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Náutico Atlético Cearense

Marchinhas e fantasias para afastar a saudade

Julia Lopes
julialopes@opovo.com.br

08 Fev 2010 - 02h30min

O Náutico Cearense foi tomado por foliões de várias gerações

Enquanto a música está tocando, as luzes piscando e a moçada rodopiando no salão, ninguém lembra da saudade. Está tudo ali: a alegria espontânea, a disposição revigorada, a indumentária preparada. Sem contar aqueles sentimentos que todo mundo sente de uma vez só. Era mais ou menos esse o quadro do último sábado no Náutico Atlético Cearense, onde aconteceu o tradicional Carnaval da Saudade. Casais combinavam as fantasias, grupos inteiros vestidos com a mesma estampa, identificando os blocos, jovens senhoras assanhadas, de melindrosas ou Carmen Miranda. Ou jovens senhores empolgados, com seus bigodes postiços.

Desânimo mesmo só do pessoal do som, que tava de pé desde as nove da manhã e de lá seguiria para outro evento, como contou o auxiliar de técnico Anderson Lima. Já a banda Brasas Seis, de sopros, percussão e voz, não fazia feio: o vocalista cantava que o coração dele tinha amanhecido pegando fogo, ou que ia lançar mão do saca-rolha para beber até se afogar. ``Mas não tem confusão, não. Lá pra mais tarde é que fica o pessoal mais animado... Só que é tranquilo``, garantiu Lucivalter Alves Bezerra, garçom contratado para a noite. Para dar conta de tanta mesa, foram acionados mais de 100 para reforçar os 15 trabalhadores fixos do Clube.

A noite era também de homenagens: aos 80 anos do Náutico, comemorados desde junho do ano passado (e seguem sendo festejados até o próximo aniversário), e à Dalva de Oliveira. ``A gente vem todo ano. As marchinhas são muito legais.``, contou a artista plástica Gabriela Campos Costa, que estava com o marido e os amigos. Eles aproveitaram que esse é ano de Copa do Mundo e fizeram um time todo amarelo. Cada jogador devidamente identificado. Já o casal Marcelo e Janissey Miranda estava de palhacinhos, com narizes brilhantes. Ela vai ao baile desde muitos anos, por conta da mãe. ``É sempre alegre, animado. A gente adora!``

Vez por outra a reportagem do O POVO era confundida com as equipes contratadas pelo Clube para registrar o evento. O fotógrafo, principalmente. ``Ei, menino! Vem aqui tirar umas fotos nossa, esse pessoal vem aqui todo ano``, pedia um. Ou a turma tinha, entre os amigos, um folião ilustre. ``Meu filho``, chamou Cristina Leite: ``Tira uma foto aqui desse pessoal. Nosso bloco é um dos mais antigos``, ela contou. E com propriedade: Cristina é filha de Otacílio Leite, um dos fundadores do Clube. Amigos unidos, hora de animar o grupo para a foto. Porque foto de carnaval não dá pra ser sem animação. Pra combinar com a alegria da festa.

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