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Exposição

O porto em preto e branco

O litoral de Fortaleza ganha novo recorte pelas lentes dos fotógrafos piauienses Paulo Gutemberg e Sérgio Carvalho. Em parceria, eles lançam o livro e a exposição fotográfica Docas do Mucuripe

Marcos Samapio
marcossampaio@opovo.com.br

09 Fev 2010 - 03h08min

(Divulgação)
Jangadas, trabalhadores, pescadores, pássaros pela calçada, um homem andando de bicicleta à beira mar. Esses e muitos outros elementos compõem a rotina de atividades do Porto de Fortaleza, mais conhecido como Porto do Mucuripe, um dos mais importantes terminais de carga do País que se destaca pela sua proximidade com a América do Norte e Europa. Com início da construção em 1938 e recebendo seu primeiro navio, o Vapor Bahia, em 1953; o Porto vê agora sua rotina registrada pelas lentes dos fotógrafos piauienses Paulo Gutemberg e Sérgio Carvalho, que no próximo dia 19, abrem a exposição fotográfica e lançam o livro Docas do Mucuripe.

Valorizando imagens abertas e priorizando a grandiosidade das instalações, o livro Docas do Mucuripe traz uma seleção de 50 fotografias, entre as quase 300 que foram tiradas, todas em preto e branco, que mostram closes dos equipamentos, algumas pessoas e os arredores do Porto, sem esquecer o mar, a cidade e os jangadeiros que dividem espaço com enormes embarcações. Para Sérgio Carvalho, essa dualidade entre o velho e o novo fica bem retratada na foto que encerra o livro. Nela são mostrados três jangadeiros sobre sua embarcação tendo ao fundo, na linha do horizonte, um navio de carga. ``O silêncio do Porto é muito forte e lá se pode captar isso. É como se você estivasse ao lado, na beira mar, e ninguém percebesse``, observa.

Atualmente, no Porto do Mucuripe, transitam um fluxo de, em média, 1.500 pessoas vindas de várias partes do mundo, incluindo seus próprios trabalhadores. Eles são responsáveis pela carga e descarga de diversos produtos como cera de carnaúba, combustíveis, frutas, castanha de caju, metais e lubrificantes. Outros se encarregam de reparos, manutenção e administração do complexo. No livro, os trabalhadores aparecem como peças integrantes do Porto, sempre no exercício das suas funções, isso porque o objetivo era retratar o cotidiano das atividades portuárias. Paulo Gutemberg vê o elemento humano como retratado de forma primordial. Tanto que ele destaca entre suas preferidas a imagem de dois trabalhadores ocupados no reparo de uma parte do Porto. ``É uma foto estranhíssima. Mas, é uma foto da figura humana, do trabalho, porque o Porto não é só navio. Tem um trabalho humano importante``, explica.

Ainda assim, o que mais chama atenção em Docas do Mucuripe são as relações entre o próprio Porto do Mucuripe e o que acontece à sua volta. Além da grandiosa estrutura, o mar e a cidade são elementos sempre presentes. Os hotéis, pássaros, pedras, a faixa de terra são captados ao lado do cai, do píer de petroleiros, enormes roldanas e estruturas de ferro. Numa delas, por exemplo, em meio à estrutura fria dos contêineres, pode-se observar um pedaço do velho farol do Mucuripe.

Paulo explica que escolheram trabalhar com imagens em preto e branco porque trazem menos informação. ``A imagem colorida tende a dispersar``, diz ele. ``O preto e branco é mais fácil, mais poético, mais sintético e tem mais foco. A imagem é mais concentrada``. Sérgio complementa, ``o Porto é meio cinza. Ele é quase em preto e branco. É como se o próprio tema exigisse e impusesse essa opção pelas suas próprias características``.


EMAIS

- A exposição fica em cartaz de 19 de fevereiro a 19 de março no Terminal de Passageiros do Porto de Fortaleza. No dia da abertura o livro Docas do Mucuripe estará sendo vendido a R$ 50. Em seguida, ele poderá ser encontrado nas livrarias.

- Uma das referências para Paulo e Sérgio foi o livro Mucuripe, do fortalezense Chico Albuquerque (1917-2000), lançado em 1989 (2ª edição em 2000). Chico fez parte da equipe de Orson Welles quando este filmou jangadeiros que partiam para o Rio de Janeiro para protestar por melhores condições ao presidente Getúlio Vargas.

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09/02/2010
11:10

Parabéns Serginho e Paulo pelo o belo trabalho com fotografias em branco e preto. Sem falar no tema, que há muito vinha necessitando de regitro. Estarei no lançamento para prestigia-los. Grande abraço.

Sheila Oliveira

Número do IP: 201.9.94.34

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09/02/2010
08:36

Muito interessante! Belíssimas imagens.

leonardo

Número do IP: 200.238.92.113

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