salário mínimo em 2004. Os outros dois deputados do PSDB que votaram sempre com o governo nos temas citados acima - Léo Alcântara e Vicente Arruda - também não participaram da decisão sobre o salário mínimo de 2004. (Érico Firmo)
Para o cálculo do nível de governismo dos deputados cearenses, foram considerados os posicionamentos na votação da Reforma da Previdência - tanto no texto principal quanto na votação em separado da taxação de aposentados e pensionistas -, a Lei de Biossegurança, o 2º turno da Reforma Tributária e o aumento do salário mínimo em 2004, quando a oposição propôs a elevação para R$ 275, enquanto o governo propôs R$ 260. No caso da Reforma da Previdência, o acordo entre PT e PSDB fez com que subisse o índice de apoio dos cearenses à proposta governista, mesmo entre os tucanos.
O mais ferrenho opositor de Lula na bancada do Ceará foi, pelo menos nas cinco votações analisadas, Moroni Torgan (PFL). Ele votou quatro vezes contra o governo, e só ficou ao lado de Lula na decisão sobre a Lei de Biossegurança. Outro deputado que não deu vida fácil para Lula foi Gonzaga Mota (PSDB). Ele foi outro que só votou com o governo na aprovação da Lei de Biossegurança. O tucano, contudo, só votou três vezes contra o Planalto, já que não estava presente na decisão sobre o reajuste do salário mínimo em 2004.
O terceiro parlamentar cearense que mais vezes se posicionou contra o governo nas cinco votações mais polêmicas foi João Alfredo (PSol). O curioso é que, em todas as ocasiões das votações analisadas, o deputado estava ainda no PT. Ele deixaria o partido motivado justamente pelas divergências com o Planalto. Alfredo contrariou a posição do governo Lula nas votações do salário mínimo e da Lei de Biossegurança. Os votos com o governo foram para a Reforma Tributária e para a taxação dos aposentados. No texto básico da Reforma da Previdência, ele se absteve.
Entre os principais aliados de Lula no Ceará, Inácio Arruda (PCdoB) nem sempre ficou ao lado do governo. Ele contrariou a orientação do Planalto na votação da Lei de Biossegurança e na taxação dos aposentados e pensionistas - apesar de o deputado do PCdoB ter sido favorável à constitucionalidade da medida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, ter votado a favor do texto global da reforma em dois turnos.
Os percentuais não levam em conta as votações nas quais os deputados estavam ausentes. Entre os tucanos que votaram sempre com o governo, Marcelo Teixeira deixou de participar de três das cinco votações - nas duas decisões sobre a Reforma da Previdência e na Reforma Tributária. Na época, ele estava no PMDB e, entre 2003 e 2004, foi secretário da administração Juraci Magalhães em Fortaleza. Nas ocasiões em que estava presente nas votações, ficou do lado do governo.
O também tucano Manoel Salviano deixou de participar da votação da taxação dos aposentados e do aumento do salário mínimo em 2004. Os outros dois deputados do PSDB que votaram sempre com o governo nos temas citados acima - Léo Alcântara e Vicente Arruda - também não participaram da decisão sobre o salário mínimo de 2004. (Érico Firmo)
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