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Festival

A caminho da vanguarda

Shows, conferências, lançamentos de livros e exposições. Começa hoje o II Festival UFC de Cultura, com atividades que se dividem entre Benfica e Pici

Alinne Rodrigues
alinnerodrigues@opovo.com.br

09 Nov 2009 - 00h46min

Patativa do Assaré é o homenageado do Festival e ganha exposição de fotos de Tiago Santana (Foto: Tiago Santana/Divulgação)
Em maio do ano passado, as comemorações dos 40 anos de 1968 aconteciam ao redor do mundo. Período de revolução nas mais variadas searas, o meia-oito foi tema do I Festival UFC de Cultura. Justamente em maio, a Universidade Federal do Ceará (UFC) recebeu conferências, shows, organizou exposições, tudo em torno da efeméride. Em 2009, o festival chega em novembro, com uma programação ainda maior, envolvendo não somente o campus do Benfica, mas também o Pici: 15 shows, mostra de filmes de curta e longa-metragem na Casa Amarela e conferencistas internacionais.

Com o tema Ecos Nordeste, Cultura e Desenvolvimento, o grande homenageado é Patativa do Assaré. ``Ano passado, homenageamos o (artista plástico) Antônio Bandeira. Este ano, devido ao centenário do Patativa, escolhemos o poeta``, conta Paulo Mamede, coordenador de Comunicação e Marketing da UFC. A semana começa na manhã de hoje, às 9 horas, com a conferência A reconstrução das cidades nas metrópoles, do arquiteto e músico Fausto Nilo. Às 17 horas, o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), inicia as atividades em torno de Patativa: primeiro com o lançamento do livro Patativa em sol maior: 13 ensaios sobre o poeta pássaro, depois com a abertura da exposição Patativa Centenário (fotografia e xilogravura), às 19 horas.

"O livro teve organização do professor Gilmar de Carvalho. São 13 ensaios acadêmicos de professores-doutores do Ceará, Bahia, São Paulo e até da Europa e dos Estados Unidos sobre a obra de Patativa do Assaré. Eu não conheço um livro acadêmico com essa envergadura``, comenta Mamede. A exposição, de curadoria do diretor do Mauc, Pedro Eimar, une os trabalhos do xilogravurista João Pedro e do fotógrafo Tiago Santana. ``É uma exposição muito criativa e legal de se ver``, elogia o coordenador.

A programação
Santana participa com 11 imagens de Patativa, registros dos últimos anos de vida do poeta. Nascido no Crato, o fotógrafo visitava Assaré desde criança. ``A gente tinha uma relação muito grande, conviveu muito. Nos últimos anos de vida dele, eu o acompanhei, fotografei``, recorda Tiago, que, quando menino, via o mundo do colo do poeta. O material exposto faz parte de um projeto que ele prepara com o professor Gilmar para 2010: um livro de fotos e entrevistas com Patativa, com lançamento previsto para março próximo.

Pertinho do Mauc, na Concha Acústica, a Orquestra Eleazar de Carvalho dá início à programação musical do II Festival UFC de Cultura, às 19h30min. Em seguida, o batuque de Parahyba e Cia. Bate Palmas sob ao palco. O grupo tem origem no Conjunto Palmeiras e gera emprego e renda para os jovens da comunidade através da economia solidária. A primeira noite encerra-se com a apresentação do cantor e violeiro baiano Xangai, conhecido como o ``aglutinador de linguagens dos sertões``. Até sexta-feira, tocam ainda os pernambucanos do Spok Frevo Orquestra, do Cascabulho e do Mundo Livre S/A, a potiguar Khrystal, os cariocas Daniel Gonzaga (herdeiro de Gonzaguinha e Gonzagão) e Lucas Santtana, além dos cearenses Ítalo e Renno, Groovytown, Samba de Rosas e Fagner, em shows que, até quarta-feira, acontecem na Concha, e quinta e sexta migram para o Pici.

Com entrada gratuita, as noites têm lotação limitada pelo local: no Benfica, ela é de 5 mil pessoas; no Pici, de 10 mil, com palco montado logo na entrada do campus, próximo ao Centro de Ciências Agrárias. "Teremos estrutura de banheiros químicos e segurança dobrada (no Pici)", garante o coordenador Paulo Mamede. Além dos palcos principais nos campi, serão montados também palcos alternativos em áreas de convivência, como o Bosque Moreira Campos, na área I do Centro de Humanidades, espaço para as bandas de estudantes da Universidade mostrarem suas composições. A curadoria foi feita pelo Programa de Educação Tutorial (Pet) do curso de Educação Musical da UFC.

Com extensa programação, o festival entrou oficialmente para o calendário da Universidade, sendo, a partir do ano que vem, organizado pelo Instituto de Cultura e Arte (Ica). ``Passar a organização para o Ica vai agregar valor ao festival, uma vez que ele vai ser feito pelo próprio pessoal da área. A UFC, aliás, vem desenvolvendo uma política cultural para responder a um débito: a Universidade já foi a vanguarda da difusão da cultura do Estado, e nós queremos retomar o lugar nesse cenário. Por isto que abrimos o curso de música, de artes cênicas, de cinema e audiovisual e implantamos o Ica: para que a UFC volte a ser o berço da grande vanguarda da cultura cearense``, diz.


DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Música

>Hoje, 9, a partir das 19h30min (Concha Acústica)
> Orquestra Eleazar de Carvalho
> Parahyba e Cia Bate Palmas
> Xangai (BA)

Amanhã, 10, a partir das 19h30min (Concha Acústica)
> Banda de Latas Criança Feliz
> Spok Frevo Orquestra (PE) com Ítalo e Reno

Quarta-feira, 11, a partir das 19h (Pici)
> Khrystal (RN)
> Daniel Gonzaga (RJ)

Quinta-feira, 12, a partir das 19h (Pici)
> Samba de Rosas (CE)
> Fagner
> Cascabulho (PE)

Sexta-feira, 13, a partir das 19h (Pici)
> Batuqueiros
> Lucas Santtana (RJ)
> Mundo Livre S/A (PE)

Conferências e outras atividades

Hoje, 9
> 9h - Auditório da Reitoria - A reconstrução das cidades nas metrópoles, com Fausto Nilo
> 17h - Mauc - Lançamento do livro Patativa em sol maior: 13 ensaios sobre o poeta pássaro, organizado por Gilmar de Carvalho
> 19h - Mauc - Abertura da exposição Patativa Centenário

Amanhã, 10
> 8h30min - Auditório da Reitoria - Importância da coleta seletiva solidária no Campus, com Fátima Costa e Zulmira Bomfim
> 9h30min - Auditório da Reitoria - Coleta seletiva solidária nos órgãos públicos federais, com Francisco Nascimento (DF)
> 16h - Auditório da Reitoria - O urbanismo sustentável: a criação habitável, com Robert Cervero (EUA)
> 18h - Casa Amarela - Mostra de longas
Quarta-feira, 11
> 9h - Reitoria - Novas formas de desenvolvimento e representação política: representação da sociedade nos meios públicos e privados, com Roberto Araújo (SP)
> 9h - Auditório da FEAAC - A Previdência como fator de distribuição de renda, com o ministro da previdência, José Pimentel
> 13h - Casa Amarela & Mostra de curtas
> 16h - Auditório da Reitoria - A nova toupeira - Os caminhos da esquerda latinoamericana, com Emir Sader
> 18h - Auditório da Reitoria & Lançamento do livro Besouro Cordão de Ouro - o capoeirista justiceiro, de José Gerardo Vasconcelos
Quinta-feira, 12
> 9h - Auditório do Centro de Tecnologia - O Nordeste e o desenvolvimento sustentável, com Conferencista: Antônio Magalhães (BSB)
> 16h - Auditório da Reitoria - O devir Brasil do mundo, com Giuseppe Cocco (RJ)
> 13h - Casa Amarela & Mostra de curtas
> 18h - Auditório da Reitoria - A construção da violência como campo intelectual na sociologia, com José Vicente Tavares dos Santos (BA)


SERVIÇO

II FESTIVAL UFC DE CULTURA - De hoje, 9, até sexta-feira, 13, com atividades a partir das 9 horas nos campi do Benfica (avenida da Universidade esquina com 13 de Maio) e do Pici (avenida Humberto Monte, próximo à Bezerra de Menezes). Grátis. Outras informações e programação completa no site www.festivalufcdecultura.ufc.br

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10/11/2009
09:07

Senti falta do grupo musical QUINTETO AGRESTE, pois acredito que o evento deveria valorizar os artistas cearense que tem na veia o canto desse poeta que merece todas as nossas homenagens.

Sueli Farias

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09/11/2009
14:28

Muito boa a iniciativa da UFC.No entanto não há a participação dos artistas plásticos e de teatro cearenses. Não há espaço para exposições, arte, fotografia, intervenções urbanas, poesia de gente que está começando a carreira e outros já conhecidos pela mídia. Onde está a participação do povo? O Festival de cultura não deveria englobar movimentos artísticos atuais, estimular, criar uma veia de germinação de novos valores culturais difíceis de ganhar espaço numa cidade de pouca tradição cultural?

Almir

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