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Veículos

CITROËN C8

Van com jeito de carro

O modelo C8 da Citroën é lançado no mercado brasileiro para agradar a grupo de executivos de empresas ou a famílias numerosas que exigem conforto, segurança e podem pagar bem para isso. A van mais parece um automóvel. De luxo. O preço é em torno de R$ 130 mil

Ana Flávia Eurlan
da Agência Motor Show

28 Abr 2004 - 03h47min

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A Citroën lança no Brasil o modelo C8, uma van que deixa o aspecto de simples utilitário para investir em itens de segurança e em muitos equipamentos de série
A montadora é a mesma, mas a van... quanta diferença! É surpreendente a evolução do C8 em relação à Evasion, pelo menos no que diz respeito ao design e à habitabilidade. As diferenças saltam aos olhos. Os conceitos modernos, as lanternas verticais e os faróis que lembram os dos novos Citroën, se não serviram para deixar o modelo bonito, ao menos foram suficientes para distanciar a van do óbvio e desagradável aspecto utilitário.

O C8 tem cara de automóvel, parece até um Picasso grandalhão. Só isso já é um ponto muito positivo em se tratando desse tipo de veículo. E é fácil notar que essa preocupação se estendeu por todo o carro. Cada parte do C8 foi muito bem cuidada, planejada. Os revestimentos são da melhor qualidade, a lista de equipamentos de série é bem recheada e a segurança foi uma premissa do projeto. E as inovações não param por aí.

A primeira surpresa está na porta lateral corrediça, que tem abertura automática. Basta puxar a maçaneta e o sistema elétrico se encarrega de abrir o habitáculo, o que pode ser feito também de dentro do carro ou através da chave, de forma remota, mas sempre com o veículo parado.

Na parte de trás, vão cinco ocupantes muito bem servidos de espaço, com controles extras de ar-condicionado, cortinas em todas as janelas e película refletiva. Os bancos individuais podem ser rebatidos (em uma operação que exige até mesmo uma certa dose de força) e todos viram mesas de apoio aos demais passageiros. Na terceira fileira, onde se encontram os dois bancos extras, o conforto não é absoluto, mas serve bem para facilitar a vida das grandes famílias. A queixa fica apenas com a flexibilidade dos assentos, que poderia ser maior, a exemplo do sistema utilizado nas minivan da GM.

Na frente, impressiona o belíssimo painel em forma de ponte que, além de liberar espaço para os porta-objetos e de acabar com a sensação incômoda de que o pára-brisa está longe demais, permite que a claridade invada o habitáculo sem ofuscar a leitura dos instrumentos. Logo abaixo, ficam o computador de bordo e os controles do som, idênticos aos do Picasso. As informações da marcha engatada, o hodômetro e as setas aparecem em um display digital acoplado ao volante.

Reconhecidas as novas ordens dentro do habitáculo, o encantamento é inevitável, mas é hora de dar a partida e... Onde é que está o freio de mão? Pode levar alguns minutos até que se descubra que a alavanca está posicionada à esquerda do banco do motorista. O recurso, válido por permitir uma maior circulação entre os bancos, poderia ter se limitado ao tradicional engate no pé. Seria menos complicado e surtiria o mesmo efeito. Mas, de qualquer forma, vale pelo charme. Aliás, os comandos do ar-condicionado, apesar de bastante modernos são outro exemplo de exagero, que acabou dificultando mais do que auxiliando a vida de quem vai a bordo. Uma vida prazerosa é bem verdade. A carroceria balança menos do que o esperado e o nível de ruído foi mantido dentro de parâmetros de conforto.

Dada a partida, o propulsor 2.0 16V de 138 cv e 20 kgfm de torque que equipa com certo brilhantismo modelos como C5 e Picasso mostra-se insuficiente para impulsionar com destreza um carro com mais de 1.600 kg. Não há muito o que se possa fazer com uma relação peso/potência de 11,6 kg/cv. Mesmo com o bom torque específico do motor, com a eficiente transmissão automática de quatro marchas, que se adapta à forma de condução do motorista e oferece a opção das trocas manuais seqüenciais... Mesmo assim, tanto a aceleração quanto as retomadas de velocidade deixam a desejar.



FICHA TÉCNICA

Citroën C8

Vel. Máxima 193 km/h
0-100 km/h 12,1
Consumo ND
Preço estimado R$ 130.000

Motor
Dianteiro, aspirado, gasolina, quatro cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro. Cilindrada: 1.997 cmß; Potência: 138 cv a 6.000 rpm. Torque: 20 kgfm a 4.100 rpm.

Transmissão
Câmbio automático seqüencial, 4 marchas, tração dianteira

Suspensão
Dianteira: independente, tipo MacPherson, molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Traseira: eixo com travessa deformável, braços lonfitudinais, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.

Freios
Disco ventilado nas quatro rodas com ABS, EBD e AFU

Direção
Hidráulica, pinhão e cremalheira.

Carroceria
monovolume, tipo van, 4 portas, 7 lugares. Comprimento: 4.73 m; largura: 2,19 m; altura: 1.75 m. Peso: 1.675 kg. Porta-malas: 225 a 1600 litros (com cinco ocupantes). Rodas: 15. Pneus: 215/65 R15

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