Viagem & Lazer
TURISMO NÁUTICO
Jangadas ao
vento da Bretânia
Pescadores cearenses se preparam para embarcar rumo à França e mostrar a velejadores do mundo inteiro como comandar uma jangada
04 Mar 2004 - 02h29min
Arredondando, são duas mil embarcações de mais de 20 países, 6 mil voluntários, 15 mil marinheiros, mais de 300 expositores, 1,5 milhão de espectadores. Quer mais números? De 10 a 16 de julho, a mais de 7 mil quilômetros de Fortaleza: este será o Brest 2004, festival bretão que acontece de quatro em quatro anos num cenário de rochedos e fortalezas, no litoral da França.
Três semanas antes de seu início, 16 pescadores cearenses de Itapipoca e Amontada desembarcarão por lá com a tarefa de se aclimatarem a águas cuja temperatura varia entre 15 e 22 graus, já tendo recebido treinamentos sobre técnicas modernas de navegação, sobre a língua e a história francesas. Lá entrarão em contato com o Sindicato de Pescadores locais e experimentarão com eles alguns trabalhos no mar, enquanto esperam pelo menos 14 jangadas novas (algumas feitas como originalmente, em piúba) chegarem desmontadas em três containers no porto de Le Havre, perto do Canal da Mancha.
Alguns paquetes, considerados dos menores barcos do mundo, também farão parte da mostra cearense que, curiosamente, foi idéia empreendida por um português naturalizado brasileiro e que ganha a vida mostrando o que é forró a turistas em Fortaleza. ''Estamos desestatizando esta iniciativa'', afirma Júlio Trindade, que está à frente do Pirata Bar e da produtora Pirata Brasil. Ele estará levando 30 dançarinos e músicos para animar o palco que também receberá o Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Tudo será registrado pelas lentes do cineasta Rosemberg Cariry e pelos fotógrafos Tiago Santana e Celso Oliveira. E, já que o assunto é imagem, também é bom frisar que estarão expostos trabalhos do artista plástico Audifax Rios, sem contar que o Museu Marítimo de Brest estará recebendo por dois meses as famosas fotografias que Chico Albuquerque tirou dos jangadeiros do Mucuripe ainda na década de 1950.
''A jangada é ícone do Ceará e do Nordeste. É uma embarcação mítica. Quando muitos europeus passam perto da costa brasileira, a única coisa que encontram, a milhas e milhas da terra firme, são estes minúsculos barcos e seus bravos homens'', diz.
No festival Brest 2004, aficcionados do Velho Continente poderão ter a chance de encarar até mesmo um mano a mano, tutoriados pelos jangadeiros. Algumas delas serão utilizadas por nomes como Lars Grael, Robert Scheidt e Florence Arthaud numa regata competitiva de cinco dias.
''Queremos lançar a jangada como um meio barato de lazer e competição. A construção de um paquete custa R$ 2 mil, enquanto uma jangada sai entre R$ 10.500 e R$ 12 mil. Além disso, queremos abrir intercâmbio. Temos mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma tradição marítima não divulgada. Poderíamos perfeitamente acolher o turismo náutico'', sugere Trindade.
O empresário há mais de um ano prepara a ida do Ceará à Bretânia e está apostando na curiosidade etnográfica do europeu para fazer o lugar ser conhecido no exterior e também na oportunidade de fechar negócios. Além de provar de nossas comidas típicas, o espectador curioso (ou o brasileiro perdido na França) poderá até mesmo dormir de rede na pousada em forma de oca que a Pirata Brasil Produções vai instalar no festival Brest 2004. ''Servirá para a divulgação da tecelagem artesanal brasileira'', dispara Trindade. A cultura cearense vale ou não vale ouro? (Thaís Aragão)
Três semanas antes de seu início, 16 pescadores cearenses de Itapipoca e Amontada desembarcarão por lá com a tarefa de se aclimatarem a águas cuja temperatura varia entre 15 e 22 graus, já tendo recebido treinamentos sobre técnicas modernas de navegação, sobre a língua e a história francesas. Lá entrarão em contato com o Sindicato de Pescadores locais e experimentarão com eles alguns trabalhos no mar, enquanto esperam pelo menos 14 jangadas novas (algumas feitas como originalmente, em piúba) chegarem desmontadas em três containers no porto de Le Havre, perto do Canal da Mancha.
Alguns paquetes, considerados dos menores barcos do mundo, também farão parte da mostra cearense que, curiosamente, foi idéia empreendida por um português naturalizado brasileiro e que ganha a vida mostrando o que é forró a turistas em Fortaleza. ''Estamos desestatizando esta iniciativa'', afirma Júlio Trindade, que está à frente do Pirata Bar e da produtora Pirata Brasil. Ele estará levando 30 dançarinos e músicos para animar o palco que também receberá o Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Tudo será registrado pelas lentes do cineasta Rosemberg Cariry e pelos fotógrafos Tiago Santana e Celso Oliveira. E, já que o assunto é imagem, também é bom frisar que estarão expostos trabalhos do artista plástico Audifax Rios, sem contar que o Museu Marítimo de Brest estará recebendo por dois meses as famosas fotografias que Chico Albuquerque tirou dos jangadeiros do Mucuripe ainda na década de 1950.
''A jangada é ícone do Ceará e do Nordeste. É uma embarcação mítica. Quando muitos europeus passam perto da costa brasileira, a única coisa que encontram, a milhas e milhas da terra firme, são estes minúsculos barcos e seus bravos homens'', diz.
No festival Brest 2004, aficcionados do Velho Continente poderão ter a chance de encarar até mesmo um mano a mano, tutoriados pelos jangadeiros. Algumas delas serão utilizadas por nomes como Lars Grael, Robert Scheidt e Florence Arthaud numa regata competitiva de cinco dias.
''Queremos lançar a jangada como um meio barato de lazer e competição. A construção de um paquete custa R$ 2 mil, enquanto uma jangada sai entre R$ 10.500 e R$ 12 mil. Além disso, queremos abrir intercâmbio. Temos mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma tradição marítima não divulgada. Poderíamos perfeitamente acolher o turismo náutico'', sugere Trindade.
O empresário há mais de um ano prepara a ida do Ceará à Bretânia e está apostando na curiosidade etnográfica do europeu para fazer o lugar ser conhecido no exterior e também na oportunidade de fechar negócios. Além de provar de nossas comidas típicas, o espectador curioso (ou o brasileiro perdido na França) poderá até mesmo dormir de rede na pousada em forma de oca que a Pirata Brasil Produções vai instalar no festival Brest 2004. ''Servirá para a divulgação da tecelagem artesanal brasileira'', dispara Trindade. A cultura cearense vale ou não vale ouro? (Thaís Aragão)
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