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Vida & Arte

COMEMORAÇÃO

A música em sintonia

Hoje, dia da Música, além de ser comemorado com muitos acordes em Fortaleza, é a oportunidade para que os músicos e profissionais da área sejam chamados a participar mais ativamente das discussões que estão ocorrendo em vários estados simultaneamente, sobre as principais demandas da área e as possíveis soluções junto ao Ministério da Cultura

Benedito Teixeira
Especial para O POVO

22 Nov 2004 - 03h16min

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Há 72 anos, o Dia da Música é comemorado no Brasil no dia 22 de novembro. Mas este 22 de novembro de 2004 tem um gostinho especial para quem faz, vive e quer viver de música no Ceará. O sentimento de uma parte da categoria é que a música cearense pode começar a ganhar, oficialmente, um pouco mais de atenção do poder público.

O ponto alto do Dia da Música - instituído em homenagem ao Dia de Santa Cecília, padroeira internacional dos músicos -promete, além de muitos acordes, ser o chamado para que músicos e profissionais da área se juntem com o objetivo de discutir as demandas do setor e propor soluções. Uma reunião está marcada para o dia 29, às 19h, no auditório do Centro Dragão do Mar. Essa iniciativa da Comissão de Música (parte do Fórum Cearense de Música, que congrega profissionais ligados ao setor) visa não só à comemoração, promovendo o encontro informal dos artistas numa celebração ao Dia da Música, mas também criar espaços para mobilização e articulação dos artistas, produtores e todos envolvidos.

A professora do curso de Música da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e coordenadora do Núcleo de Capacitação do Dragão do Mar, Consiglia Latorre, afirma que a Festa da Música, que acontecerá, a partir das 19h, no palco sob a passarela do Dragão do Mar, será uma oportunidade para que o chamado, feito pela comissão do Fórum Cearense da Música, se estenda a grande parte da categoria.

Uma das maiores deficiências para o setor, segundo a avaliação do músico, produtor fonográfico e integrante do Fórum, Ivan Ferraro, é que o pessoal é pouco engajado. ''Os músicos estão mais preocupados em conseguir trabalho e o Ceará ainda está muito distante das questões que estão sendo discutidas em outros estados e com o Ministério da Cultura'', diz.

Consiglia explica que a intenção é formar 12 grupos para que cada um discuta uma determinada demanda, como já estão começando a fazer outros estados. Esses grupos de todo o País cruzarão suas informações e daí também sairão os representantes das câmaras setoriais de música que o Ministério da Cultura está criando.

A função dessas câmaras é subsidiar o ministro Gilberto Gil na elaboração de políticas para o setor. Elas funcionarão como um conselho consultivo formado por representantes do governo, da sociedade civil e agentes econômicos. ''A iniciativa pressupõe que artistas, produtores e empresários sejam capazes de elaborar, de forma organizada, não só o diagnóstico dos problemas do setor, mas o perfil das soluções que possam caracterizar as políticas públicas para a música no Brasil'', afirmou o secretário executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, em Salvador, na última quarta-feira.

A Comissão de Música do Fórum Cearense de Música afirma que a iniciativa reunir os profissionais visa a discutir e sugerir propostas ao Ministério relativas a temas como educação musical, comercialização e distribuição (marketing, mercado e pirataria), fomento (leis de incentivo, programas de apoio e fomento, financiamentos diversos), questão trabalhista (sindicatos, mudanças na Lei 3.857, de 1960, que rege a profissão de músico e criou a OMB - Ordem dos Músicos do Brasil), direito autoral (associações de direito - Ecad), difusão externa e difusão Interna (circulação e formação de público).

Juca Ferreira informou ainda que será criado o Conselho Nacional de Políticas Culturais, abrigando as câmaras setoriais, que também poderão formar sub-câmaras, subsidiadas por grupos de trabalho, fóruns e consultas públicas. Até o mês de dezembro, o Ministério da Cultura deverá publicar as portarias de criação das câmaras, assim como a composição e o cronograma inicial de trabalho. Haverá um site para o acompanhamento das discussões. Seis meses é o prazo para e as câmaras concluam seus trabalhos e apresentem ao Ministério.

O professor de Música da Uece Eriberto Porto só alerta para que essas iniciativas não acabem burocratizando ainda mais a produção musical e os incentivos. ''É preciso haver políticas mais diretas, fáceis e imediatas de incentivar a produção musical'', acrescenta o regente de corais Luiz Carlos Prata. Segundo ele, é a primeira vez em muito tempo que ele vê a categoria de fato tentando se aglutinar e discutir o cenário musical do Estado. O POVO procurou o presidente da OMB no Ceará, Tony Maranhão, pelo telefone da entidade e pelo celular, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição.

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