Vida & Arte
CINEMA
Batman fiel aos quadrinhos
O novo filme do herói o melhor que já chegou às telas. O diretor Christopher Nolan acertou em cheio
Claude Bornél
Da Redação
20 Jun 2005 - 01h47min
O mérito de Batman Begins não está no elenco de grandes estrelas, no bom roteiro ou na direção afiada de Christopher Nolan. Nem nos efeitos especiais ou no fato do homem-morcego, desta vez, usar um uniforme que lhe permite mexer o pescoço. Sua maior qualidade é ter seguido a receita elaborada pela franquia X-Men, e aprimorada pela do Homem-Aranha. Humanizar o personagem e torná-lo fiel ao espírito das histórias em quadrinhos. Ainda que mexendo uma coisinha aqui, alterando outra ali.
No primeiro Batman (1989), de Tim Burton, por exemplo, mexeu-se bem mais do que em uma simples ''besteirinha''. O Coringa foi apresentado como assassino dos pais de Bruce Wayne, enquanto nos gibis eles são mortos por um bandido comum. O vilão morre no final, mas originalmente isso só acontece no clássico O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Embora hoje seja considerado o melhor dos quatro primeiros filmes, não deixou de cometer erros imperdoáveis.
Foram necessários quatro longas, muitos milhões de dólares e uma legião de fãs frustrados até que a saga do personagem começasse a ser contada direito. E é o que de fato acontece desta vez.
Bruce Wayne (Christian Bale) é mostrado primeiro como uma figura atormentada, deseqüilibrada e obsecada por vingar os pais. Esse sentimento o faz chegar a Ra’s al Ghul (Ken Watanabe), comandante da subversiva Liga das Sombras. Ali, Bruce é treinado pelo misterioso Ducard (Liam Neeson) nas artes de combate e aprende como funciona a mente criminosa.
Liam Neeson soa como o mestre jedi Qui-Gon Jinn que interpretou em Star Wars - Ameaça Fantasma. Mas a diferença é que Ducard quer levar Bruce para o lado sombrio da força, sob o discurso de o estar conduzindo para o lado do bom. E é aí que o filme começa a provar seu valor. Mostra que não fica restrito à leitura do herói combatente do crime.
O filme também pode ser lido como a redescoberta da figura paterna pelo filho, cujo amor lhe dá segurança para fazer as escolhas certas. Mesmo na falta dos pais. Mesmo ainda confuso, sem saber direito quem realmente é.
A interpretação de Bale surpreende positivamente. Ao contrário dos antecessores (Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney), ele dá vidas próprias a Bruce e a Batman. Mais que isso, o ator consegue ainda interpretar um terceiro personagem: o Bruce playboy e irresponsável que serve de fachada para a veia altruísta do milionário e a justiceira do homem-morcego. Michael Caine, na pele do filel mordomo Alfred, sabe dosar a emoção quando preciso e responde pelas piadas que suavizam o personagem.
Apesar do acerto na narrativa e na escolha dos atores, Batman Begins também toma seus socos no estômago. Um deles é o herói não resistir em revelar a identidade secreta para conquistar a mocinha Rachel Dawes (Katie Holmes). Outro é o detetive James Gordon (Gary Oldman), que aprende a pilotar e a usar as armas do batmóvel, em questão de minutos. O Espantalho (Cillian Murphy) merecia um final menos banal. Sobretudo depois do marcante primeiro encontro com Batman. Além disso, o excesso de frases feitas e clichês fazem o filme perder ritmo em alguns momentos.
Pesando na balança, os pontos fortes do filme se sobressaem, e muito, aos pontos fracos. A sensação para os fãs é de identificação. De já terem visto muitas daquelas cenas em graphic novels como O Filho do Demônio (de Mike W. Barr e Jerry Bingham), Batman Ano Um (Frank Miller) e A Piada Mortal (Alan Moore e Brian Bolland).
O filme agrega elementos ao homem-morcego sem distorcer suas raízes. Conta uma nova história de uma história já conhecida, quase propondo que se faça uma graphic novel baseada no filme. Sugere que a continuação vai corrigir de um dos pecados mortais cometidos nos outros longas.
Mas Batman Begins não é só para aficionados por quadrinhos. É entretenimento que envolve e cativa mesmo quem não tem familiaridade com o personagem. Dá vontade de rever, pelo menos, mais três vezes. Nem que seja para apagar, definitivamente da memória, os quatro fiascos anteriores.
SERVIÇO
BATMAN BEGINS (EUA, 2005) De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Morgan Freeman, Gary Oldman, Michael Caine, Katie Holmes, Liam Neeson, Tom Wilkinson, Rutger Hauer e Ken Watanabe. 140min. No Multiplex Iguatemi 1, às 14h25, 17h20 e 20h15; Multiplex Iguatemi 2, às 15h25, 18h20 e 21h15; Multiplex Iguatemi 8, às 14h55, 17h50 e 20h45; Cine Benfica 3, às 13h10, 15h50, 18h30 e 21h10; North Shopping 2, às 13h, 15h40, 18h20 e 21h; Cine São Luiz, às 15h, 17h50 e 20h40; Cine Aldeota 2, às 15h30, 18h10 e 21h. 10 anos.
No primeiro Batman (1989), de Tim Burton, por exemplo, mexeu-se bem mais do que em uma simples ''besteirinha''. O Coringa foi apresentado como assassino dos pais de Bruce Wayne, enquanto nos gibis eles são mortos por um bandido comum. O vilão morre no final, mas originalmente isso só acontece no clássico O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Embora hoje seja considerado o melhor dos quatro primeiros filmes, não deixou de cometer erros imperdoáveis.
Foram necessários quatro longas, muitos milhões de dólares e uma legião de fãs frustrados até que a saga do personagem começasse a ser contada direito. E é o que de fato acontece desta vez.
Bruce Wayne (Christian Bale) é mostrado primeiro como uma figura atormentada, deseqüilibrada e obsecada por vingar os pais. Esse sentimento o faz chegar a Ra’s al Ghul (Ken Watanabe), comandante da subversiva Liga das Sombras. Ali, Bruce é treinado pelo misterioso Ducard (Liam Neeson) nas artes de combate e aprende como funciona a mente criminosa.
Liam Neeson soa como o mestre jedi Qui-Gon Jinn que interpretou em Star Wars - Ameaça Fantasma. Mas a diferença é que Ducard quer levar Bruce para o lado sombrio da força, sob o discurso de o estar conduzindo para o lado do bom. E é aí que o filme começa a provar seu valor. Mostra que não fica restrito à leitura do herói combatente do crime.
O filme também pode ser lido como a redescoberta da figura paterna pelo filho, cujo amor lhe dá segurança para fazer as escolhas certas. Mesmo na falta dos pais. Mesmo ainda confuso, sem saber direito quem realmente é.
A interpretação de Bale surpreende positivamente. Ao contrário dos antecessores (Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney), ele dá vidas próprias a Bruce e a Batman. Mais que isso, o ator consegue ainda interpretar um terceiro personagem: o Bruce playboy e irresponsável que serve de fachada para a veia altruísta do milionário e a justiceira do homem-morcego. Michael Caine, na pele do filel mordomo Alfred, sabe dosar a emoção quando preciso e responde pelas piadas que suavizam o personagem.
Apesar do acerto na narrativa e na escolha dos atores, Batman Begins também toma seus socos no estômago. Um deles é o herói não resistir em revelar a identidade secreta para conquistar a mocinha Rachel Dawes (Katie Holmes). Outro é o detetive James Gordon (Gary Oldman), que aprende a pilotar e a usar as armas do batmóvel, em questão de minutos. O Espantalho (Cillian Murphy) merecia um final menos banal. Sobretudo depois do marcante primeiro encontro com Batman. Além disso, o excesso de frases feitas e clichês fazem o filme perder ritmo em alguns momentos.
Pesando na balança, os pontos fortes do filme se sobressaem, e muito, aos pontos fracos. A sensação para os fãs é de identificação. De já terem visto muitas daquelas cenas em graphic novels como O Filho do Demônio (de Mike W. Barr e Jerry Bingham), Batman Ano Um (Frank Miller) e A Piada Mortal (Alan Moore e Brian Bolland).
O filme agrega elementos ao homem-morcego sem distorcer suas raízes. Conta uma nova história de uma história já conhecida, quase propondo que se faça uma graphic novel baseada no filme. Sugere que a continuação vai corrigir de um dos pecados mortais cometidos nos outros longas.
Mas Batman Begins não é só para aficionados por quadrinhos. É entretenimento que envolve e cativa mesmo quem não tem familiaridade com o personagem. Dá vontade de rever, pelo menos, mais três vezes. Nem que seja para apagar, definitivamente da memória, os quatro fiascos anteriores.
SERVIÇO
BATMAN BEGINS (EUA, 2005) De Christopher Nolan. Com Christian Bale, Morgan Freeman, Gary Oldman, Michael Caine, Katie Holmes, Liam Neeson, Tom Wilkinson, Rutger Hauer e Ken Watanabe. 140min. No Multiplex Iguatemi 1, às 14h25, 17h20 e 20h15; Multiplex Iguatemi 2, às 15h25, 18h20 e 21h15; Multiplex Iguatemi 8, às 14h55, 17h50 e 20h45; Cine Benfica 3, às 13h10, 15h50, 18h30 e 21h10; North Shopping 2, às 13h, 15h40, 18h20 e 21h; Cine São Luiz, às 15h, 17h50 e 20h40; Cine Aldeota 2, às 15h30, 18h10 e 21h. 10 anos.
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