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A briga com o mar
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Na foz, onde as águas verdes do São Francisco se encontram às azuis do Atlântico, os Caeté fizeram sua casa. Para eles, o rio era Opara e o lugar Piaçabuçu. Hoje, a última cidade banhada pelo rio, na divisa entre Sergipe e Alagoas, vive do turismo e assiste impotente às mudanças na natureza.
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Água rasa e peixe escasso
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Com as barragens de Sobradinho, Paulo Afonso e Xingó, a Chesf controla hoje as vazões do São Francisco. Sendo assim, está alterado o regime natural do rio. Para os pescadores artesanais do vale, um desastre para o setor: o peixe, antes abundante, praticamente sumiu e os bancos de areia formam ilhas ameaçadoras.
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Energia: produçào em balanço
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O maior usuário do São Francisco, o setor energético, olha a transposição com cautela. Para a Chesf, esse novo uso do rio é a gota d'água que faltava para uma empresa que já trabalha com um potencial hidrelétrico esgotado.
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Navegação vira história
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Às margens do São Francisco, os imponentes vapores, antigas vedetes da navegação no rio, enferrujam. No passado, faziam o leva-e-traz de mercadorias e passageiros. Inclusive, em tempos de guerra, da Força Expedicionária arriscada de bombardeio por navegar no mar.
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Custos e benefícios
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A transposição do São Francisco não é uma obra barata. Com a interligação ao rio Tocantins, custa a bagatela de US$ 4,1 bilhões. Mas, nas contas do Governo Federal, o preço de transpor é bem menor que o de acionar a máquina da emergência em épocas de seca.
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Os "donos" do São Francisco
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Na linha de frente, o ex-governador da Bahia e presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães. Convicto, ele é contra a transposição. Afinal, dentro da Bahia estão 45,20% da bacia do São Francisco. Em dois grandes blocos e em lados opostos, estão os estados doadores e os que vão se beneficiar com a água.
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Revitalizar o Rio
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Intenso desmatamento nas margens, desmoronamento dos barrancos e poluição por coliformes fecais e metais como cádmio, mercúrio, zinco, chumbo. O rio São Francisco sofre os efeitos de um processo de degradação. Sob a encomenda do Ministério da Integração Nacional, o Plano de Revitalização Hidro-Ambiental da Bacia do São Francisco avalia a situação.
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Xô mau olhado
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Do final do século XIX até meados de 1950 elas navegaram absolutas pelo São Francisco. Para espantar maus espíritos, as carrancas iam nas proas dos barcos. A origem, no entanto, remonta a povos primitivos que levavam em suas jornadas pelos rios e mares a cabeça de deuses e demônios para enfrentar o medo do desconhecido.
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