Vida & Arte
CEARÁ MUSIC
Em campo minado
Uma das atrações do Palco Brasilis, os Engenheiros do Hawaii apresentam o repertório de seu novo CD e resgatam antigos sucessos
08 Out 2003 - 22h00min
Velhos conhecidos do público cearense, os Engenheiros do Hawaii participam hoje à noite da abertura da terceira edição do Ceará Music. Na bagagem, a banda gaúcha traz alguns dos sucessos cultivados ao longo de quase vinte anos de carreira - o grupo foi fundado em 1984, numa faculdade de arquitetura de Porto Alegre -, além das músicas do repertório do novo CD, Dançando no Campo Minado, o 15º na discografia de Humberto Gessinger e cia.
''Ele é um amadurecimento do disco passado, Surfando karmas e DNA. As sementes que estavam no Surfando... ficaram mais explícitas nesse disco, com uma sonoridade mais à base de guitarra, baixo, bateria, sem muitos enfeites'', explica Humberto por telefone em entrevista ao Vida & Arte. O novo trabalho é o terceiro CD da mais recente formação da banda: Paulinho Galvão (guitarra), Bernardo Fonseca (contrabaixo), Glaucio Ayala (bateria), além, claro, de Gessinger, que se desdobra entre vocais, guitarra, violão, harmônica e teclados.
Ao longo de quase duas décadas de estrada, os Engenheiros já contaram com outras quatro formações. O próprio Gessinger, único a figurar em todas elas, não sabe explicar tamanha rotatividade. ''É meio difícil responder, cada integrante teve o seu motivo para sair. Só acho que sou bem fiel ao tipo de som dos Engenheiros'', afirma. Um dos ex-integrantes, o baterista Carlos Maltz dividiu a autoria de uma das músicas do novo CD, ''Segunda-feira Blues'', em que também participa dos vocais.
Em pouco mais de quinze minutos de conversa, Humberto falou desse reencontro, do novo CD, de sua fidelidade ao que considera o som da banda e da nova apresentação no Ceará Music. ''Em Fortaleza, a gente tem um público bem bacana, que até me surpreende. Ficamos um tempo sem tocar aí, no fim dos anos 90, acho que entre 94 e 99, e quando a gente voltou, todo ano foi a maior surpresa, tinha um público super-renovado do Engenheiros'', diz. (Felipe Araújo)
O POVO - Como vai ser a apresentação do Engenheiros no Ceará Music?
Humberto Gessinger - Nós estamos lançando um novo disco, Dançando no Campo Minado. A gente está na estrada com ele e é esse o show que a gente está levando para o festival. Pouco mais da metade das canções vão ser do disco novo e entre elas a gente também vai tocar uns sucessos mais antigos.
OP - Esse é o terceiro ano em que vocês participam do Ceará Music. Como vêm sendo as apresentações de vocês no festival? Como você avalia o Ceará Music dentro do contexto dos outros festivais que acontecem pelo País?
HG -O Ceará Music está no time dos festivais de primeiro nível do País. Eu acho fundamental um festival como esse para avaliar a história da cena. Ali, a galera vê várias bandas juntas e acho que através dos festivais é que você pode ter uma idéia mais ou menos do que está rolando. Isso é muito legal. É meio como se fosse marco de estrada. E confrontar a história da banda com a história da cena é muito legal, você vê a evolução das bandas. Em Fortaleza, a gente tem um público bem bacana, que até me surpreende. A gente tocava muito aí no final dos anos 80 e início dos anos 90. Mas ficamos um tempo sem tocar aí, no fim dos anos 90, acho que entre 94 e 99, e quando a gente voltou, todo ano foi a maior surpresa, tinha um público super-renovado do Engenheiros. Então, para a gente é um prazer tocar no Ceará Music.
OP - O que o Dançando no Campo Minado representa dentro da carreira do Engenheiros? De que maneira ele dialoga com os outros discos da banda?
HG -Acho que ele é um amadurecimento do disco passado, Surfando karmas e DNA. A gente ficou na estrada e amadureceu bastante essa nova formação, com o Paulinho, o Bernardo e o Glaucio. Acho que o Dançando... é o reflexo desse amadurecimento. As sementes que estavam no Surfando... ficaram mais explícitas nesse disco, com uma sonoridade mais à base de guitarra, baixo, bateria, sem muitos enfeites. Bem direto e com uma sonoridade mais pesada. As pessoas estranham quando digo que é um disco conceitual, mas é que eu o vejo como uma única longa música. Gosto de pensar nele como uma longa canção de 40 minutos.
OP - Como foi a parceria com o Carlos Maltz? Como se deu esse reencontro?
HG -É muito legal compor com ele. No Surfando... a gente já tinha uma parceria e ficou escrevendo junto. É bem legal, eu aprendo muito conversando com ele e tê-lo como parceiro é bem bacana. O curioso é que enquanto ele esteve no Engenheiros a gente nunca compôs junto. Agora, a gente está tendo essa parceria. Ele é um cara fundamental na história do Engenheiros porque foi o cara que montou a banda comigo. Basicamente, vejo duas formações na história do Engenheiros, enquanto ele tocou com a gente e depois que ele saiu.
OP - Por falar nisso, foram quantas formações até hoje?
HG - Essa é... (pausa) Essa é a quinta formação.
OP - E por que foram tantas formações?
HG -Essa é a grande pergunta (risos). É meio difícil responder porque cada integrante teve o seu motivo para sair. Portanto, não consigo saber direito qual o motivo para tantas formações. Só acho que sou bem fiel ao tipo de som que eu achava que podia fazer, ao som dos Engenheiros. Às vezes, eu mesmo me surpreendo com essas mudanças porque não acho que o som dos Engenheiros tenha mudado muito. Vejo essas formações mais como uma continuidade do que como uma ruptura.
OP - Ao longo desse tempo, vocês sempre mantiveram uma linha eminentemente mais voltada para o rock. Nos anos 90, outras bandas e mesmo algumas ligadas à geração dos anos 80, procuraram o diálogo com outros ritmos. Vocês não, vocês seguiram mais ou menos a mesma trilha sempre. Como é que você avalia a trajetória do Engenheiros sob esse ponto de vista?
HG - Como eu estava te falando, vejo mais como uma continuidade, como um amadurecimento. Na maneira como vejo a arte, acho que esse lance de ficar explorando caminhos é uma ilusão. Gosto mais das bandas que procuram se aprofundar no som que fazem do que daquelas bandas que tentam explorar várias coisas ao tempo todo. O Engenheiros se manteve sempre muito fiel ao seu som nesse sentido.
O FESTIVAL HOJE
16h30 - Blues Label (CE) - Palco Jazz e Blues
17h30 - Djamba (CE) - Palco Brasilis
18h - Matutaia (CE) - Palco Nativo
18h30 - Detonautas (RJ) - Palco Brasilis
19h - Suazo (Argentina) - Tribo Eletrônica I
19h - UltraVioleta (CE) - Palco Jazz e Blues
19h30 - Som da Rua (RJ) - Palco Nativo
20h - Engenheiros do Hawai (RS/SP) - Palco Brasilis
21h - Mano Crispin (PI) - Palco Nativo
21h30 - Paralamas do Sucesso (DF/RJ) - Palco Brasilis
21h30 - Germano (CE) - Tribo Eletrônica I
21h30h - Marajazz (CE) - Palco Jazz e Blues
22h - Kani (CE) - Tribo Eletrônica II
22h30 - Renegados (CE) - Palco Nativo
23h - O Rappa (RJ) - Palco Brasilis
0h - Alliance (CE) - Palco Nativo
0h - Fil (CE) - Tribo Eletrônica I
0h - Mantrix (CE) - Tribo Eletrônica II
0h30 - Shaman (SP) - Palco Brasilis
2h - Wrecked Machine (SP) - Tribo Eletrônica II
2h30 - Lukas (SP) - Tribo Eletrônica I
SERVIÇO
Ceará Music 2003 - Terceira edição do festival que reúne bandas e DJs nacionais e locais. De hoje a domingo (12/10) no Marina Park Hotel (Av. Leste Oeste, 400 - Moura Brasil), sempre a partir das 17h30 - os portões abrem às 16h. Preços: Cartão Brazuca (4 Dias) - Meia: R$ 118,00, Inteira: R$ 236,00; Trio Music (3 Dias) - Meia: R$ 98,00, Inteira: R$ 196,00: Individual (1 Dia) - Meia: R$ 40,00, Inteira: R$ 80,00. À venda no stand do festival no Iguatemi, da Coca-Cola no North Shopping e nas lojas BR Mania dos Postos BR. Informações pelo tel.: (85) 227.1917 ou pelo site www.cearamusic.com.br
''Ele é um amadurecimento do disco passado, Surfando karmas e DNA. As sementes que estavam no Surfando... ficaram mais explícitas nesse disco, com uma sonoridade mais à base de guitarra, baixo, bateria, sem muitos enfeites'', explica Humberto por telefone em entrevista ao Vida & Arte. O novo trabalho é o terceiro CD da mais recente formação da banda: Paulinho Galvão (guitarra), Bernardo Fonseca (contrabaixo), Glaucio Ayala (bateria), além, claro, de Gessinger, que se desdobra entre vocais, guitarra, violão, harmônica e teclados.
Ao longo de quase duas décadas de estrada, os Engenheiros já contaram com outras quatro formações. O próprio Gessinger, único a figurar em todas elas, não sabe explicar tamanha rotatividade. ''É meio difícil responder, cada integrante teve o seu motivo para sair. Só acho que sou bem fiel ao tipo de som dos Engenheiros'', afirma. Um dos ex-integrantes, o baterista Carlos Maltz dividiu a autoria de uma das músicas do novo CD, ''Segunda-feira Blues'', em que também participa dos vocais.
Em pouco mais de quinze minutos de conversa, Humberto falou desse reencontro, do novo CD, de sua fidelidade ao que considera o som da banda e da nova apresentação no Ceará Music. ''Em Fortaleza, a gente tem um público bem bacana, que até me surpreende. Ficamos um tempo sem tocar aí, no fim dos anos 90, acho que entre 94 e 99, e quando a gente voltou, todo ano foi a maior surpresa, tinha um público super-renovado do Engenheiros'', diz. (Felipe Araújo)
O POVO - Como vai ser a apresentação do Engenheiros no Ceará Music?
Humberto Gessinger - Nós estamos lançando um novo disco, Dançando no Campo Minado. A gente está na estrada com ele e é esse o show que a gente está levando para o festival. Pouco mais da metade das canções vão ser do disco novo e entre elas a gente também vai tocar uns sucessos mais antigos.
OP - Esse é o terceiro ano em que vocês participam do Ceará Music. Como vêm sendo as apresentações de vocês no festival? Como você avalia o Ceará Music dentro do contexto dos outros festivais que acontecem pelo País?
HG -O Ceará Music está no time dos festivais de primeiro nível do País. Eu acho fundamental um festival como esse para avaliar a história da cena. Ali, a galera vê várias bandas juntas e acho que através dos festivais é que você pode ter uma idéia mais ou menos do que está rolando. Isso é muito legal. É meio como se fosse marco de estrada. E confrontar a história da banda com a história da cena é muito legal, você vê a evolução das bandas. Em Fortaleza, a gente tem um público bem bacana, que até me surpreende. A gente tocava muito aí no final dos anos 80 e início dos anos 90. Mas ficamos um tempo sem tocar aí, no fim dos anos 90, acho que entre 94 e 99, e quando a gente voltou, todo ano foi a maior surpresa, tinha um público super-renovado do Engenheiros. Então, para a gente é um prazer tocar no Ceará Music.
OP - O que o Dançando no Campo Minado representa dentro da carreira do Engenheiros? De que maneira ele dialoga com os outros discos da banda?
HG -Acho que ele é um amadurecimento do disco passado, Surfando karmas e DNA. A gente ficou na estrada e amadureceu bastante essa nova formação, com o Paulinho, o Bernardo e o Glaucio. Acho que o Dançando... é o reflexo desse amadurecimento. As sementes que estavam no Surfando... ficaram mais explícitas nesse disco, com uma sonoridade mais à base de guitarra, baixo, bateria, sem muitos enfeites. Bem direto e com uma sonoridade mais pesada. As pessoas estranham quando digo que é um disco conceitual, mas é que eu o vejo como uma única longa música. Gosto de pensar nele como uma longa canção de 40 minutos.
OP - Como foi a parceria com o Carlos Maltz? Como se deu esse reencontro?
HG -É muito legal compor com ele. No Surfando... a gente já tinha uma parceria e ficou escrevendo junto. É bem legal, eu aprendo muito conversando com ele e tê-lo como parceiro é bem bacana. O curioso é que enquanto ele esteve no Engenheiros a gente nunca compôs junto. Agora, a gente está tendo essa parceria. Ele é um cara fundamental na história do Engenheiros porque foi o cara que montou a banda comigo. Basicamente, vejo duas formações na história do Engenheiros, enquanto ele tocou com a gente e depois que ele saiu.
OP - Por falar nisso, foram quantas formações até hoje?
HG - Essa é... (pausa) Essa é a quinta formação.
OP - E por que foram tantas formações?
HG -Essa é a grande pergunta (risos). É meio difícil responder porque cada integrante teve o seu motivo para sair. Portanto, não consigo saber direito qual o motivo para tantas formações. Só acho que sou bem fiel ao tipo de som que eu achava que podia fazer, ao som dos Engenheiros. Às vezes, eu mesmo me surpreendo com essas mudanças porque não acho que o som dos Engenheiros tenha mudado muito. Vejo essas formações mais como uma continuidade do que como uma ruptura.
OP - Ao longo desse tempo, vocês sempre mantiveram uma linha eminentemente mais voltada para o rock. Nos anos 90, outras bandas e mesmo algumas ligadas à geração dos anos 80, procuraram o diálogo com outros ritmos. Vocês não, vocês seguiram mais ou menos a mesma trilha sempre. Como é que você avalia a trajetória do Engenheiros sob esse ponto de vista?
HG - Como eu estava te falando, vejo mais como uma continuidade, como um amadurecimento. Na maneira como vejo a arte, acho que esse lance de ficar explorando caminhos é uma ilusão. Gosto mais das bandas que procuram se aprofundar no som que fazem do que daquelas bandas que tentam explorar várias coisas ao tempo todo. O Engenheiros se manteve sempre muito fiel ao seu som nesse sentido.
O FESTIVAL HOJE
16h30 - Blues Label (CE) - Palco Jazz e Blues
17h30 - Djamba (CE) - Palco Brasilis
18h - Matutaia (CE) - Palco Nativo
18h30 - Detonautas (RJ) - Palco Brasilis
19h - Suazo (Argentina) - Tribo Eletrônica I
19h - UltraVioleta (CE) - Palco Jazz e Blues
19h30 - Som da Rua (RJ) - Palco Nativo
20h - Engenheiros do Hawai (RS/SP) - Palco Brasilis
21h - Mano Crispin (PI) - Palco Nativo
21h30 - Paralamas do Sucesso (DF/RJ) - Palco Brasilis
21h30 - Germano (CE) - Tribo Eletrônica I
21h30h - Marajazz (CE) - Palco Jazz e Blues
22h - Kani (CE) - Tribo Eletrônica II
22h30 - Renegados (CE) - Palco Nativo
23h - O Rappa (RJ) - Palco Brasilis
0h - Alliance (CE) - Palco Nativo
0h - Fil (CE) - Tribo Eletrônica I
0h - Mantrix (CE) - Tribo Eletrônica II
0h30 - Shaman (SP) - Palco Brasilis
2h - Wrecked Machine (SP) - Tribo Eletrônica II
2h30 - Lukas (SP) - Tribo Eletrônica I
SERVIÇO
Ceará Music 2003 - Terceira edição do festival que reúne bandas e DJs nacionais e locais. De hoje a domingo (12/10) no Marina Park Hotel (Av. Leste Oeste, 400 - Moura Brasil), sempre a partir das 17h30 - os portões abrem às 16h. Preços: Cartão Brazuca (4 Dias) - Meia: R$ 118,00, Inteira: R$ 236,00; Trio Music (3 Dias) - Meia: R$ 98,00, Inteira: R$ 196,00: Individual (1 Dia) - Meia: R$ 40,00, Inteira: R$ 80,00. À venda no stand do festival no Iguatemi, da Coca-Cola no North Shopping e nas lojas BR Mania dos Postos BR. Informações pelo tel.: (85) 227.1917 ou pelo site www.cearamusic.com.br
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