Vida & Arte
ENTREVISTA
Entre projetos e farpas
O cineasta e diretor do Cine Ceará, Wolney Oliveira, comenta sobre o novo perfil adotado pelo festival, que passa a ser ibero-americano em sua 16ª edição. Em entrevista ao O POVO, Wolney analisa a atual situação do audiovisual cearense
27 Mai 2006 - 17h58min
Segundo Wolney, a produção de longas-metragens é a grande deficiência do audiovisual cearense, bem como a distribuição. "Acho que é mais um problema de visão do que de recursos. Você não pode ter política que exclua longa. O curta-metragem é a escola do longa. Logicamente o retorno que o longa-metragem dá é maior, porque o curta só tem espaço em festival", argumenta. Em entrevista à reportagem de O POVO, Wolney Oliveira fala sobre o novo perfil do Cine Ceará, analisa a atual situação do audiovisual cearense e comenta sobre o funcionamento do Cine Benjamin Abrahão, na Casa Amarela (Camila Vieira).
Neste ano, o Cine Ceará torna-se ibero-americano. De que maneira tal postura reflete na condução política do festival? A iniciativa irá se prolongar nos próximos anos?
No ano passado, o festival completou 15 anos como festival consolidado. No meu ver, o evento cultural mais importante do Estado e o único evento que dá visibilidade nacional ao Estado até pelo nome Ceará estar incorporado ao evento. Nós temos 120 festivais de cinema espalhados no Brasil. A tendência é aumentar, porque o cinema brasileiro tem um espaço muito pequeno no circuito comercial. E também como efeito da democratização dos acessos aos recursos da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual, que no período do Fernando Henrique era um desastre, mas no governo Lula mudou totalmente. Até 2002, nós não tínhamos o apoio de nenhuma estatal no Cine Ceará. Meu primeiro longa não teve nenhum centavo de estatal. O Minerva é Nome de Mulher, cuja produção começou no governo Lula, nós temos recursos do BNDES, Furnas, Eletrobrás e Correios. Quatro estatais estão nesse projeto de R$ 3 milhões, que injetou na economia do Estado R$ 1,5 milhão. Até o final de 2002, 85% dos recursos da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual eram concentrados no Sudeste, basicamente Rio de Janeiro e São Paulo. Essa concentração caiu para 47%. Isso quer dizer que o Acre acabou de inaugurar uma usina de comunicação e artes, que tem a área de cinema, que o Maurice Capovilla está dirigindo. As ABDs (Associação Brasileira de Documentaristas) já estão em todo território brasileiro. Está tendo um ressurgimento de cineclubismo. Acho que o número de festivais gira muito em torno disso. O Cine Ceará cresce no momento certo. Ser ibero-americano não é gratuito. Está em cima da nossa experiência como ex-alunos da Escola de Cinema de Cuba e também do Ceará como pólo produtor de audiovisual do país. O Cine Ceará definitivamente assume o perfil político de defender o cinema brasileiro.
Acho que aconteceu uma coisa muito boa: a reorganização política do cinema brasileiro. Há cinco ou seis anos, nós tínhamos duas grandes entidades de classe cinematográficas: a Apaci (Associação Paulista de Cineastas) e a Abraci (Associação Brasileira de Cineastas), que é carioca. Surgiram a Aprocine (Associação de Produtores de Cinema de Brasília), a APCNN (Associação de Produtores e Cineastas do Norte e Nordeste) e outras. Essa postura política do cinema brasileiro dificilmente muda independente do governo que vier. O Cine Ceará passa a ser ibero-americano para ter uma diferença em relação aos outros festivais. Nós tivemos 53 longas ibero-americanos inscritos e 37 brasileiros. Nós estamos oferecendo um prêmio de US$ 10 mil para o melhor longa. A idéia é de que, no ano que vem, esse prêmio duplique e que seja de co-produção: a produtora que ganhar aquele prêmio, no próximo longa, vai ter que colocar a logomarca, como tem no Ibermedia, no Festival de Roterdam, no de San Sebastian. Como a gente abriu o leque para ser ibero-americano, estamos com 11 longas para distribuir melhor em dez dias de festival. O ideal do Cine Ceará é que ele se posicione entre os grandes festivais de cinema ibero-americanos, que tem no mínimo dez dias. O Ceará é um estado que tem uma produção marcada pelo audiovisual. Acho que qualquer política pública só funciona bem se existir o tripé federal, municipal e estadual. Até 2002, só tinha o governo do Estado com a Lei Jereissati. A partir de 2003, entra o governo federal com a Lei Rouanet. A captação cultural do Ceará aumentou de R$ 1 milhão para R$ 6 milhões, diminuindo no eixo Rio-São Paulo. Mas grande parte dessa captação é feita pela Secretaria da Cultura, que se tornou um competidor da produção independente.
Essa captação é bem-vinda, mas é preciso democratizar melhor essa grana da Lei Rouanet. A captação tem o aval do governo do Estado, mas em função de eventos dos interesses da Secretaria. Acho que o trabalho da Secretaria da Cultura na área de audiovisual é fraco. Apesar de ter dobrado os recursos do
prêmio Ceará de Cinema e Vídeo, ela acabou com o Instituto Dragão do Mar.
Como você avalia o apoio do governo estadual à produção audiovisual local?
Acho que a visão da secretária Cláudia Leitão é caolha em relação ao audiovisual. Quer ela queira ou não, o audiovisual é a área que emprega mais pessoas e injeta mais recursos. Por exemplo, o Minerva é Nome de Mulher é um projeto de R$ 3 milhões que inicialmente o governo do Estado entrou com R$ 320 mil. Nós estamos pedindo que seja aprovado outro recurso para que a gente possa distribuir e lançar o filme, que não está pronto. Os recursos foram solicitados há vários meses e até agora nada. O Minerva não vai ser lançado no Cine Ceará, porque a Secretaria da Cultura não prioriza o audiovisual. Até hoje não recebi aprovação. Acho que essa incompreensão não vem do governador, mas é uma história que vem da Cláudia Leitão que não sabe nem o que é audiovisual, com exceção do Glauber Filho, que a duras penas está conseguindo fazer alguma coisa que é a criação do Bureau de Audiovisual.
Mas não surgiram novos projetos de longa-metragem. Até hoje a Jane Malaquias está com o primeiro longa dela que se chama Resto de Deus entre os Dentes e ela não termina de receber o resto de dinheiro que tem para receber, porque está sendo liberado gota a gota. Existe uma incompreensão muito grande da Secretaria de Cultura do Estado em relação ao poder do audiovisual. Não sou contra a política de interiorização dos eventos, desde que não desestabilize outras políticas que estão acontecendo. E o que está capenga é a produção de longa. Pela primeira vez, podíamos ter tido dois ou até três longas cearenses durante o Cine Ceará. No caso, o filme do Rosemberg (Cariri) também não vai estar pronto para o Cine Ceará. A segunda maior fonte de renda nos Estados Unidos é o cinema. A Nigéria é hoje o maior país produtor de cinema do mundo, com 1350 longas por ano chegando a produzir mais que a Índia, que produz 900 e os Estados Unidos que produz 650.
Por que você acha que aqui no Ceará não engata o projeto de um pólo de cinema?
Justamente por isso. Infelizmente, não é um problema só do Brasil, mas de quase toda a América Latina. O segundo escalão sempre está mudando, ou seja, tem uma pessoa que está fazendo um trabalho legal, mas vem outro e freia. Até que venha outra pessoa com a mesma compreensão não é fácil. Acho que é mais um problema de visão do que de recursos. Vamos colocar na prática: quando o Rosemberg fez o Cine Tapuia, quantas pessoas ele empregou? No mínimo, 50. Quando fiz o Minerva é Nome de Mulher, cuja história se passa nos anos 50, pelo menos umas 100 pessoas trabalharam no filme. Nós injetamos na economia do estado R$ 1 milhão e meio. Isso dá uma visibilidade ao Estado que nenhuma outra área pode dar, porque o cinema congrega a música, o teatro, a pintura... Está todo mundo dentro do cinema. Não é a toa que se chama indústria audiovisual e que existe uma lei específica para o audiovisual. Uma coisa boa que está acontecendo no Ceará é que grandes empresários da terra, como M. Dias Branco, Beto Studart (da Agripec), Grupo J. Macedo, Santa Clara, estão vendo que o dinheiro que poderia ser pago ao governo federal pode ser investido em cultura. Muitos empresários pensam que o fato de entrar numa lei de incentivo à cultura acaba tendo uma devassa no imposto de renda. Isso não procede. Ainda bem que esse pensamento está sendo destruído e as empresas estão vendo que é um negócio de pai para filho. Ou seja, tu desconta a parte no imposto de renda, faz um trabalho social, divulga o nome da empresa e gera um produto cultural.
É mais fácil gerir um festival de cinema como o Cine Ceará do que produzir um longa-metragem aqui?
Fazer o Cine Ceará é fazer um longa-metragem por ano, mas é mais desgastante fazer um longa. É mil vezes mais fácil captar recursos para um festival. Por exemplo, estamos trazendo para o Cine Ceará 60 jornalistas do Brasil e ibero-americanos. Multishow, GNT, Canal Brasil, Revista do Cinema Brasileiro, programa Metrópolis e Zoom... Esse ano, o Cine Ceará ganha apoio da prefeitura municipal. No ano passado, a prefeita Luizianne (Lins) deu apoio logístico porque não tinha recursos. Na área da cultura, o Juraci Magalhães (ex-prefeito de Fortaleza) foi um desastre. Era o maior boneco para conseguir que ele liberasse a praça. Já a Luizianne está tirando das catacumbas a Escola de Cinema, que foi enterrada pela Cláudia Leitão. No Cine Ceará desse ano, nós criamos o Encontro Ibero-Americano das Coalisões da Diversidade Cultural, que é o I Fortaleza pela Diversidade Cultural, que é uma atuação da prefeitura dentro do Cine Ceará. Acho que temos as três pernas: o município, o federal e o estadual.
Mas você acha que o pólo de cinema finalmente vai dar certo, tanto com a Escola de Audiovisual e Núcleo de Produção Digital, da Funcet; e o Bureau do Audiovisual, da Secult?
Acho que sim. Aproveito para parabenizar a secretária Cláudia Leitão, porque o Bureau é a única coisa que ela realmente fez. Tudo bem que ela reforçou o Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo, mas até por obrigação. Com o preço anterior não dava para fazer. Mas o Bureau vem da época do Nilton Almeida e que alavancou a produção de curta-metragem e o surgimento de novos realizadores. Mas Armando Praça, Patrícia Baia, Tiago Therrien... Todos esses realizadores vão querer fazer longa-metragem! Então, você não pode ter política que exclua longa. O curta-metragem é escola do longa. Logicamente o retorno que o longa-metragem dá é maior, porque o curta só tem espaço em festival.
O pouco investimento em longa-metragem também se deve ao enfraquecimento da distribuição do cinema brasileiro?
A distribuição continua sendo o grande nó do cinema brasileiro. No Cine Ceará, vamos ter dois grandes acontecimentos não só para o público cearense em geral como para realizadores nacionais ou ibero-americanos. É o seminário que vamos ter sobre a Ancine (Agência Nacional de Cinema), que completa cinco anos em setembro. Vamos homenagear o Gustavo Dahl, que é o diretor-presidente. A Ancine acabou de criar o prêmio de renda, ou seja, reavivar o adicional da renda que acontecia na época da Embrafilme. Tanto os produtores quanto os distribuidores recebem um plus em cima do que arrecadaram na bilheteria. Estão surgindo novas empresas de distribuição. Ainda não terminei de distribuir o Milagre em Juazeiro, que só teve R$ 80 mil para ser distribuído. Lancei em Fortaleza, Brasília, São Paulo e Recife. No Minerva é Nome de Mulher, vou ter dinheiro para gastar no lançamento. Só para você ter uma idéia, o plano de mídia de Dois Filhos de Francisco custou R$ 6 milhões, quase R$ 500 mil a mais do que a produção do filme. O filme arrecadou quase R$ 40 milhões. Então, vamos ter também uma retrospectiva da Globo Filmes. É o primeiro festival brasileiro que faz uma retrospectiva da Globo Filmes, onde vamos estar exibindo as sete maiores bilheterias do cinema brasileiro. Vamos ter um workshop de dois dias, que vai discutir como é uma co-produção com a Globo Filmes e como é o plano de marketing de lançamento, e o Carlos Eduardo Rodrigues (diretor da Globo Filmes) vai receber projetos de cineastas cearenses para ver se tem interesse em co-produzir algum deles. Acho que qualquer cineasta brasileiro adoraria estar co-produzindo com a Globo Filmes. Primeiro, porque existe um padrão Globo de qualidade. Segundo, porque o realizador tem uma mídia extra da Globo. Significa que você pode ter um sucesso de bilheteria muito maior do que com qualquer outra distribuidora no país.
Então, trazer uma mostra da Globo Filmes para o Cine Ceará é uma iniciativa mais estratégica?
A Globo Filmes surgiu em 1998 e ninguém nunca pensou nessa retrospectiva. Sei que as pessoas vão me criticar. Vão dizer: "Poxa, tu defende a descentralização, mas está trazendo uma mostra da Globo Filmes". Qual o problema? A Globo Filmes é uma empresa brasileira, é melhor que se fosse a BBC que estivesse comandando a Globo. No período que a Carla Camurati rodou Carlota Joaquina, quase 100% da nossa tela era tomada pelo cinema norte-americano. A partir da retomada, a gente chega a ocupar 20% do mercado. Essa ocupação está diretamente ligada a Globo Filmes. Nenhuma cinematografia do mundo sobrevive sem a televisão. Isso acontece nos Estados Unidos, na Nigéria, na Europa. Depois que a Globo Filmes surgiu, a SBT está lançando a SBT Filmes, a Record está lançando a Record Filmes... Isso está abrindo uma janela na TV aberta que é fundamental para a formação de platéia. Além de que você vender um produto que está associado a Globo filmes é muito mais fácil captar do que associado a outra produtora.
Muitos podem criticar que você deveria usar esse espaço para exibir filmes de produção independente, em vez de fazer uma retrospectiva da Globo Filmes.
Mas essa é uma crítica mesquinha e xenofóbica. Estamos fazendo a PremiÕre Fortaleza, exibindo A Margem do Concreto, do Evaldo Mocarzel, As Meninas, da Sandra Werneck, O Profeta das Águas, do Leopoldo Nunes, ou seja, sete longas na mostra PremiÕre Fortaleza. Nós estamos exibindo 11 longas ibero-americanos, entre eles dois longas brasileiros. Nós estamos fazendo uma retrospectiva dos 20 anos da Escola de Cinema de Cuba, onde vão ter 10 longas feito por ex-alunos. O festival continua colocando o curta como espaço de status dentro do festival. Este ano estamos acabando com restrição a formato. Tanto faz ter produzido em 35mm, 16mm ou vídeo, desde que ele tenha 700 linhas de definição. Qual o problema de fazer retrospectiva da Globo Filmes? A gente está privilegiando várias cinematografias, em especial a brasileira. Quero que me prove que a Globo Filmes não é brasileira.
O cinema da Casa Amarela finalmente será inaugurado?
Bem, a Casa Amarela Eusélio Oliveira está completando 35 anos em junho deste ano. A Casa foi fundada pelo meu pai e, apesar de que as pessoas queiram ou não, é um espaço fundamental na produção e formação do audiovisual no Estado. Grandes nomes que estão aí hoje, eu, (Marcus) Moura, Jane (Malaquias), Joe (Pimentel)... Todos passaram pela Casa Amarela, que foi o embrião do Instituto Dragão do Mar. Algumas pessoas ficam magoadas quando eu falo isso, pois fiquem mais magoadas ainda! O Instituto surgiu de um embrião criado na Casa Amarela, que se chama projeto Luz, Câmera e Imaginação, que aconteceu de 94 a 96, com três versões que começaram com um curso de roteiro com Orlando Senna, daí se selecionava dois ou três curtas para serem produzidos e vinha nomes como Nelson Pereira dos Santos, Maurice Capovilla, Mario Mazetti, Flávio Tambelini. Era um projeto criado por mim e pelo José Alberto Simonetti, que teve apoio da Beth Jaguaribe e do Banco do Estado do Ceará (BEC). A partir desse projeto e de contatos da Escola de Cinema de Cuba é que surge o Instituto Dragão do Mar. É lógico que se não fosse o Paulo Linhares (ex-secretário de Cultura do Estado), não existiria. Além do Paulo ter a visão correta da indústria cultural, ele é um homem da publicidade e sabe que o cinema é a área que mais dá retorno e emprega pessoas. Em 93, convidei o Paulo Linhares, que tinha acabado de assumir a Secult, para ser júri do Vídeo Mostra Fortaleza, que foi uma criação do meu pai e do Francis Vale. O Vídeo Mostra Fortaleza substituiu o III Festival de Fortaleza do Cinema Brasileiro. No primeiro governo Tasso Jereissati, o Barros Pinho era o secretário de cultura e faltava cinco dias para começar o evento, quando o Barros Pinho é substituído pela Violeta Arrais, que Deus a tenha! A Violeta sabota o evento e traz para o Ceará o FestRio, que foi enterrado aqui e até hoje estão pagando dívidas do FestRio, que está rolando em algumas áreas da cidade, principalmente na rede hoteleira. A Violeta sabotou um evento que ia para seu terceiro ano. Na realidade, o Cine Ceará poderia ter hoje mais de 20 anos. Em 92, o Marcus Moura dirige o Vídeo Mostra Fortaleza. Em 93, eu assumo. Em 94, a prefeitura tentou manipular politicamente o festival e nós fizemos uma parceria com o governo do Estado e com a construtora Metro.
Em 95, com apoio do Linhares, nós realizamos o I Cine Ceará. Tudo isso surgiu na Casa Amarela. Quer queiram ou não, o trabalho da Casa Amarela sempre foi de pólo formador de pessoas do audiovisual. Hoje tem uma projeção ibero-americana. O reitor da UFC, René Barreira, tem dado apoio substancial ao festival e está pensando em criar um curso superior de audiovisual na UFC. Existe uma vontade da administração da UFC em criar um centro de comunicação e artes, juntando música, estilismo e moda, teatro e cinema. Na Casa Amarela Eusélio Oliveira, vamos inaugurar agora o Cine Benjamin Abrahão, depois de uma peleja de quase dez anos. E para os que se dizem da "velha Casa Amarela", eu devolvo que vamos inaugurar a "nova Casa Amarela", com cinema em qualquer formato, com ar-condicionado, 146 lugares, com as cadeiras recuperadas do extinto Cine Diogo. E que abre o espaço uma vez por semana para o trabalho do Cineclube da Casa Amarela, que vai continuar gratuito, a não ser que eles não queiram. Só que a gente vai tirar da sexta para segunda. A idéia é que a Casa Amarela seja um point cultural, com espaço maior de lazer e mosaicos nos corredores. Vai ter uma exposição de fotos do Benjamim Abrahão. Chamamos o Franzé Santos para ser o curador desse espaço. E infelizmente você não pode manter um cinema sem cobrar. As pessoas acham que a Casa Amarela tem uns 30 funcionários e não é! Aqui na Casa Amarela, somos três ou quatro gatos pingados. Para você manter um cinema, é preciso no mínimo umas seis pessoas: uma na bilheteria, duas na projeção, um curador, um na limpeza e outro na parte elétrica. A universidade não tem funcionário para isso. A solução é que seja um trabalho de cineclubismo, não só o cineclube que vai continuar, mas no sentido de trazer grandes nomes do cinema brasileiro para debater seus filmes e também trazer filmes de difícil acesso de outros países, além de ser um point cultural para alguém que possa lançar um livro ou fazer um show.
Mas vai ser um espaço de exibição comercial dentro de um espaço público que é a UFC. Isso é legítimo?
Sim. Isso não acontece só na UFC, mas na Fundação Joaquim Nabuco também, que pertence ao Ministério da Educação assim como a UFC. Lá funciona um cinema na Fundação, que cobra ingresso também. A bilheteria do Cine Benjamin Abrahão vai para a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC). Não é a primeira vez que está sendo paga. Nos anos 70, já existia uma conta de FCPC - bilheteria, para pagar os funcionários e para atualizar tecnologicamente o cinema. A idéia é que o ingresso custe R$ 6,00. Seria o cinema mais barato da cidade. Professores e funcionários da UFC pagariam meia e os alunos da UFC pagariam R$ 2,00, o alunos da escola pública R$ 1,00. Ninguém está cometendo nenhuma arbitrariedade. Isso acontece na Fundação Joaquim Nabuco e vai ser tudo feito com a assessoria da procuradoria da UFC. Porque posso ser qualquer coisa, menos burro. Quanto ao cineclube da Casa Amarela, ele já está consolidado, mas faço uma crítica: o espaço que eles dão ao cinema brasileiro e cearense é mínimo. Nem por isso eles deixaram de ter seu espaço. O que eles não fazem, nós vamos fazer com outro perfil. Acho o trabalho do Cineclube da Casa Amarela fundamental e estimulou o nascimento de outros cineclubes. O cineclubismo é importante pelo trabalho de formação de platéia e de discussão, debate e conflito do audiovisual, mas que possa abrir espaço para o cinema brasileiro e cearense.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar essa notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
- 21:15 Inter joga mal e apenas empata com o Cerro
- 20:47 Ponto extra da TV paga pode ser cobrado como aluguel
- 20:32 Anatel aprova desbloqueio de aparelho celular
- 20:31 Por 4 a 3, TSE rejeita ação contra Lula e Dilma por propaganda eleitoral antecipada
- 20:28 Corte no Orçamento não deve amenizar pressões para aumento de juros, dizem especialistas
Últimas
- 01:05Curtas, finas & grossas
- 17:34Casal que fazia sexo em carro morre
- 01:25Assaltantes rendem família disfarçados de pastores na Itaoca
- 15:57OAB aprova estaleiro só com mudanças; Semam diz que postura é 'lamentável'
- 11:20CNI/Ibope: diferença entre Dilma e Serra cai de 21 pontos para 5
- 01:25Operário morre esmagado na Capital
- 01:05 Curtas, finas & grossas
- 11:20 CNI/Ibope: diferença entre Dilma e Serra cai de 21 pontos para 5
- 15:57 OAB aprova estaleiro só com mudanças; Semam diz que postura é 'lamentável'
- 01:29 Derrota para a filial
- 01:25 Assaltantes rendem família disfarçados de pastores na Itaoca
- 01:25 Integração temporal: você conhece?
Indique essa notícia









